Brasília se prepara para ser palco de um dos maiores encontros de arquitetura e urbanismo do ano. A Conferência Internacional CAU 2025, que ocorre de 4 a 6 de setembro, no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21. Com o tema central, Arquitetura e Urbanismo para Todos, o evento promete reunir especialistas nacionais e internacionais em torno da inovação e da sustentabilidade.
Entre os participantes confirmados estão Gustavo Penna e sua filha, Laura Penna, sócios da GPAA, escritório reconhecido por projetos de forte impacto cultural e social. Em entrevista exclusiva ao GPS|Brasília, a dupla falou sobre legado, mercado e expectativas para o evento.
A GPAA se tornou recentemente o primeiro escritório tradicional brasileiro certificado pelo Sistema B, que avalia empresas comprometidas com impacto social e ambiental. Para Gustavo, a conquista é a consolidação de um percurso. “Essa certificação confirma um percurso que sempre trilhamos: entender a arquitetura como ferramenta de invenção e de diálogo. É também o reconhecimento de uma prática comprometida com o uso responsável dos recursos e com a criação de lugares que geram valor coletivo”, afirmou.
Já Laura Penna destacou o peso estratégico da conquista. “O selo reforça nosso compromisso público com uma arquitetura que gera impacto positivo. Nos conecta a clientes e parceiros que compartilham valores e nos desafia a aprimorar continuamente a forma de projetar e gerir”, comenta.
Questionado sobre sua trajetória, iniciada nos anos 1970, Gustavo resgatou a origem de sua visão. “Comecei em uma época em que o Brasil se urbanizava rapidamente e já se percebia o impacto das cidades sobre a vida das pessoas. Desde cedo, compreendi a arquitetura como gesto e como pergunta. Ela tem o poder de abrir diálogos com a cultura, com a cidade, com as pessoas”, disse o arquiteto.
Essa visão acompanha a identidade do escritório em projetos emblemáticos, como o Memorial Brumadinho e o SESI Lab. “O que os aproxima é a arquitetura como gesto de interpretação: compreender a função de cada lugar e transformá-lo em espaço de regeneração e de futuro”, explicou.
Laura destacou como o diálogo cultural e a escuta ampliada têm transformado o fazer arquitetônico em experiências recentes, como a Aldeia Katurãma. “O maior aprendizado foi perceber que a arquitetura faz mais sentido quando construída coletivamente, incorporando diferentes vozes e saberes ao processo”, contou. Para ela, a sustentabilidade deve ser entendida de forma sistêmica. “Mais do que mitigar impactos, o objetivo é regenerar, devolver ao lugar uma energia maior do que a que foi retirada.”
O peso da construção civil nas emissões globais de CO₂ também foi tema da conversa. Para Gustavo, a arquitetura tem papel protagonista na transição climática. “O desafio é criar espaços que, ao mesmo tempo, acolham, economizem recursos e devolvam vitalidade ao território.” Laura complementa com um olhar sobre a realidade brasileira. “Precisamos romper a ideia de que sustentabilidade é custo. É investimento em qualidade, eficiência e futuro. Esse é um dos grandes desafios culturais e de mercado”, diz a arquiteta.
Trabalhar em família, conciliando gerações, é outro aspecto que marca a GPAA. “É um aprendizado diário. Nossa convivência é dialética, feita de trocas criativas. Tenho a experiência acumulada e uma ligação profunda com as artes”. Laura acrescenta a capacidade de articular diferentes demandas e visões.
“Esse encontro mantém a GPAA em movimento constante”, destacou Gustavo. “É uma troca intensa. A trajetória e o repertório dele nos dá consistência e inspiração; eu trago a criação de conexões, costurando diferentes demandas e olhares. Isso mantém o escritório forte e vivo, aberto ao novo”, completou.
Ambos também comentaram sobre o alcance internacional da arquitetura brasileira. “O que mais impressiona é o interesse genuíno pela nossa capacidade de integrar cultura, território e natureza”, disse Gustavo. Laura vê os prêmios recebidos no exterior como estímulo e responsabilidade. “Cada prêmio amplia o alcance do nosso trabalho e aumenta o compromisso de continuar se reinventando”.
Sobre a Conferência Internacional CAU 2025, Gustavo destacou a iniciativa do evento como algo relevante para o setor. “É um encontro fundamental. Uma oportunidade de compartilhar o que acreditamos e o que temos construído. A conferência reforça que inovação e sustentabilidade não são tendências, mas caminhos permanentes da arquitetura”, disse o arquiteto.
Laura enxerga o evento como espaço de compromisso. “Minha expectativa é que o evento seja um espaço de troca e também de compromissos concretos”, pontua.
A dupla ainda deixou recados importantes para os jovens profissionais que estarão no evento. “Cultivem coragem e sensibilidade. A coragem de propor novos caminhos e a sensibilidade de escutar o lugar e as pessoas”, aconselhou Gustavo. Já Laura ressaltou o papel transformador da nova geração. “A próxima geração já nasce com outra consciência. O desafio é transformar esse desejo em prática, influenciando políticas públicas e grandes projetos urbanos”.
Por fim, os dois falaram sobre legado. Para Gustavo, o sonho é que a GPAA seja lembrada como “uma praça aberta, um lugar de encontro entre gerações, culturas e tempos. Que represente sempre uma arquitetura feita com generosidade”. Laura compartilha da mesma visão e deseja ampliá-la. “Quero seguir aprendendo, inovando e acreditando na arquitetura como força de transformação cultural, social e ambiental”.