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PT convoca para ato contra Bolsonaro, mas governo Lula não embarca

Manifestações não terão a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
gleisi hoffmann
Presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann foi hospitalizada na última quinta-feira (28). Foto Valter Campanato/Agência Brasil

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Por Gabriel de Sousa

O Partido dos Trabalhadores (PT) convocou apoiadores da sigla para participar dos atos de rua que vão pedir a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e relembrar os 60 anos da ditadura militar neste sábado, 23. As manifestações não terão a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e dos seus ministros, receosos de que a presença em uma manifestação com esse teor piore a relação do Palácio do Planalto com as Forças Armadas.

As manifestações devem ocorrer em 19 cidades, sendo 16 capitais brasileiras e duas cidades da Europa – Lisboa, em Portugal, e Barcelona, na Espanha. Conforme mostrou o Estadão no mês passado, o principal ponto de encontro dos manifestantes será Salvador (BA), onde a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), estará acompanhada do governador baiano, Jerônimo Rodrigues (PT), e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

De acordo com lideranças de partidos da base governista ouvidas pelo Estadão, a ausência do presidente e dos ministros nas manifestações leva em consideração a postura adotada por Lula de não se posicionar sobre os 60 anos da ditadura militar, que começou em 1964 e teve fim em 1985. O período foi marcado por desaparecimento de adversários políticos e terminou com os militares anistiados.

No mês passado, Lula afirmou que não quer ficar “remoendo o passado” e que está mais preocupado com o 8 de Janeiro do que com o golpe de 1964. Em uma reunião com auxiliares no início deste mês, o petista também proibiu que os chefes das pastas se posicionem publicamente sobre o golpe. Segundo Lula, a decisão busca evitar que a data convulsione o ambiente político do País

O Planalto também receia que a presença da cúpula do governo sinalize uma resposta ao ato convocado por Bolsonaro na Avenida Paulista, em 25 de fevereiro. O ex-presidente reuniu centenas de milhares de apoiadores e minimizou as provas obtidas pela PF no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, além de pedir anistia aos presos pelo ataque aos prédios dos Três Podere.

O governo federal enfrenta uma queda dos índices de aprovação, atestada pelos principais institutos de pesquisa do País. Segundo lideranças partidárias, o atual cenário pode fazer com que uma convocação do presidente para as manifestações não cause tanto efeito na mobilização, o que o enfraqueceria nas discussões sobre a sua popularidade ante a de Bolsonaro.

Em nota oficial, publicada no site do PT e enviada para diretórios estaduais e municipais da sigla, o partido convidou filiados e apoiadores para ir às ruas para defender as pautas da “defesa da democracia” e a exigência da “punição daqueles que atentaram contra o Estado Democrático de Direito”, sem citar o nome de Bolsonaro.

Na convocação oficial, o líder do PT na Câmara, deputado Odair Cunha (MG), afirmou que os atos deste sábado vão unir “movimentos sociais e trabalhadores do campo e da cidade” para pedir a prisão dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado. “Vamos reagir e exigir a punição daqueles e daquelas que atentaram contra o Estado Democrático de Direito”, disse o parlamentar.

As manifestações são organizadas pelos movimentos de esquerda Frente Povo Sem Medo (FPSM) e Frente Brasil Popular, que reúnem entidades de esquerda e são ligados ao PT e outros partidos da base de Lula como o PSOL e o PCdoB.

Ao Estadão, lideranças de movimentos sociais que vão participar dos atos criticaram a decisão do governo de não participar do evento. Segundo os representantes das entidades, a ausência de Lula pode prejudicar a mobilização dos apoiadores.

“É inegável que a presença de Lula em qualquer ato aumenta a capacidade de mobilização, mas, na nossa avaliação, a convocatória dos atos de amanhã (sábado) já mostrou força”, disse Rud Rafael, coordenador-geral do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).

VEJA OS LOCAIS DOS ATOS DA ESQUERDA CONTRA BOLSONARO

– Barcelona (Espanha) – Calle Rocafort, 242 – 14h (horário local)

– Belém (PA) – Escadinha do Cais – 9h

– Belo Horizone (MG) – Praça Afonso Arinos – 9h

– Boa Vista (RR) – Praça Germano Sampaio – 17h

– Brasília (DF) – Praça Zumbi dos Palmares – 16h

– Campo Grande (MS) – Praça do Rádio – 9h

– Curitiba (PR) – Praça Santos Andrade até a Praça Boca Maldita – 9h

– Fortaleza (CE) – Praça do Ferreira – 8h30

– João Pessoa (PB) – Praça da Lagoa – 15h

– Lisboa (Portugal) – Praça Luís de Camões – 10h30 (horário local)

– Maceió (AL) – Calçadão do Comércio – 9h

– Osasco – Osasco Plaza Shopping – 13h

– São Paulo – Largo do São Francisco – 15h

– Porto Alegre (RS) – Largo Glênio Peres – 15h

– Porto Velho (RO) – Praça Marechal Rondon – 17h30

– Salvador (BA) – Largo do Pelourinho – 15h

– Recife (PE) – Praça do Derby – 10h

– São Luís (MA) – Solar Maria Firmina – 9h30

– Vitória (ES) – Praça Vermelha – 9h

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