**A esperança é rosa!** E, além de ser dedicado à conscientização e prevenção do câncer de mama, o mês de outubro também é um importante momento para trazer **esperança para as mulheres que passam pelo tratamento oncológico**, sobretudo no que diz respeito à maternidade.
Alinhada à oncologia e a favor da qualidade de vida após a doença, a medicina reprodutiva intervém na **conservação dos óvulos, para preservar a fertilidade**, autonomia e direitos da paciente em sonhar com a possibilidade de ser mãe, quando o câncer já estiver em remissão.
Isso porque a perda da função dos ovários e, consequentemente da fertilidade, é um dos possíveis **efeitos adversos** dos tratamentos contra o câncer. E a quimioterapia usada para combater a doença pode levar mais de **80% das mulheres à menopausa**, principalmente aquelas com idade acima de 37 anos.
A importância de se tentar preservar a fertilidade é reconhecida por diretrizes internacionais de orientação às pessoas com câncer e a adequada abordagem do assunto permite que se tomem **decisões livres e esclarecidas**, para a adoção de **estratégias personalizadas** antes do início do tratamento anticâncer.

Dessa forma, falar de preservação da fertilidade à mulher diagnosticada com câncer é, sem dúvida, uma parte fundamental da **orientação interdisciplinar**. É importante dizer que o congelamento de óvulos é reconhecido como **estratégia de escolha para preservação oncológica há quase uma década**.
E, também, que já se pode afirmar que fertilização in vitro (FIV) de óvulos congelados leva ao nascimento de **crianças saudáveis tanto quanto a de óvulos frescos**. Saber disso traz o conforto essencial para a serenidade da tomada de decisão e elimina questões éticas ou religiosas eventualmente relacionadas ao congelamento de embriões.
Se, neste momento, você está se perguntando sobre a saúde da gestante depois de um câncer de mama, tenho uma **boa notícia** para dar: estudos têm demonstrado **a segurança da gravidez após a doença**, principalmente quando ela acontece **depois de dois anos do diagnóstico**. Então, podemos repetir que, sem dúvida, a esperança é cor de rosa!
Por fim, vale a pena lembrar que, além das pessoas com câncer, **outras situações podem ser contempladas pelas intervenções de preservação de fertilidade**: doenças benignas tratadas por quimioterapia (as autoimunes, normalmente), endometriose (principalmente quando há indicação cirúrgica), processo transexualizador e intenção de adiamento da maternidade (que chamamos de motivo social).

_**Bruno Ramalho de Carvalho** é Ginecologista obstetra e especialista em Reprodução Humana da Maternidade Brasília / Dasa._