Entre janeiro e abril de 2025, o Distrito Federal realizou 655 transplantes de órgãos e tecidos, um aumento de 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A maior parte dos procedimentos (599) foi feita em caráter de urgência. O DF realiza transplantes de coração, rim, fígado, pele, córnea e medula óssea, tanto na rede pública quanto privada, com exceção do transplante de pele, que só é feito no Hospital Regional da Asa Norte. O Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF), contratado pela Secretaria de Saúde, concentra a maior parte dos transplantes no DF.
O ICTDF já realizou mais de 2.800 transplantes desde 2009, incluindo procedimentos de alta complexidade como transplantes cardíacos em adultos e crianças pelo SUS. Em 2024, foram realizados 261 transplantes e, até junho de 2025, já foram contabilizados 133. Segundo o superintendente Marcos Antônio Costa, o DF é referência nacional pela qualidade das equipes e da estrutura do instituto. A logística dos transplantes é coordenada pela Central Estadual de Transplantes (CET) e envolve diversos fatores, como compatibilidade entre doador e receptor, preparo da equipe médica e rapidez no transporte dos órgãos.
Um dos principais desafios enfrentados pela rede é garantir que os órgãos cheguem a tempo aos pacientes. Isso depende do tempo de isquemia de cada órgão, que varia de quatro a 48 horas, e do apoio de instituições como a Força Aérea, Detran e Corpo de Bombeiros. No entanto, nenhum procedimento é possível sem a existência de doadores. Por isso, autoridades da saúde reforçam a importância de que os cidadãos comuniquem às suas famílias o desejo de doar, já que, no Brasil, a autorização é dada pelos familiares.
O Distrito Federal também se destaca por sua capacidade de buscar doações em outros estados, contribuindo para o volume de transplantes realizados. O Brasil, como um todo, tem o maior sistema público de transplantes do mundo, com uma fila nacional gerida pelo Ministério da Saúde, que leva em conta critérios técnicos e de compatibilidade. A expansão e eficiência desse sistema dependem diretamente do aumento da conscientização sobre a doação de órgãos, fundamental para reduzir o tempo de espera dos pacientes e salvar vidas.