GPS | ENTREVISTA

Representatividade nos palcos

COLABORADOR Rebeca Oliveira    
|   13/11/2017 13:24 ( atualizada 13/11/2017 13:24)   
FOTO Elisa Mendes   
Integrante do Porta dos Fundos, Luis Lobianco fala ao GPS|Brasília sobre o drama "Gisberta", monólogo baseado em fatos reais que ele apresenta em novembro em Brasília

Política, representatividade, teatro, música, história real. O drama Gisberta, protagonizado por Luis Lobianco (famoso pelo trabalho com o Porta dos Fundos), carrega os elementos necessários a uma produção de sucesso. Não à toa, o monólogo que narra a história de uma brasileira vítima de transfobia em Portugal brutalmente assassinada em 2006 rendeu aplausos e críticas positivas ao ator. Em cartaz do dia 23 deste mês a 10 de dezembro  no CCBB Brasília, o espetáculo passeia por diferentes emoções. Lobianco vai do riso ao choro em texto preciso de Rafael Souza-Ribeiro, produção de Claudia Marques e direção de Renato Carrera. Confira, abaixo, a entrevista exclusiva do ator ao GPS|Brasília.


 

O crime contra Gisberta foi bastante lembrado no ano passado, quando completou 10 anos. Isso motivou a criação do espetáculo?  
Foi uma grande coincidência. Antes da história do crime completar dez anos, em fevereiro de 2016, eu estava há um tempo procurando um texto ou algo que pudesse fazer no teatro -  não necessariamente comédia ou algum gênero específico, mas que mexesse comigo. Queria um projeto solo, contando uma história que fosse realmente relevante. Até que ouvi Balada de Gisberta, música gravada pela Maria Bethânia. Não havia parado para prestar atenção ou escutar o que ela falava. Naquele momento, descobri a história e, exatamente naquele dia, Gisberta tinha sido assassinada. Ali mesmo comecei minha pesquisa.


 

O que mais o surpreendeu?
De início, o fato de ser uma história muito conhecida em Portugal. Virou uma tragédia tragédia icônica. Os grupos sociais conseguiram mobilizar a sociedade e transformar leis e o olhar sobre os transgênero e LGBT. No Brasil, mesmo Giberta sendo daqui, ninguém a conhecia - inclusive eu. Lamento que não tenhamos conseguido mudar nada. Pelo contrário, a gente só retrocedeu.

 



Sentiu a necessidade de provar que ia além da veia cômica?
Entendo que as pessoas me associam ao humor porque fiquei conhecido assim. Foi a grande oportunidade que tive de dar alcance ao meu trabalho há seis anos, quando o Porta começou. Porém,  fazia isso há muito tempo e vivi no teatro todas as experiências dramáticas: comédia, musical, Nelson Rodrigues, Chico Buarque. Na verdade, não sinto que tenha mudado alguma chave para fazer o espetáculo.


 

Tem essa liberdade de crítica social no Porta dos Fundos?

No Porta dos Fundos nós nunca fugimos do debate,  é uma característica nossa. Pegamos uma situação e exageramos ao máximo, como racismo ou gordofobia, para mostrar os absurdos. Sempre há essa intenção de falar sobre coisas que, no geral, são pouco faladas. O humor estava em uma situação de muita comodidade. Estava apelativo, raso. Mexemos nisso tudo. Já tivemos deputados religiosos querendo nos processar. No entanto, ninguém cresce se não correr riscos.

 

Serviço  

“Gisberta”
Centro Cultural Banco do Brasil
De 23/11 a 10/12
Ingresso a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada, clientes Banco do Brasil têm direito à meia)
Não recomendado para menores de 14 anos

Mais informações pelo site bb.com.br/cultura


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