Brasília, símbolo da modernidade arquitetônica e da utopia urbanística brasileira, será palco de um debate urgente e necessário sobre como tornar as cidades mais justas, resilientes e acessíveis para todos. De 4 a 6 de setembro, a capital federal sedia a Conferência Internacional CAU 2025, promovida pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR).
Com o tema Arquitetura e Urbanismo para Todos, o evento reunirá especialistas do País e do exterior no Centro de Convenções Brasil 21 para discutir os principais desafios contemporâneos do setor, que vão desde temas como a emergência climática à moradia digna, além de mobilidade, patrimônio, inteligência artificial e inclusão social. Em entrevista ao GPS|Brasília, a presidente do CAU/BR, Patrícia Sarquis Herden, compartilhou os bastidores e a importância da iniciativa.

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“Essa conferência, nessa dimensão, está nascendo aqui em Brasília, e a data escolhida para o evento é muito simbólica. O CAU completa 15 anos justamente no ano em que Brasília celebra 65. Pensamos: por que não realizar o primeiro evento desse porte na cidade que é ícone do modernismo e referência para arquitetos e urbanistas do mundo todo? Além disso, o Brasil sedia a COP30 no fim do ano, o que reforça ainda mais a relevância desse momento”, comenta Patrícia.
A expectativa é de que o evento reúna cerca de cinco mil participantes, entre arquitetos, urbanistas, estudantes, gestores públicos e representantes da sociedade civil. A conferência marca os 15 anos do CAU/BR e busca reforçar o papel do arquiteto como agente de transformação social.
“Existe uma ideia ultrapassada de que o arquiteto trabalha apenas para uma pequena parcela da população. Mas o arquiteto e urbanista tem um papel muito mais amplo. Podemos lembrar do saudoso Jaime Lerner, que transformou Curitiba. Hoje, temos ações concretas, como a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS), uma lei que garante esse atendimento gratuito. O CAU destina 3% do orçamento para ações de ATHIS; a ideia é realmente ter esse comprometimento com todas as camadas da população, ampliando a segurança e a qualidade de vida da sociedade”, explica.
A programação será estruturada em três eixos principais: Caminhos da Memória; Lugares do Cotidiano; e Trajetórias da Inovação. Os painéis vão abordar políticas públicas, habitação social, mobilidade urbana, patrimônio, instrumentos de inclusão territorial e sustentabilidade. “O arquiteto precisa considerar os microclimas urbanos. Vimos o que aconteceu no Rio Grande do Sul, cidades praticamente sumiram do mapa. Isso exige repensar onde e como assentamos as populações, com segurança e responsabilidade. Criamos uma câmara técnica voltada aos extremos climáticos, que vêm debatendo esses temas dentro do CAU”, destaca a presidente.

Patrícia Sarquis Herden
Entre os palestrantes confirmados estão grandes nomes da arquitetura mundial. O australiano Karl Fender, do Fender Katsalidis; a franco-brasileira Elizabeth de Portzamparc; o canadense Tye Farrow; a colombiana Diana Wiesner; e o espanhol Jorge Beneitez, do escritório Enzyme APD, são alguns dos destaques. Também participam a mexicana Sara Topelson de Grinberg e talentos em ascensão como Nathália Bussioli.
Brasília, com sua história e vocação urbanística, será também objeto de reflexão durante a conferência. “É a chance de fazermos uma releitura crítica do que foi implantado há 65 anos: o Plano Piloto virou um modelo isolado? O que deu certo e o que precisa ser repensado? Essa é a oportunidade de revermos o desenvolvimento urbano da cidade e refletirmos sobre seu legado”, afirma.
A produção nacional e os novos talentos também terão espaço. Estão previstas semanas temáticas, oficinas, workshops gratuitos e uma grande feira de serviços e negócios. Um dos destaques será a apresentação final do CAU Lab, com propostas desenvolvidas por jovens arquitetos mentorados por especialistas.
O evento ocupará 6.500 m² do Centro de Convenções e Eventos Brasil 21. Haverá um palco principal para mil pessoas, salas para debates e painéis técnicos com temas como neuroarquitetura, acessibilidade e arquitetura hospitalar. As palestras internacionais contarão com tradução simultânea.
“Vamos discutir também com lideranças do Mercosul e conselhos de arquitetura de diferentes países. Cada local tem sua forma de organizar a profissão, em alguns, arquitetura e urbanismo são separados. Queremos trocar experiências, discutir mobilidade profissional e entender como podemos avançar juntos”, diz Patrícia Sarquis Herden.
Ela também ressalta a criatividade e a capacidade de adaptação dos profissionais brasileiros. “O brasileiro é naturalmente empreendedor, precisamos ser, diante das dificuldades que enfrentamos. Temos uma expressão técnica muito admirada lá fora”, comenta.
Ao celebrar os 15 anos do conselho, Patrícia Sarquis Herden relembra conquistas importantes, como o registro nacional unificado e os sistemas digitais de responsabilidade técnica, mas destaca que o momento é de transformação digital e maior aproximação com os profissionais. “A ideia é realizar a conferência a cada três anos, sempre no ano central da gestão. Começamos por Brasília, mas a expectativa é de que ele entre para o calendário da arquitetura brasileira e ajude a aproximar os profissionais”, pontua.
Serviço
Conferência Internacional CAU 2025
Data: 4 a 6 de setembro de 2025
Local: Centro de Convenções e Eventos Brasil 21, Brasília/DF
Mais informações e inscrições: caubr.gov.br/cauconference2025