GPS | CULTURA

Das ruas ao luxo

COLABORADOR Redação   
|   27/12/2017 15:00 ( atualizada 27/12/2017 15:00)   
FOTO Reprodução   
Arte de rua sai das periferias e invade ambientes de luxo em editoriais e decoração como nova tendência de estilo

No início deste ano, Untitled (sem título, em tradução livre), uma pintura de Jean-Michel Basquiat, se tornou a primeira obra de arte criada após 1980 a ser vendida por mais de 100 milhões de dólares. Isso diz muito mais sobre mercado, consumo e sociedade contemporânea do que se imagina.

 

Basquiat, menino negro e pobre, nascido e criado no Brooklyn, foi um artista que ganhou fama internacional por seus grafites nas ruas e trens de Manhattan, no final dos anos 1970. Sua arte, um reflexo da raiva e grito pela atenção que a sociedade não costuma dar a um menino como ele, conquistou fãs e inspira artistas até hoje. Constantemente inserida em galerias de arte, essa expressão artística está mudando a forma como o luxo se apresenta, levando uma linguagem nova para ambientes – que há pouco tempo jamais os acolheriam.

 

Untitled - Jean-Michel Basquiat

 

A Art Basel, um dos maiores eventos de arte contemporânea do mundo e que toma conta da cidade de Miami em dezembro é exemplo disso: artistas, celebridades, designers e a alta sociedade celebram e consomem arte, atrelando a ela diversão e entretenimento de forma democrática. Gênios da arte de rua criam instalações ou obras em parceria com grifes de luxo centenárias, como acontece no antigo Wynwood – um bairro que foi revitalizado pela atenção que impressionantes grafites, espalhados pelos prédios abandonados trouxeram. O lugar que era refúgio dos artistas renegados pelas galerias de Miami Beach hoje é o destino dos donos da ilha.

 

Pizza Bar, por Gabriela Gontijo 

 

Em Brasília, a moda também pegou. A última edição da CasaCor Brasília apostou em uma elegância crua, com muitos detalhes industriais e as fortes cores do grafite. A arquiteta Gabriela Gontijo, que assinou o ambiente Pizza Bar, usou em seu espaço uma grande obra da artista Siren. "Acho que a tendência é buscar coisas simples e apostar no urbano. Quebrar os paradigmas do que é chic ou elegante", explica. "Não existe nada feio, apenas mal equilibrado", pondera. A arquiteta buscou, assim como outros, criar uma ruptura do conceitualmente elegante com elementos mais simples, urbanos, ou não valorizados.

 

Quem concorda é o artista Toys. Conhecido por seus grafites nas ruas de Brasília, ele acredita que a arte urbana chama atenção e gera identidade, independente do local em que está inserida. "Grafite, com essência da rua, quebra e cria um contraste entre luxo e periferia", diz. "Este estilo vai muito além da estética. Transmite atitude, transgressão, força marginal, revolucionária", defende.

 

Toys também participou da CasaCor ao lado de Omik, seu parceiro. "Arte urbana é a da atual geração. Houveram vários estilos, como cubismo, expressionismo, pop art, etc. A arte contemporânea engloba isso tudo, incluindo o grafite", conclui. Confira outras obras assinada pelos artistas (Toys e Omik).

 


Todos os direitos reservados - 2014
Política de Privacidade
Termos e Condições
Anúncie Conosco:
SHIS QI 05, Bloco F, sala 122, Centro Comercial Gilberto Salomão
CEP 71615-560 - Brasília - DF - Brasil
Telefone: +55 (61) 3364-4512 | Email: info@gpsbrasilia.com.br
{slideshow_baner}