GPS | ENTREVISTA

Teatro e resistência

COLABORADOR Rebeca Oliveira   
|   28/11/2017 14:03 ( atualizada 28/11/2017 14:03)   
FOTO Studio Sartoryi   
Dirigida por Fernando Guimarães, peça Os Outros abre 26ª Mostra Dulcina de Teatro. Em entrevista ao GPS|Brasília, realizador cultural conta as motivações para o fazer artístico

Mesmo situado entre os diretores brasilienses mais aclamados e requisitados fora de Brasília, Fernando Guimarães faz questão de fomentar a cena local ministrando aulas de dramaturgia na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Essa foi uma das lições aprendidas na convivência com a dama do teatro que dá nome ao espaço icônico situado no Setor de Diversões Sul, com quem se formou no ofício.

Parte desses ensinamentos estarão à vista do público na 26ª Mostra Dulcina de Teatro, mostra com início nesta quarta-feira, 29. Um dos espetáculos que compõem as exibições, Os Outros é encenado por alunos do curso de teatro e alguns convidados. Com texto inspirado em duas figuras clássicas (Nelson Rodrigues e Jean-Paul Sartre), a produção indaga:  somos nós mesmos o inferno uns dos outros, ou precisamos uns dos outros para nos conhecermos? 

Professor dedicado, Fernando comprova: os palcos de Brasília não sucumbiram à questões como o fechamento de grandes espaços (caso do Teatro Nacional, ainda sem data de reabertura) ou, ainda, aos recentes imbróglios envolvendo a diretoria da Dulcina de Moraes.

Fazer teatro continua um ato de resistência. Ainda e sempre.


Entrevista | Fernando Guimarães


Depois de tantos anos envolvido com o teatro, como continuar cativando o público? 

Sempre gosto de trabalhar com o favor novidade. É por isso que, geralmente, não invisto em peças prontas, mas crio uma dramaturgia.


Com tantos espaços culturais fechados, fazer e lecionar teatro são atos de resistência? 

São sim. Fui formado no Dulcina e com a própria Dulcina. Tenho um apreço grande pela faculdade. Hoje, há poucos espaços. O Teatro Nacional está fechado… O Conic tem essa vantagem de ser um local de fácil acesso, tradicional, onde as pessoas são bem acolhidas. Em termos de espaços e estruturas, Brasília tem um dos maiores aportes do país. Mas, infelizmente, há uma quantidade de salas de leitura que estão fechadas e que não são abertas ao público.


O que fazer?

Poderíamos tornar essa capital muito mais cultural. Os espetáculos não ficam muito tempo em cartaz porque tem que haver uma variação, sair uma peça para entrar outra. As bibliotecas, por exemplo, deveriam abrir para grupos de estudo, de leitura, mas ficamos presos nesses percalços. Há uma dinâmica por trás das artes cênicas e que não se resume a peça em si.


O que mais se recorda da convivência com Dulcina de Moraes? 

O estudo. Ela tinha o hábito da leitura muito forte. Era muito disciplinada e fazia muitos ensaios. Isso ficou muito claro para mim.


Relembre
Na última edição, em junho deste ano, a peça selecionada para abrir a Mostra Dulcina de Teatro foi Aurora — entre a escuridão e a luz. O texto costurou vivências do diretor Fernando Guimarães e dos demais integrantes do elenco. Autores como Anne Rice, Gabriel García Márquez, Ítalo Calvino, Nelson Rodrigues, Rubem Fonseca, Sergi Belbel e principalmente Virginia Woolf pontuaram a narrativa.



Serviço

Os Outros, na  26ª Mostra Dulcina de Teatro - Existências sem fronteiras

No Teatro Dulcina de Moraes (CONIC, Setor de Diversões Sul)
Com Aline Machado, Cleuza Cantuária, Débora Sodré, Eduardo Görck, Eduardo Jayme, Fabrício Vital, Gabriel Colela, Leivison Silva, Malu Silva, Raquel Mendes e Sérgio Tavares
De 29 de novembri a 3 de dezembro, às 21h

Entrada franca, mediante senha distribuída uma hora antes, no local 

Não recomendado para menores de 16 anos



 


Todos os direitos reservados - 2014
Política de Privacidade
Termos e Condições
Anúncie Conosco:
SHIS QI 05, Bloco F, sala 122, Centro Comercial Gilberto Salomão
CEP 71615-560 - Brasília - DF - Brasil
Telefone: +55 (61) 3364-4512 | Email: info@gpsbrasilia.com.br
{slideshow_baner}