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Caneta de adrenalina: uma ferramenta vital para pacientes com risco de anafilaxia

Apesar da importância, o medicamento ainda não possui registro em forma auto injetável no Brasil
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Caneta de adrenalina | Reprodução

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No mundo das emergências médicas, a rapidez é muitas vezes a diferença entre a vida e a morte. Para os pacientes com risco de anafilaxia, quadros de reações alérgicas graves, essa máxima é especialmente crucial. Uma via para combater as crises é o uso da caneta de adrenalina, um dispositivo portátil que permite aos pacientes ter em mãos uma medicação auto administrável com dose adequada.

A Dra. Franciane de Paula, imunologista e alergista no Hospital Santa Lúcia, ressalta a importância da caneta de adrenalina e da aplicação correta do medicamento. “A rapidez na administração da adrenalina é fundamental para o sucesso do tratamento”, explica a especialista.

Produzido pelo próprio corpo humano, a adrenalina é um hormônio que desempenha um papel vital no combate aos efeitos de uma reação anafilática. No entanto, em momentos de crise severa é necessária a aplicação artificial da substância. “O início de ação da adrenalina acontece aproximadamente um minuto após a aplicação”, esclarece a médica.

A adrenalina atua aliviando os sintomas de constrição dos vasos sanguíneos, ajudando a abrir as vias aéreas e diminuindo a liberação de substâncias que causam a reação alérgica, minimizando complicações graves.

Além disso, a administração precoce da adrenalina é essencial para controlar a evolução da resposta alérgica e prevenir um estado de choque anafilático. “A falta de acesso à caneta de adrenalina auto injetável e o custo elevado são os principais desafios enfrentados pelos pacientes que necessitam da medicação”, destaca a alergista.

Quanto aos sintomas que indicam a utilização da caneta de adrenalina, a Dra. Franciane enfatiza que eles podem variar amplamente. “Não existe um sintoma único que indique a utilização do equipamento, eles podem se apresentar de diferentes maneiras, como palpitações cardíacas aceleradas até inchaço dos lábios, garganta ou rosto”, explica.

Uma alternativa para os pacientes que enfrentam dificuldades de acesso à caneta de adrenalina é a injeção de adrenalina pré-dosada. No entanto, alguns cuidados devem ser considerados. “Se não armazenada corretamente, sua eficácia pode ser comprometida, e a contaminação da seringa ou do medicamento também é um risco. Principalmente se não forem tomadas as devidas precauções durante a manipulação ou administração”, complementa a profissional.

No contexto brasileiro, a regulamentação e disponibilização da caneta de adrenalina ainda enfrentam obstáculos. “Ainda não temos o registro desse medicamento em sua forma auto injetável”, lamenta a Dra. Franciane.

“Políticas públicas incentivando os laboratórios produtores a comercializarem essa droga no Brasil são importantes medidas para diminuição de custos e maior acesso à população”, conclui a médica.

Já o Dr. Stênio Ponte, médico otorrinolaringologista e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia (ABOC), traz à tona a complexidade das alergias alimentares e suas potenciais ramificações. Ele ressalta a necessidade de conscientização dos pacientes sobre a possibilidade de alérgenos estarem presentes em alimentos aparentemente inofensivos. 

“Muitas vezes, os pacientes alérgicos estão cientes das substâncias que devem evitar, porém, inadvertidamente, podem entrar em contato com o alérgeno de maneiras não esperadas. Por exemplo, mesmo evitando diretamente o camarão, a pessoa pode consumir peixe frito no mesmo óleo, levando à exposição à proteína alergênica”, explica o especialista.

Ele destaca que, embora muitas alergias possam ser controladas com medicamentos antialérgicos ou pela suspensão do agente causador, há casos em que o contato com o alérgeno pode desencadear reações graves. “A anafilaxia é um processo sistêmico e potencialmente fatal que pode se desenvolver após múltiplos contatos com o alérgeno. Nesses casos, a adrenalina emerge como uma droga crucial para reverter o quadro de choque anafilático, fornecendo ao paciente uma chance vital de sobrevivência até chegar ao hospital”, enfatiza.

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