O Brasil enfrenta uma semana decisiva com a iminente entrada em vigor, em 1º de agosto, de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos exportados aos Estados Unidos, determinada pelo presidente Donald Trump. As tentativas diplomáticas lideradas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin não surtiram efeito, e o presidente Lula já admite não haver respostas dos EUA. O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, confirmou que não haverá adiamento, embora ainda se mostre aberto a negociações futuras.
A tarifa imposta aos produtos brasileiros é a mais alta entre os países atingidos pelas novas medidas protecionistas dos EUA. Enquanto outras nações como Reino Unido e União Europeia conseguiram acordos com tarifas menores, o Brasil permanece isolado, com dificuldades agravadas por fatores políticos. Trump condicionou a reversão da tarifa ao fim do julgamento de Bolsonaro no STF, o que dá um tom ideológico à disputa comercial. Analistas veem pouca chance de reversão no curto prazo e apontam impactos econômicos severos.
Os efeitos esperados sobre a economia brasileira são significativos. Com os EUA sendo o segundo maior parceiro comercial do Brasil, setores como petróleo, ferro, café, carne e máquinas devem ser duramente atingidos. Estimativas da CNI apontam para perdas de até R$ 52 bilhões nas exportações e mais de 100 mil empregos afetados no curto prazo. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) projeta prejuízos de até R$ 175 bilhões a longo prazo, com impactos negativos no PIB, emprego e arrecadação.
Consequências no mercado brasileiro
Empresas brasileiras já sentem os efeitos antecipadamente. Produtores de ferro-gusa, frutas e pescados relatam suspensão de contratos e possíveis paralisações de atividades. Setores como o da pesca no Nordeste e o de frutas no Vale do São Francisco temem não conseguir escoar a produção sem o mercado americano. O clima de incerteza compromete investimentos recentes, como no caso da SDS Siderúrgica, que contava com a retomada das operações em Minas Gerais.
Diante da crise, empresários e associações têm atuado nos bastidores buscando apoio de parceiros americanos para pressionar o governo Trump. Setores como café, suco de laranja e mineração articulam estratégias com entidades dos EUA para tentar mitigar os danos, destacando os prejuízos também para os consumidores americanos. Paralelamente, o governo brasileiro prepara um plano de contingência, incluindo apoio financeiro às empresas atingidas, que será submetido à aprovação do presidente Lula nos próximos dias.
Enquanto isso, em meio à crise institucional e econômica, Lula deve sancionar hoje o programa Acredita Exportação, que incentiva micro e pequenas empresas brasileiras a exportar, em resposta às dificuldades impostas pela nova tarifa. Para tentar conter os danos da medida, uma comitiva de senadores está em Washington tentando negociar com autoridades americanas e reabrir o diálogo comercial entre os dois países.