O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta sexta-feira (29), a cassação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que está nos Estados Unidos desde fevereiro. Em entrevista à rádio Itatiaia, Lula afirmou ter conversado com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e outros parlamentares sobre o caso, destacando que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro “não pode exercer o mandato dele” fora do País.
“Eu já falei com vários deputados de que é extremamente necessário cassar o Eduardo Bolsonaro porque ele vai passar para a história como o maior traidor deste País”, declarou Lula.
O chefe do Executivo ainda acusou o parlamentar de mentir sobre o Brasil no exterior e criticou as articulações que ele tem feito para impor sanções ao País. “É extremamente inaceitável a interferência na Suprema Corte brasileira”, afirmou.
Eduardo Bolsonaro enviou nesta semana um ofício à presidência da Câmara solicitando autorização para exercer o mandato remotamente dos Estados Unidos. Ele alegou estar conduzindo uma “diplomacia parlamentar” e citou a pandemia de Covid-19 como precedente para o trabalho a distância.
“Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda”, escreveu.
Fim da licença
A permanência do deputado nos EUA se prolonga desde o fim de sua licença parlamentar, em 20 de julho. Sem retornar ao Brasil, Eduardo começou a acumular faltas não justificadas. Em sua justificativa, ele alegou risco de perseguição política. “Ainda no curso dessa viagem, surgiram notícias de que minha atuação internacional estava incomodando a ponto de se cogitar a cassação de meu passaporte e a imposição de outras medidas restritivas”.
Eduardo e o ex-presidente Jair Bolsonaro foram indiciados pela Polícia Federal pelos crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo. O deputado tem buscado apoio de autoridades norte-americanas para impor sanções ao Brasil, especialmente em resposta ao julgamento de Bolsonaro pelo STF.