Desde que o Banco de Brasília (BRB) anunciou a intenção de adquirir boa parte das ações do Banco Master, setores políticos de oposição ao governador Ibaneis Rocha (MDB) se mobilizaram para tentar barrar a negociação.
Pedidos de explicação oficiais e críticas ferrenhas nas redes sociais passaram a ser recorrentes, com o objetivo de tentar transformar a tentativa de expansão do grupo de clientes e investidores em uma operação “descabida e insustentável”.
Não é de agora essa postura: foi assim quando o banco estampou o nome nos uniformes do Flamengo, time com a maior torcida do País, e, da mesma forma, quando ajudou a restaurar cartões-postais abandonados de Brasília e, especialmente, ao anunciar que também estaria entre os gigantes mundiais durante as badaladas e disputadas corridas da Fórmula 1.
Não surpreende que, mais uma vez, boa parte das críticas parta de figuras ligadas a governos que, quando estiveram no comando do Palácio do Buriti, assistiram passivamente à degradação do mesmo banco, que protagonizou inúmeros escândalos nas páginas policiais de todos os jornais.
A memória curta dos opositores contrasta com a realidade atual do mercado: enquanto investem para desacreditar no crescimento do BRB, as ações da instituição dispararam na Bolsa após o anúncio da possível compra do Master, o que demonstra e reforça a confiança dos investidores na operação comercial de grande porte.
Só para exemplificar, curiosamente, os que hoje esbravejam contra a expansão nacional do Banco de Brasília não demonstraram o mesmo zelo quando a instituição figurava nas manchetes policiais, inclusive com ex-dirigentes presos pela Polícia Federal (PF)
Durante o governo de Rodrigo Rollemberg (PSB), por exemplo, a gestão do banco foi manchada por escândalos como a Operação Circus Maximus, que revelou um suposto esquema de corrupção envolvendo diretores da entidade. Acusações de propina, lavagem de dinheiro e investimentos fraudulentos fizeram do BRB um caso de polícia, não de sucesso empresarial.
Mas a realidade mudou. De um tempo para cá, o BRB tem passado por uma transformação significativa. A administração adotou uma visão empresarial, profissionalizou sua equipe e traçou uma estratégia de crescimento sustentável. A instituição não apenas sobreviveu à tendência de desaparecimento dos bancos estaduais – que foram engolidos por gigantes do mercado –, como se tornou um dos poucos exemplos de bancos públicos capazes de serem competitivos nacionalmente.
O sucesso do BRB não é um acaso. A gestão atual, desde 2019, reestruturou a operação do banco, ampliou a carteira de clientes e investiu em tecnologia e inovação. A aquisição do Banco Master tende a ser mais um passo estratégico que fortalece a posição da instituição no mercado financeiro, conforme a reação dos investidores nacionais.
Se o movimento fosse visto como um risco, vale sublinhar, os mesmos investidores reagiriam negativamente e o resultado na Bolsa seria justamente o oposto do atual. Mas o mercado falou: as ações do BRB chegaram a valorizar 100% após o anúncio da possibilidade de transação.
Movimento especulativo? Ao que tudo indica, nada disso. Depois da alta vertiginosa de segunda-feira (31), as ações fecharam na B3, nesta terça-feira (1°), praticamente no mesmo patamar, cotadas a R$ 12,70, mesmo em véspera do tarifaço prometido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A movimentação de mercado desta terça vai ao encontro do Fato Relevante publicado às 17h26 , no qual as áreas de Finanças e Controladoria e de Relações com Investidores enfatizam que “a compra de 58% das ações de emissão do Banco Master pelo BRB pode trazer vantagens estratégicas, como a expansão nacional, acesso a novos segmentos, crescimento da base de clientes e maior competitividade no mercado”, bem como “permite ao BRB diversificar seu portfólio, fortalecer sua atuação no crédito privado e reduzir custos operacionais por meio de sinergias”, valorizando as ações do BRB, “consolidando sua posição entre os maiores bancos do país, ampliando sua presença no Sistema Financeiro Nacional”.
No entanto, ignorando estes fatores e anúncios ao atendo mercado de capitais, os críticos tentam criar uma narrativa de insegurança jurídica e operacional sobre a aquisição, mas ignoram e omitem que a negociação será analisada pelos órgãos reguladores, como Banco Central e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o que garantie a legalidade, lisura e a estabilidade do processo.
O que está em jogo não é a solidez da transação, mas sim o desconforto de quem prefere ver o BRB estagnado, à mercê de apadrinhados políticos, em vez de se tornar um player relevante no sistema financeiro nacional, como todos os brasilienses esperam.
Imagine só um banco, que sempre rendeu dores de cabeça aos clientes, especialmente aos servidores públicos locais, conseguir reagir a ponto de comprar outra instituição, coisa que até então apenas os gigantes do mercado tinham condições.
O BRB de hoje não é mais cabide de empregos políticos ou uma instituição recorrentemente protagonista de escândalos e com crise na própria imagem. Pelo contrário: tem se mostrado um banco público que se reinventou, o que é inesperado, e que, agora com a musculatura necessária, gera lucros e projeta o nome de Brasília não apenas nos esportes, mas especialmente no mercado financeiro do Brasil e do mundo.
Tentar impedir essa evolução não parece ser defesa do interesse público, mas sim um aparente apego à mediocridade que marcou as administrações passadas da instituição brasiliense.
A realidade mudou, e aqueles que torcem contra o crescimento do BRB precisarão se acostumar com o esperado sucesso da instituição – quer gostem, quer não.