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“Fui acostumada a ser a única mulher na sala”, diz diretora do BNDES

Natalia Dias participou do WeForum, evento global realizado no DF sobre empreendedorismo feminino
Natalia Dias, diretora do BNDES
Natalia Dias, diretora do BNDES| Foto: Vanessa Castro/GPS

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A diretora de Mercado de Capitais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Natalia Dias, destacou a importância do papel dos bancos de fomento na promoção da inclusão de gênero no mercado financeiro. Segundo a executiva, apesar dos avanços em desembolsos vinculados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da Organização das Nações Unidas (ONU), o investimento em empresas ligadas à igualdade de gênero ainda é pouco expressivo.

Em entrevista exclusiva GPS|Brasília, durante a realização do WeForum, evento global de empreendedorismo feminino realizado na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, Natalia Dias enfatizou que o banco público tem atuado ativamente para promover a equidade de gênero, tanto internamente quanto por meio de iniciativas voltadas para a diversidade.

“Os ODSs de gênero é o que menos cresceu, é menos de 1% dos recursos do Brasil alocados para esse objetivo específico. O BNDES está na vanguarda e tem priorizado a diversidade e a equidade de inclusão para melhorar os produtos e o engajamento com a sociedade”, afirmou.

A diretora ressaltou que, pela primeira vez na história, a composição do banco conta com quatro mulheres em um total de nove diretores, resultado do comprometimento do presidente do BNDES em avançar na pauta de gênero. Além disso, aproximadamente 40% dos cargos de liderança do banco são ocupados por mulheres.

Entre as iniciativas do banco de fomento para promover a inclusão de gênero, Natalia Dias citou a priorização de empresas lideradas por mulheres no programa de aceleração de startups “BNDES Garagem” e o incentivo a gestores de fundos de “private equity”, com equipes mais diversas, para alavancar os trabalhos que possuem um alto potencial de crescimento, mas estão iniciando no mercado.

“A gente acredita que a diversidade nas equipes, elas definem melhor, dão mais robustez na tomada de decisão e ela obviamente está vinculada ao desenvolvimento sustentável”, emendou.

A executiva também compartilhou sua experiência pessoal de enfrentar desafios no mercado financeiro, caracterizado como um ambiente considerado machista e predominantemente masculino.

“Eu sempre fui acostumada a ser a única mulher dentro da sala e, no começo da nossa carreira, a gente avança num ritmo que é muito correlacionado à nossa competência . Eu me tornei uma feminista tardiamente. Quando tive a oportunidade de participar de um processo seletivo para uma posição de CEO e venci a competição com nove homens, percebi a importância de nos posicionarmos e acreditarmos em nós mesmas”, destacou.

Ao final da entrevista, a diretora reforçou a importância da inspiração e encorajamento das mulheres, quebrando crenças limitadoras e incentivando a participação feminina em áreas tradicionalmente dominadas por homens.

“Eu acho que tem uma questão cultural que as meninas são criadas para ir para as carreiras de humanas. As mulheres podem ir para finanças, podem ir para matemática, todo mundo pode fazer o que quiser. Não é uma questão de gênero, é uma questão de aptidão, inclinação e de muito estudo e esforço”, concluiu.

Assista a conversa a partir do tempo 04’48”:

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