O Brasil registrou redução de 65% nos casos de dengue nas primeiras oito semanas de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, mas a taxa de letalidade segue alta, principalmente no Sudeste, com destaque para São Paulo. A informação foi dada pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde durante a segunda reunião da Comissão Intergestores Tripartite de 2025, realizada na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em Brasília.
De acordo com a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do ministério, Ethel Maciel, a produção nacional da vacina contra a dengue está em fase avançada no Instituto Butantan. A expectativa do governo é alcançar a produção em larga escala até 2026, com 60 milhões de doses do imunizante contra a dengue disponibilizadas para a população. Além disso, foi anunciada a criação do Observatório de Arboviroses, que reunirá dados e pesquisas para fortalecer o combate a doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue.
Outro tema central da reunião foi a pactuação das diretrizes nacionais para enfrentamento da covid-19, influenza e outros vírus respiratórios de importância pública. Marcelo Gomes, coordenador da Vigilância de Covid-19 e Influenza, destacou a importância de ações integradas para mitigar surtos e melhorar a resposta do sistema de saúde. “É um conjunto de ações e atividades para que a gente possa realizar a vigilância e os protocolos envolvendo os entes da federação”, disse. A reunião formalizou ainda a Diretriz Nacional para atuação conjunta de agentes de combate às endemias e agentes comunitários de saúde, fortalecendo o trabalho territorial.
Insulinas análogas para 70+
Outro tema que representa avanço importante e que foi pactuado nesta edição da CIT foi a inclusão de insulinas análogas de ação rápida e prolongada na assistência farmacêutica básica para pacientes com diabetes tipo 2 acima de 70 anos. Em 2024, mais de 26 milhões de diabéticos receberam atendimento nas unidades de saúde do País. O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Carlos Gadelha, ressaltou que a medida representa um grande avanço no tratamento da doença.
O impacto é enorme. Está havendo um problema global de oferta de insulina e nós incorporamos insulina de última geração. São as insulinas análogas, uma demanda de mais de 10 anos da população de diabéticos. No Brasil, 10% da população tem diabetes, então a gente coloca mais uma oferta terapêutica”, comemorou Gadelha.
Também foi aprovada a minuta de portaria que institui a obrigatoriedade de envio de dados de Regulação Assistencial no SUS, determinando prazos e um padrão de compartilhamento de informações para melhorar o controle e a transparência na prestação de serviços de saúde.
Transição ministerial
A reunião foi marcada pela transição de comando no Ministério da Saúde. O novo ministro Alexandre Padilha tomará posse oficialmente no próximo dia 10, sucedendo Nísia Trindade. Durante a abertura da reunião, o secretário executivo Swedenberger Barbosa leu uma mensagem da ex-ministra, ressaltando as conquistas da gestão e os desafios futuros para garantir o acesso à saúde no País.
A reunião reforçou o compromisso da nova gestão em fortalecer políticas públicas para o SUS. Apesar de a pasta estar em plena transição ministerial, as pactuações aprovadas já começam a serem implementadas imediatamente em todo País, garantiu Swedenberger Barbosa.