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Bolsonaristas foram monitorados nas redes para evitar novo 8/1

Técnicos do Ministério da Justiça acompanharam a evolução das conversas desde dezembro de 2023
Câmara inaugura exposição de um ano dos ataques de 8/1
Invasores ocupam a parte superior do Congresso Nacional em 8 de janeiro | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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Por Rayssa Motta

O Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça monitorou de perto as movimentações de bolsonaristas nas redes sociais nas semanas que antecederam o “aniversário” de um ano dos atos golpistas na Praça dos Três Poderes.

Técnicos do departamento acompanharam a evolução das conversas desde dezembro de 2023. O objetivo era se antecipar caso novas manifestações violentas fossem convocadas.

Uma das frentes de trabalho consistiu em monitorar os termos recorrentes que pudessem ter relação com as articulações. A pesquisa é útil para traçar o que investigadores e especialistas chamam de “análise de sentimento” – a percepção dos usuários sobre um assunto.

Foram localizadas hashtags como Fora Lula e sua quadrilha, 8 de janeiro Dia do Patriota, Desistir não é opção, Paralisação já e Presos políticos. O engajamento, no entanto, foi modesto e não despertou preocupação.

Outra estratégia identificada pelos analistas foi a recuperação de publicações antigas, anteriores aos protestos do dia 8 de janeiro de 2023, como se fossem novas e, com isso, tentar incitar a volta de manifestantes a Brasília.

Um áudio antigo oferecendo ônibus de graça para manifestantes que quisessem viajar à capital federal voltou a circular em um dos grupos bolsonaristas no WhastApp.

“O que eles precisam é de gente, gente para encher esses ônibus. Eles têm três ônibus de 55 pessoas, porque em Brasília vão fazer um movimento terça-feira para botar cinco milhões de pessoas. Então se tu souber de alguém que ou tiver alguém que possa ir, custo zero, tá? Custo zero, só entrar com o corpo, vamos dizer assim”, diz o áudio tirado de contexto.

As articulações de caminhoneiros para protestos em diferentes Estados também foram objeto de atenção. Publicações defendendo uma “greve geral” da categoria foram mapeadas, mas a chance concreta de paralisação foi descartada. Para os analistas, seriam apenas postagens em “busca de likes” nas redes.

Um dos relatórios produzidos pelo Laboratório de Operações Cibernéticas alertou para a necessidade de “constante monitoramento das redes sociais e levantamento de informações” e do reforço na segurança dos prédios públicos para evitar novas cenas de depredação.

“Estamos diante de informações que indicam possíveis comemorações aos crimes praticados em atentado do estado democrático de direito”, diz o documento. “Estes informes surgiram no mesmo contexto em que o presidente Lula convocou um ato pela democracia, em cerimônia na mesma data às 15h no plenário do Senado. De sorte que qualquer risco deve ser afastado”.

O evento convocado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que reuniu os chefes dos Poderes em Brasília um ano após os ataques, ocorreu sob segurança reforçada e sem intercorrências.

Todo o monitoramento do laboratório teve como base publicações em fontes abertas, ou seja, sem quebra de sigilo ou interceptações. Uma das preocupações era não desacreditar de antemão o poder das articulações nas redes sociais, considerado um ponto cego no 8 de janeiro de 2023.