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Antonio Geraldo: Dia Mundial da Conscientização do Autismo

O diagnóstico deve ser feito nos primeiros anos, geralmente aos 3, quando os pais percebem atrasos no desenvolvimento

Hoje (2) de abril, é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, uma data de grande importância. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do desenvolvimento caracterizado por prejuízos na linguagem verbal e não verbal, anomalias sensoriais, interesses restritos, rigidez em rotinas e hábitos, comportamentos repetitivos e déficits sociais. 

O diagnóstico é feito ainda nos primeiros anos de vida. Em muitos casos, os pais começam a notar atrasos no desenvolvimento de seus filhos, mas o diagnóstico costuma ocorrer por volta dos 3 anos de idade e pode estar associado a condições genéticas. 

A avaliação clínica para diagnosticar o TEA pode incluir entrevistas com o paciente e familiares, observação do comportamento e habilidades sociais, emocionais e cognitivas. Dependendo do caso, uma avaliação neuropsicológica específica pode ser indicada para confirmar os sintomas típicos do transtorno.

Infelizmente, nem sempre o diagnóstico acontece precocemente, o que pode ser um reflexo da falta de acesso à informação e outros fatores. O diagnóstico tardio é um desafio, pois quanto mais cedo a pessoa com autismo receber o tratamento adequado, melhores são as chances de ela desenvolver habilidades e ter uma melhor qualidade de vida.

O tratamento do autismo é individualizado, levando em consideração as necessidades de cada paciente. O acompanhamento psiquiátrico é fundamental e pode envolver diferentes abordagens terapêuticas, como a terapia cognitivo-comportamental, além da terapia ocupacional e sessões com fonoaudióloga, entre outras. 

O tratamento adequado ajuda a pessoa a melhorar suas habilidades sociais, comunicação e a lidar com a sensibilidade sensorial, um dos aspectos mais desafiadores para muitas pessoas com autismo. Além disso, novas abordagens terapêuticas e medicamentosas têm surgido com o avanço da neurociência, permitindo um tratamento mais eficiente.

Embora o diagnóstico e o tratamento sejam fundamentais, o TEA também tem impacto na família e no ambiente em que a pessoa vive. Os familiares enfrentam desafios diários para adaptar sua rotina. A comunicação pode ser um grande obstáculo, assim como a sensibilidade sensorial, que pode gerar desconforto em diversas situações. Além disso, o estigma e o preconceito ainda são grandes desafios no ambiente escolar e no mercado de trabalho, o que torna a inclusão social ainda mais difícil para muitas pessoas com TEA.

A empatia e a sensibilidade no momento do diagnóstico são essenciais. Como psiquiatra, acredito que é fundamental orientar os pais sobre a doença, utilizando uma linguagem simples e acessível. O aconselhamento familiar é muito importante no tratamento, pois ajuda os pais a entenderem melhor o diagnóstico e a buscar as melhores opções terapêuticas para cada caso. A abordagem deve ser feita com cuidado e respeito, para que a família se sinta apoiada.

Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, ainda há muito a ser feito em termos de inclusão social e conscientização sobre o autismo. A sociedade precisa compreender melhor o que é o transtorno e como lidar com ele de forma empática e respeitosa. As pessoas com autismo merecem ter acesso a oportunidades educacionais, de emprego e de lazer que as incluam de forma verdadeira. É importante que as políticas públicas levem em consideração as necessidades desse grupo e que a sociedade como um todo esteja mais disposta a entender e a apoiar essas pessoas.

Nos últimos anos, vimos um aumento significativo na conscientização sobre o autismo e na luta das pessoas com TEA pelos seus direitos. Mais pessoas autistas têm se unido para reivindicar uma sociedade mais inclusiva e adaptada às suas necessidades. A criação de centros especializados e programas de intervenção precoce tem sido um passo importante para melhorar a qualidade de vida das pessoas com autismo e suas famílias. O trabalho para acabar com o estigma e promover a inclusão social continua, mas é preciso que todos nós, como sociedade, contribuamos para esse processo.

Na CID-10, o autismo faz parte da categoria F84 dos Transtornos Globais do Desenvolvimento, portanto está dentro dos transtornos mentais. Se está no Código Internacional de Doenças – CID 10, então trata-se de uma doença e sendo uma doença do desenvolvimento, diagnosticar precocemente pode mudar o seu curso, pois sem tratamento vai ter uma exacerbação dos sintomas e feito de forma mais precoce, teremos uma atenuação dos mesmos.

Urge que o Ministério da Saúde e as secretarias  estaduais, municipais e do GDF trate de forma séria e responsável esta temática e cuide melhor de todos, desde antes dos 03 anos até ao autista idoso.

*Antônio Geraldo da Silva é médico formado pela Faculdade de Medicina na Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. É psiquiatra pelo convênio HSVP/SES – HUB/UnB. É doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto – Portugal e possui Pós-Doutorado em Medicina Molecular pela Faculdade de Medicina da UFMG.

Entre 2018 e 2020, foi Presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina – APAL. Atualmente é Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Diretor Clínico do IPAGE – Instituto de Psiquiatria Antônio Geraldo e Presidente do IGV – Instituto Gestão e Vida. Associate Editor for Public Affairs do Brazilian Journal of Psychiatry – BJP. Editor sênior da revista Debates em Psiquiatria. Review Editor da Frontiers. Acadêmico da Academia de Medicina de Brasília. Acadêmico Correspondente da Academia de Medicina de Minas Gerais.

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