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Ele arrasa!

No dia em que completa 38 anos, produtor cultural Manu Santos fala ao GPS|Brasília sobre luta contra o câncer: "não é o fim"

"É câncer". Uma pesquisa do Datafolha revelou: mais de 76% dos brasileiros temem ouvir esse diagnóstico. Para muitos, a doença ainda é encarada como uma sentença de morte. Produtor cultural e jornalista conhecido na cidade, Manu Santos não se encaixa nesse grupo. Diagnosticado com câncer no intestino em outubro do ano passado, o pernambucano que gosta de "causar" tem fugido de dramas. "Não é o fim", repete, como um mantra. Está sereno, e pretende se manter assim. 

No multicolorido escritório onde trabalha na 712 Sul, o agitador cultural está cercado de obras de arte, que dividem espaço com uma imponente estátua de Buda e de um terço em tamanho giga. Tem fé. Na vida, no trabalho e na breve recuperação. Fala com uma naturalidade que impressiona, minutos antes de uma sessão de radioterapia. O humor, marca da personalidade, se mantém irretocável. Os sapatos continuam lustrados e o blazer impecável - sobretudo nesta quarta, 10, quando ele completa 38 anos.

Mesmo evitando falar dos imprevistos, eles invariavelmente aconteceram. O susto veio ao iniciar o tratamento, que deveria ser imediato. No SUS, a fila de pacientes à sua frente passava de 100 pessoas. Sem plano de saúde, seriam necessários mais de R$ 15 mil para despesas médicas - nesse valor, não está incluso o preço de alguns exames.

Sem temer. Manu Santos mantém tranquilidade durante tratamento 


Manu Santos gosta de ajudar, mas foge do papel de coitado. Temia (e ainda teme) soar como vítima, algo que não combina com sua personalidade festiva. Os amigos, então, agiram rápido. Criaram uma vaquinha virtual para colaborar com as despesas (saiba mais clicando neste link). 

Personalidades como as cantoras Fernanda Takai e Tiê, a filósofa Márcia Tiburi e a jornalista Mara Luquet se engajaram na campanha. São nomes com os quais ele trabalhou desde que mudou-se para Brasília, aos 13 anos. Não são os únicos. Roberta Sá, Adriana Calcanhotto, André Midani, Thiago Pethit e Johnny Hooker engrossam a lista.

"Acredito que nada é por acaso. Perguntei para o meu médico o por que. Ele me disse que essa é a doença da atualidade. Estamos comendo muitos produtos artificiais, industrializados, e que haverá um aumento nos casos se as pessoas não se cuidarem. Vi tudo de uma maneira muito prática. As pessoas estão mais desesperadas do que eu. Para me derrubar, precisa ser algo muito trash", comenta.

Acostumado com a vida noturna e com brindes regados a espumante, Manu agora vive uma fase mais reclusa. Tem se limitado a eventos esporádicos. A rotina no trabalho prossegue, sem "mimimi". "Um dos projetos que estou tocando é a assessoria da exposição que comemora os 100 anos de Athos Bulcão, que começa este mês no CCBB", anima-se.

Nesse processo, aprendeu a cuidar de si e a deixar de lado os excessos. E assim que o doutor Luiz Gustavo Guimarães (médico que o acompanha) liberar as atividades físicas,  pretende se matricular em aulas de tecido acrobático. Dará adeus ao sedentarismo.

O trabalho continua. Este mês, ele assessora exposição sobre Athos Bulcão no CCBB

História

Natural de Pernambuco, Manu Santos veio para Brasília aos 13 anos. "Por lá, o meio de trabalho era apenas o comércio. Hoje, o estado abriga os maiores festivais de música e o Circuito do Frio, com artistas renomados de todo o país. Mas, à época, isso estava apenas começando", conta.

A primeira oportunidade que o aproximou do universo cultural na capital foi dada pela amiga Daniela Lobo, com quem trabalhou durante anos na livraria Fnac. "Entrei para fazer um freelancer como garçom. Ela começou a fazer shows, como o Fnac no Parque, e eu passei a fazer camarins", relembra. 

A proatividade o fez, aos poucos, deixar a função para o qual havia sido contratado para atuar na produção de eventos. "Pedi para fazer um show de house e uns desfiles. Quando a Dani chegou, toda a estrutura já estava montada, com bebida liberada. Ela ficou emocionada e disse que eu poderia fazer eventos", relembra. À época, Manu já estudava jornalismo no IESB. Formou-se em 2005. O diploma apenas reforçou o know-how adquirido em experiências prévias. No que depender dele, a carreira está apenas começando. Avante!

No multicolorido escritório na 712 Sul 


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