O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca, neste domingo (20), para Santiago, no Chile, para participar de uma cúpula de líderes em defesa da democracia. A viagem internacional do chefe do Executivo brasileiro ocorre em meio à escalada da tensão diplomática entre o País e os Estados Unidos.
Lula embarca às 16h, na Base Aérea das FAB, em Brasília, com previsão de chegada às 19h20 (horário de Brasília), no Aeroporto Internacional Arturo Merino Benítez, na capital chilena. De noite, o presidente participará de um jantar oferecido aos chefes de Estado do Brasil e do Uruguai pelo presidente do Chile, Gabriel Boric.
Na véspera da viagem ao Chile, Lula esteve reunido com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio da Alvorada em encontro fora da agenda presidencial. Oficialmente, o governo federal afirma que o encontro ocorreu para alinhar a participação do mandatário no evento organizado por Boric. A cúpula de líderes ocorre nesta segunda-feira (21).
Novas sanções
A expectativa é de que os Estados Unidos apliquem, nesta semana, novas sanções a autoridades brasileiras, com base na Lei Magnitsky, que permite punições contra indivíduos acusados de corrupção ou violação de direitos humanos. Além do cancelamento de vistos, medidas como o congelamento de ativos em solo americano e restrições financeiras também estão na pauta do governo norte-americano.
Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes e outros sete integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) tiveram os vistos norte-americanos negados pelo governo de Donald Trump.
Também foram afetados pelas sanções os ministros: Luís Roberto Barroso, presidente do STF; Edson Fachin, vice-presidente do STF; Dias Toffoli, ministro do STF; Cristiano Zanin, ministro do STF; Flávio Dino, ministro do STF; Cármen Lúcia, ministra do STF; Gilmar Mendes, ministro do STF; e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
A medida foi uma retaliação à recente operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado político do republicano. A ação policial foi autorizada por Moraes, que também determinou ao ex-titular do Palácio do Planalto o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares, como toque de recolher, proibição do uso de redes sociais e de comunicação com Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA.
Lula chegou a se manifestar contra a revogação dos vistos dos ministros da Corte, classificando a medida como “arbitrária e sem fundamento”. Na ocasião, o petista afirmou que a interferência de um país no sistema de Justiça de outro fere a soberania nacional.
Diante do acirramento da crise diplomática, o Brasil também vê afundar a possibilidade de uma negociação com os EUA para reduzir a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada por Trump e que entrará em vigor em 1º de agosto.