O dia 30 de março é reconhecido como o Dia Mundial do Transtorno Bipolar. A data é uma forma de chamar atenção para um transtorno que atinge cerca de 3% da população mundial, combater o estigma e conscientizar a sociedade em geral. Mas você sabe o que de fato é o Transtorno Bipolar?
Muitas vezes, pessoas com este quadro são vistas de maneira equivocada, sendo rotuladas como “instáveis” ou “difíceis de lidar”. Isso faz com elas se sintam envergonhadas ou se isolem, o que piora ainda mais a condição. Uma das dificuldades enfrentadas por pessoas com transtorno bipolar é o estigma social.
O transtorno bipolar é uma doença mental caracterizada por mudanças extremas de humor, que podem alternar entre períodos de depressão profunda e fases de euforia ou mania. Essas oscilações podem afetar a vida da pessoa de maneira significativa, interferindo em sua capacidade de manter relacionamentos, trabalhar ou realizar atividades do cotidiano. Por ser uma doença crônica, o transtorno bipolar exige acompanhamento médico contínuo para seu manejo adequado.
Durante os episódios de mania, a pessoa pode se sentir extremamente energética, irritada ou até mesmo tomar decisões impulsivas, que podem trazer consequências negativas. Ela pode acreditar que está invencível ou que tem habilidades superiores às que realmente possui. Já nas fases de depressão, a sensação de tristeza profunda, desânimo e falta de interesse nas atividades podem causar dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia.
O transtorno bipolar não tem uma causa única, mas acredita-se que fatores genéticos e ambientais podem influenciar no desenvolvimento da doença. Ter um histórico familiar de transtorno bipolar pode aumentar as chances de uma pessoa desenvolver a doença. Além disso, eventos estressantes ou traumas podem desencadear ou agravar os sintomas.
O diagnóstico do transtorno bipolar é feito por um psiquiatra, que realiza uma avaliação detalhada dos sintomas e da história clínica do paciente. É importante que seja feito o diagnóstico diferencial, pois o transtorno bipolar pode ser confundido com outras condições, como depressão.
O tratamento do transtorno bipolar envolve o uso de medicamentos, como estabilizadores de humor, antidepressivos e antipsicóticos, para controlar os episódios de mania e depressão e também a psicoterapia, que pode ser uma ferramenta útil para ajudar o paciente a lidar com as mudanças de humor e melhorar sua qualidade de vida. O acompanhamento psiquiátrico regular é essencial.
Embora o transtorno bipolar seja uma doença desafiadora, é possível levar uma vida plena com o tratamento adequado. Por isso, é fundamental aumentar a conscientização sobre o transtorno bipolar e promover uma abordagem mais empática e compreensiva da sociedade em relação a essas pessoas. Se você ou alguém que você conhece se identificou com as características citadas neste artigo, não hesite em buscar ajuda profissional.
*Antônio Geraldo da Silva é médico formado pela Faculdade de Medicina na Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. É psiquiatra pelo convênio HSVP/SES – HUB/UnB. É doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto – Portugal e possui Pós-Doutorado em Medicina Molecular pela Faculdade de Medicina da UFMG.
Entre 2018 e 2020, foi Presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina – APAL. Atualmente é Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Diretor Clínico do IPAGE – Instituto de Psiquiatria Antônio Geraldo e Presidente do IGV – Instituto Gestão e Vida. Associate Editor for Public Affairs do Brazilian Journal of Psychiatry – BJP. Editor sênior da revista Debates em Psiquiatria. Review Editor da Frontiers. Acadêmico da Academia de Medicina de Brasília. Acadêmico Correspondente da Academia de Medicina de Minas Gerais.