As redes sociais desempenham um papel central na vida dos adolescentes nos dias de hoje, oferecendo diversas possibilidades de interação e até aprendizado. No entanto, o uso excessivo dessas plataformas também tem gerado preocupações sobre seus efeitos na saúde mental e no desenvolvimento emocional dos jovens.
A nova série Adolescência, da Netflix, traz o assunto para o debate ao retratar um caso de polícia que tem um garoto de 13 anos como o protagonista, Jamie, preso acusado de matar uma colega. Assim, a produção dá luz aos efeitos do discurso misógino e à impossibilidade de controlar o uso das redes sociais entre os adolescentes.

Foto: Reprodução/Netflix
Sobre os riscos e as responsabilidades relacionadas ao ambiente digital, a psicóloga, neuropsicóloga e mestranda em Psicologia pela Universidade do Porto, em Portugal, Karliny Uchôa destaca que, embora as redes sociais possam ser úteis, elas trazem uma série de perigos, especialmente para os adolescentes, que estão em uma fase crucial de formação.
“Eles ainda estão construindo sua identidade, e a internet pode prejudicar bastante esse processo, se usada em excesso“, alerta.
O uso contínuo e descontrolado das plataformas pode gerar inseguranças e dificultar a formação de uma autoimagem saudável para um jovem e, para Karliny, o impacto na saúde mental desses indivíduos é cada vez mais evidente, podendo gerar ansiedade, insônia e até sintomas depressivos.
Além disso, a necessidade constante de estar conectado e a comparação com a vida editada de outros usuários nas redes intensificam a sensação de inadequação e ansiedade. Esse fenômeno contribui para o aumento dos transtornos psicológicos entre os adolescentes, que sentem a pressão de manter uma imagem idealizada nas plataformas digitais.
Outro ponto importante é o agravamento do bullying, que embora seja um problema antigo, foi agravado significativamente pela internet. “O bullying sempre existiu, mas as redes sociais ampliaram muito. O que antes acontecia apenas em ambientes físicos agora pode ocorrer 24 horas por dia, muitas vezes de forma anônima. A internet não criou a violência, mas permitiu que ela se espalhasse de maneira mais rápida e difícil de controlar”, explica Karliny.
Papel do pais
Resolver o problema é um desafio. A psicóloga acredita que a responsabilidade de guiar o uso das redes sociais deve ser compartilhada entre os adultos e os jovens, no caso, pais e filhos. Ela defende que, ao invés de proibir o uso das plataformas, os tutores devem estabelecer limites saudáveis, dialogar e orientar os jovens sobre o uso consciente da internet, equilibrando a vida online com a vida offline.
“Os adultos têm um papel fundamental em monitorar e orientar o consumo de conteúdo dos adolescentes. A tecnologia avança rápido, mas o diálogo entre pais e filhos precisa ser constante para garantir um ambiente digital mais seguro“, avalia.
A especialista ainda alerta para a importância de estar atento aos sinais de sofrimento emocional nos adolescentes, que podem ser indicativos de que algo de errado está acontecendo. “Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, queda no rendimento escolar e alterações no sono e no apetite são sinais de que o indivíduo pode estar enfrentando dificuldades emocionais“, afirma Karliny.
A irritabilidade, a ansiedade e a desmotivação também podem ser reflexos do impacto das redes sociais na vida dos adolescentes. Ela enfatiza que, nesses casos, os adultos devem agir com empatia e atenção para entender o que está afetando o jovem.