Preta Gil: especialista explica o que é o câncer colorretal

Considerada comum no Brasil, doença que causou a morte da cantora tem crescido em pessoas até 50 anos

A morte da cantora Preta Gil reacendeu o alerta para a gravidade do câncer colorretal, uma doença que tem se tornado cada vez mais frequente em pessoas com menos de cinquenta anos. O câncer, considerado comum no Brasil, é o segundo mais incidente entre homens e mulheres, ficando atrás apenas pelo de próstata e mama.  Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), com estimativa de 45 mil novos casos por ano.

“O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso, que inclui o cólon e o reto. Ele geralmente começa como um pólipo (uma pequena lesão inicialmente benigna) que pode crescer e, com o tempo, se transformar em câncer, que por definição tem capacidade de se multiplicar e invadir outros órgãos”, explica o médico especialista em cirurgia do aparelho digestivo, Felipe Alexandre Fernandes

Segundo o médico, o câncer colorretal afeta principalmente o intestino grosso, mas, em fases mais avançadas, pode se espalhar para outras partes do corpo, como linfonogos, fígado, pulmões e peritônio (parte da cavidade abdominal). “O câncer, a depender do seu tamanho, pode invadir outros órgãos adjacentes também, como útero, bexiga, próstata e intestino delgado”, diz Felipe Alexandre. 

O diagnóstico do câncer colorretal é um dos principais desafios no combate à doença, especialmente porque seus sintomas iniciais muitas vezes são confundidos com problemas intestinais comuns. Entre os sinais de alerta estão a presença de sangue nas fezes, alterações no hábito intestinal, dor abdominal, perda de peso sem explicação e cansaço excessivo. “Em muitos casos, os sintomas são atribuídos a doenças como hemorroidas ou síndrome do intestino irritável, o que pode atrasar o diagnóstico”, explica o especialista.

A principal forma de confirmar a presença da doença é por meio da colonoscopia, exame que permite a visualização do interior do intestino e a coleta de amostras para biópsia. Além disso, exames de imagem como tomografia e ressonância magnética auxiliam no estadiamento do tumor, ou seja, na determinação da extensão da doença no corpo.

Comum entre pessoas acima dos cinquenta anos, embora a incidência em adultos mais jovens esteja aumentando, homens têm um risco ligeiramente maior que mulheres. “Pacientes com histórico familiar de câncer colorretal e com outras doenças intestinais (como retocolite ulcerativa ou Doença de Crohn) apresentam riscos maiores de desenvolvimento de tumores. Pessoas com Síndromes como a polipose adenomatosa familiar e a síndrome de Lynch aumentam significativamente o risco”, sinaliza o médico. 

Para garantir a detecção precoce, a recomendação é que pessoas sem sintomas iniciem o rastreamento com colonoscopia a partir dos 45 anos. “Quem tem histórico familiar deve começar ainda mais cedo, conforme orientação médica. Devem iniciar o rastreamento dez anos antes da idade do diagnóstico do parente mais jovem, ou por volta dos quarenta anos, o que ocorrer primeiro”, sugere o especialista. 

Outros exames, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e o teste imunológico fecal (FIT), também podem ser utilizados como métodos complementares de triagem, embora tenham menor sensibilidade em relação à colonoscopia.

Tratamento e prevenção 

Entre as principais formas de tratamento atualmente, estão a inclusão da ressecção por colonoscopia, cirurgia, quimioterapia, radioterapia e, em alguns casos, imunoterapia ou terapias-alvo. A escolha do tipo de tratamento deve depender do estágio da doença, por isso é importante a detecção precoce dessas lesões.

“Quanto mais precoce realizado o diagnóstico, melhor é a taxa de cura de cada paciente. Tumores iniciais podem ser tratados apenas com ressecção por colonoscopia ou cirurgia. Em estágios mais avançados, é necessário combinar diferentes abordagens terapêuticas, como quimioterapia e outras cirurgias mais complexas”, explica o médico Fernando. 

Segundo o médico, alguns hábitos podem impactar no desenvolvimento da doença.  “O consumo excessivo de carnes processadas e vermelhas, o sedentarismo, a obesidade, o tabagismo e o álcool estão associados ao aumento do risco de desenvolvimento de câncer colorretal”, alerta. Por outro lado, uma dieta rica em fibras e atividade física regular reduzem o risco de desenvolvimento da doença.

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Edição 42

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