GPS | MODA

À luta

COLABORADOR Theodora Zaccara    
|   09/01/2018 18:10 ( atualizada 09/01/2018 18:10)   
FOTO Reprodução Internet/Instagram   
Além do Globo de Ouro: cinco vezes em que a moda teve cunho ativista

As luzes e flashes do Golden Globes confirmaram: moda não se trata apenas de cifrões, valores e notas fiscais. Ela pode e deve ter conteúdo e cunho social. Fechar o punho e ir para às ruas, tomar as avenidas, lutar por causas que acredita. Espelhar a necessidade por um mundo melhor, entregar a revolução em cortes e costuras. Assim foi feito.

 

Vestidas em tom de protesto, o dress code para as convidadas da noite do Globo de Ouro foi além do glamour e brilho das edições anteriores, e fez história por significar mais. Unidas a comando da iconoclasta Meryl Streep, as personalidades midiáticas coloriram o evento de preto, representando a indignação e revolta diante da atual crise referente às denúncias de assédio envolvendo nomes do cinema.

 

Mas a veia militante do mundo fashion pulsa muito mais além desta única ação. Engloba questões ambientais e sociopolíticas que permeiam a sociedade. Tendo em mente o movimento, GPS|Moda selecionou outras ocorrências, coleções e personalidades do universo da moda que levam a bandeira militante à frente. Avante!

 

 

Queimando sutiãs

 

Uma camiseta não vai mudar o mundo - mas pode dar start ao processo. Idealizada por Maria Grazia Chiuri, a camiseta We should all be feminists - em tradução, deveríamos todos ser feministas - tomou a blogosfera de supetão.

 

 

 

Inspirada no trabalho militante da autora e palestrante Chimamanda Ngozi Adichie, cujo projeto homônimo alcançou publicações periódicas e palcos do TED Talks, o item virou queridinho entre personalidades abertamente engajadas na new wave do movimento feminista, como Rihanna, Natalie Portman e Jessica Chastain.

 

O legado de Franca

 

A gigante periódica Vogue, além de inspirar leitores e gerar movimento de moda, tem o poder de transformar suas editoras em ícones além do cargo, criando imagens de força, inteligência e um olho sem igual para o design e produção. Ainda assim, não é só V maiúsculo estampado na capa que atrai o sucesso. É o trabalho e a maneira singular de ver a moda que transcende o lugar comum.

 

Franca Sozzani é um desses nomes, que por 28 anos direcionou a família da Vogue italiana para uma moda além de compras e tendências. De forma inquisitiva, rebelde, ativista, pensante e pulsante, que falava e dava o que falar, a jornalista falecida em dezembro de 2016 conduziu a editoria por tempos nunca antes vistos nas história da publicação.

 

 

Os editoriais com veia crítica e processo criativo quase causaram sua demissão, visto a polêmica que causavam. Editoriais, esses, sobre a alienação das mulheres quanto à cirurgia plástica, sobre racismo, sobre violência doméstica e sobre diversos outros assuntos relevantes que as revistas de moda não costumam abordar.

 

De ponto em ponto

 

A revolução é brado retumbante - um grito alto, intenso, visceral, mas que na maioria das vezes nasce como um fraco sussurro no ouvido. Do tamanho de um ponto cruz foi como apareceu Sophie King, artista britânica que tomou a internet com bordados e crochês cheios de preceitos e significados.

 

 

Muito além de linha sobre tecido, o trabalho da jovem incorpora pensamentos contemporâneos, e chamou a atenção de publicações como Vogue Magazine, abordando temáticas como amor próprio, relacionamentos abusivos, machismo e política. De camisetas a corsets, passando por bottons e moletons, as frases da militante cruzam o mundo de ponta a ponta. 

 

Do jeito Westwood

 

Sempre inovadora, nunca integrista: mãe da moda punk e amiga do meio ambiente, Vivienne Westwood é um ícone. Em 1971, a designer entrou no cenário de criação para se aproximar do universo do rock e, desde então, tem usado a ponta da caneta e o desenho dos croquis para impactar o mundo de forma positiva.

 

 

Motivos políticos, críticas sociais e temas eróticos ganham vida em tons de preto, vermelho e cores saturadas, agregando à estética rígida do couro, correntes e rasgos. Em junho de 2017, a coleção de verão da inglesa usou naipes de baralho para conversar com o cliente sobre consumo irresponsável, e sobre o impacto negativo da industria fast fashion no meio ambiente.

 

Irreverente como só ela, agradeceu os aplausos da plateia sentada nos ombros de um dos modelos, que desafiavam os padrões heteronormativos de gênero vestindo roupas tradicionalmente femininas.

 

 

Tamanho certo

 

Nas passarelas já foi decretado: modelos abaixo das medidas 36 estão banidas de desfilar. Entretanto, a mudança que diz respeito ao padrão de magreza considerado inalcançável não aconteceu do dia para noite. Ela teve embaixadoras, cresceu aos poucos e ganhou voz, elevando a altos status modelos que antes eram consideradas “gordas demais” para o sucesso na carreira. 

 

Uma das pioneiras é Candice Huffine, primeira top plus size a estampar o icônico calendário da Pirelli, em 2015. "É uma verdadeira mudança terem contratado uma menina do meu tamanho! Mas estamos em um momento de evolução dos códigos estéticos e as pessoas querem uma feminilidade suave", comentou sobre a conquista. O time conta também com a americana Ashley Graham, cujas capas em revistas como Vogue e Sports Illustrated são apenas parte do sucesso. A bela, além de muito estimada entre designers e estilistas, dá voz ao movimento comandando palestras sobre empoderamento feminino do TED Talks.

 


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