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País criou quase 1,5 milhão de postos de trabalho formais em 2023

De acordo com dados do Caged, divulgados nesta terça-feira (30), o saldo de carteiras assinadas em 2023 foi de 1.483.598
O ministro Luiz Marinho culpou a desaceleração da economia brasileira pelo resultado menor na geração de empregos
O ministro Luiz Marinho culpou a desaceleração da economia brasileira pelo resultado menor na geração de empregos. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

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O mercado de trabalho formal no Brasil registrou saldo líquido de 1.483.598 carteiras assinadas em 2023, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta terça-feira (30), pelo Ministério do Trabalho. O resultado do ano passado decorreu de 23.157.812 admissões e 21 774.214 demissões. Em 2022, houve abertura de 2.013.261 vagas com carteira assinada, na série ajustada. O ano passado registrou o segundo pior resultado desde 2020, na série histórica iniciada em 2020.

O mercado financeiro esperava um novo avanço no emprego no ano, e o resultado veio abaixo da mediana das estimativas de analistas, que indicavam a abertura de 1,5 milhão de postos de trabalho. As estimativas variavam entre abertura de 1.444.786 a 1.836.747 vagas em 2023.

A abertura das vagas de trabalho com carteira assinada em 2023 foi puxada pelo desempenho do setor de serviços, com a criação de 886.223 postos formais, seguido pelo comércio, que abriu 276.528 vagas. Já a indústria geral gerou 127.145 vagas, enquanto houve um saldo de 158.940 contratações na construção civil. A agropecuária registrou abertura de 34.762 vagas no ano.

Em 2023, 27 unidades da federação obtiveram resultado positivo no Caged. O melhor desempenho entre os Estados foi registrado em São Paulo, com a abertura de 390.719 postos de trabalho. Já o pior desempenho foi do Acre, que registrou a abertura de 4.562 vagas no ano passado.

Dezembro negativo
Após a criação de 125.027 vagas em novembro (dado revisado nesta terça-feira), o mercado de trabalho formal registrou um saldo negativo de 430.159 carteiras assinadas em dezembro, de acordo com os dados do Caged. O resultado do mês passado decorreu de 1.502.563 admissões e 1 932.722 demissões. O dado é o pior resultado para dezembro desde 2022, na série histórica iniciada em 2020. Em dezembro de 2022, houve fechamento de 455.715 vagas com carteira assinada, na série ajustada. No DF, o desemprego se manteve nos mesmos patamares de novembro.

O mercado financeiro esperava um recuo no emprego no mês, e o resultado veio pior que o da mediana das estimativas de analistas consultados, que indicavam o fechamento de 370,0 mil postos de trabalho. As estimativas variavam entre fechamento de 463,713 mil a 71,65 mil vagas em dezembro.

Ministro culpa desaceleração da economia
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que a desaceleração da economia brasileira no segundo semestre contribuiu para que 2023 fechasse com saldo líquido de 1.483.598 postos formais de trabalho, número que, apesar de positivo, ficou abaixo do que havia sido projetado pela pasta em novembro.

“Houve uma desaceleração no segundo semestre. Se a economia tivesse acelerado, ia ser maior a contratação. Temos um problema de déficit muito grande, que vem, em grande parte, herdado do último ano do governo Bolsonaro”, afirmou o ministro.

Em relação ao resultado negativo do mês de dezembro, Marinho pontuou que, costumeiramente, o período não costuma ser o melhor do ano, de acordo com a série histórica do Cadastro geral de Empregados e Desempregados (Caged). Segundo ele, dezembro costuma ser um período de término de contratos, sobretudo nos campos da Educação e da Saúde. “Dezembro é o mês em que as empresas fazem a rescisão e tem também os Estados, principalmente educação e saúde, que acabam rescindindo o contrato, o que é uma aberração ao meu ver”, disse

Marinho salientou que a pasta se surpreendeu negativamente com os resultados de setembro, outubro e novembro. Ele citou como desafios para o mercado de trabalho o alto patamar de juros, o alto endividamento, que influencia na renda, e um possível aumento da informalidade no setor da agricultura.

“Quanto mais o mercado for formal, dará mais segurança para os trabalhadores. Há uma rotatividade extravagante no mercado de trabalho. Está muito flexível para uma economia como a do Brasil”, disse o ministro.