A escalada nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China provocou um novo terremoto nos mercados globais nesta sexta-feira (4). O dólar comercial disparou e chegou a ser cotado a R$ 5,84, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, despencou mais de 3% em meio ao temor de uma recessão global.
A sexta-feira (4) começou turbulenta nos mercados internacionais e brasileiros, após a China anunciar retaliações contra o pacote tarifário imposto pelos Estados Unidos. Em resposta aos 34% de taxas adicionais sobre produtos chineses, o governo de Pequim prometeu aplicar tarifas equivalentes sobre produtos americanos e limitar exportações de minerais estratégicos, como as terras raras — insumos cruciais para a indústria de tecnologia.
Diante do cenário de incertezas, investidores buscaram ativos considerados mais seguros. A moeda norte-americana, tradicional refúgio em tempos de crise, avançou 3,67% e foi cotada a R$ 5,8350 por volta das 15h50, após atingir a máxima do dia em R$ 5,8422.
O movimento reverte a tendência do dia anterior, quando o dólar havia fechado em queda de 1,23%, cotado a R$ 5,62, no menor patamar do ano. Ainda assim, a divisa acumula perda de 8,92% em 2025, demonstrando o nível de instabilidade nos mercados.
A bolsa de valores brasileira acompanhou o pessimismo global e operou em forte baixa nesta tarde, pressionada pela aversão ao risco que tomou conta dos investidores. O Ibovespa recuou mais de 3%, acompanhando bolsas da Ásia, Europa e Estados Unidos.
Com a possibilidade de uma guerra comercial em larga escala, os mercados veem risco de retração econômica em várias partes do mundo. O aumento das tarifas deve encarecer produtos e insumos nos EUA, pressionar a inflação e, ao mesmo tempo, reduzir o consumo — um combo perigoso que pode colocar a economia americana em rota de recessão.