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Livro sobre bastidores da Tropicália revela o homem que tudo criou

Com prefácio de Gilberto Gil, o produtor Manoel Barenbein conta sua atuação com o grupo no livro 'O Produtor da Tropicália - Manoel Barenbein e os Álbuns de um Movimento Revolucionário'

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Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Mutantes, Nara Leão e Rogério Duprat. Os *principais nomes da Tropicália** estão bem consolidados na história e na memória de quem conhece esse que é um dos mais **transformadores** capítulos da **música popular brasileira.**

![Alguns participantes do movimento Tropicália Foto: Reprodução](https://gpslifetime.blob.core.windows.net/medias/landing-page/foto_mostra_os_jovens_jorge_benjor_caetano_veloso_gilberto_gil_rita_lee_gal_costa_e_os_irmaos_arnaldo_e_sergio_baptista_sentados_2_79374_f03ad08cfb.webp)

Entretanto, parafraseando uma das canções símbolo do “_grupo_”, havia alguém ali que organizava o movimento, orientava o carnaval, ao menos no estúdio.

Esse cara é Manoel Barenbein, que agora conta grande parte de sua atuação na música no livro _O Produtor da Tropicália – Manoel Barenbein e os Álbuns de um Movimento Revolucionário_ (Garota FM Books), do jornalista e produtor musical Renato Vieira, com prefácio escrito por Gilberto Gil.

![Capa do livro sobre a vida de Manoel Barenbein com ilustrações coloridas de vários cantores da Tropicália](https://gpslifetime.blob.core.windows.net/medias/landing-page/capa_do_livro_sobre_a_vida_de_manoel_barenbein_com_ilustracoes_coloridas_do_rosto_de_varios_cantores_da_tropicalia_5_25756_6bba8400c2.webp)

A publicação é derivada dos novos episódios do podcast _O Produtor da Tropicália_, de 2021. Com capítulos dedicados a cada artista e, consequentemente, para os discos que Barenbein produziu de cada um, o livro avança pela história das **composições**, do trabalho dentro dos estúdios e mostra como o profissional era querido e respeitado por intérpretes, músicos e compositores.

Entrevistado por Vieira, o produtor relata, por exemplo, os bastidores do álbum Tropicália ou Panis Et Circenses e revela como foi feita a “_cena_” final da canção _Panis Et Circenses_ – aquela em que vozes simulam estar na mesa da sala de jantar, com direito a sonoplastia de copos e talheres.

_”Nunca haviam feito uma cena parecida com uma radionovela dentro de uma música. Foi algo totalmente novo. O técnico de gravação usou um gerador de frequência para fazer a passagem do instrumental para a ‘sala de jantar”_, diz Barenbein, em entrevista, atualmente com 80 anos, sobre a canção como a mais importante que produziu.

**Perenidade**

O produtor vai além e destaca a perenidade não apenas da canção, mas também do álbum fundamental da Tropicália. _”Não é uma estátua, ali esculpida, exposta diariamente. É música! E se fala dele depois de mais de 50 anos…”_, ressalta.

Saudado certa vez por Caetano com a frase _”ele é a tropicália”_, Barenbein diz que Gil e Caetano é que são o centro da história. _”Além do trabalho, criamos uma amizade. Nós entendemos, algo muito difícil de acontecer entre as pessoas. E, com isso, pudemos produzir algo incrível juntos”_.

**Para além do tropicalismo**

Para além do movimento, o livro tem capítulos dedicados a Chico Buarque, Claudette Soares, Erasmo Carlos, Jair Rodrigues, Jorge Ben Jor, Maria Bethânia, Ronnie Von e ao álbum até hoje inédito que uniu João Gilberto, Caetano e Gal.

Para Vieira, é fundamental que se jogue luz na trajetória de Barenbein dentro da música brasileira – o pesquisador estima que, durante a fase em que esteve na gravadora Philips, entre 1967 e 1971, o produtor chegou a comandar as gravações de 40 discos.

_”Barenbein não é uma pessoa vaidosa, sempre foi discreto em relação à fama. Penso que o livro mostra que ele também foi um protagonista. Ele era o olho da gravadora, mas com grande compreensão do que os artistas desejavam”_, diz, sobre o “biografado” que trabalhou com músicas por mais de 50 anos e há cinco está morando em Israel.

Vieira conta que as lembranças estão muito **vivas na memória** de Barenbein – o produtor participa semanalmente de um programa dedicado à música brasileira em uma rádio israelense – e destaca, além dos discos tropicalistas, os discos que ele fez com Chico Buarque, a quem ele convenceu a entrar no estúdio para cantar.

_”São artistas que pautaram a cultura brasileira dali por diante. Barenbein, e os discos que ele produziu, têm lugar garantido em qualquer antologia da música brasileira_”, finaliza Renato Vieira .