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‘Baby Rena’: os rumos que a trama tomam

'Baby Rena' alcançou quase 400% de aumento em sua audiência, após a primeira semana de exibição
Foto: Divulgação

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Você, provavelmente, já ouviu falar dessa série, que está causando grande burburinho entre os espectadores da Netflix. ‘Baby Rena’ é baseada em uma história real.

Richard Gadd, um comediante, garçom e aspirante a roteirista, retrata a si mesmo nos capítulos desta série. Ele cria e incorpora o personagem Danny Dunn, para narrar sua própria história, em formato de ficção dramática.

Tudo acontece quando ele conhece Martha (Jessica Gunning), uma mulher mais velha, aparentemente frágil, e a trata com distinção e carinho.

No decorrer dos capítulos, a trama vai tomando outros rumos, adquirindo tons mais sombrios e pesados, e Martha revela sua outra face – a de uma “stalker” assustadora.

Danny Dunn recebe nada menos que 41.071 e-mails enviados por Martha, e é bombardeado com mais de 350 horas de mensagens de voz, 744 tweets e 106 páginas de cartas.

Confuso com a situação inesperada, Dunn vê-se acuado, inseguro, atônito, e passa a sentir remorsos, envolvido pelos sentimentos exacerbados da mulher frágil, que até há pouco desconhecia.

https://www.youtube.com/watch?v=RXxkJiLqCLE

As emoções díspares, que agora o corróem por dentro, são comparáveis, só mesmo, às sentidas por alguém vítima da “síndrome de Estocolmo”.

O roteirista Richard Gadd escolheu uma forma de apresentar seu drama pessoal que me remeteu à mesma abordagem utilizada em “I May Destroy You”, série em que Micaela Coel ficcionaliza e protagoniza o estupro que sofreu na vida real. (Recomendo muito!).

É um formato infalível, que sempre impacta, principalmente pelo fato de o espectador ter consciência de que as histórias realmente aconteceram.

A série supera, em muito, tudo o que já se viu anteriormente sobre o tema “stalkers”, na TV. Gadd trata o assunto com cuidado, e exibe responsabilidade e ética. Acredita que casos de assédio e perseguição, no íntimo, revelam comportamentos de graves distúrbios mentais. Sua narrativa tenta preservar ao máximo, a identidade real das pessoas envolvidas na história.

‘Baby Rena’ alcançou quase 400% de aumento em sua audiência, após a primeira semana de exibição.

 

*Lula Mattos é arquiteta, mas sua paixão sempre foi o cinema. Possui formação em Crítica de Cinema e também fez cursos na área com Alberto Renault e Humberto Silva. É admiradora do chamado “cinema de autor”, mas faz sugestões e produz conteúdo que abrange todos os gêneros, sempre inserindo um olhar pessoal em suas críticas e resenhas