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Vida própria

COLABORADOR Pedro Lira   
|   10/11/2017 07:00 ( atualizada 10/11/2017 07:00)   
FOTO Cortesia   
Você sabe o que é design? A produção se distancia do conceito de arte e faz a junção da criação com a funcionalidade

Arte ou design? “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, diria a vã filosofia do provérbio popular. Será que se confundem? Eles são artistas, designers? Pontuar as disparidades entre ambos é algo tênue. Mas criatividade e genialidade circundam os dois gêneros. A grande diferença, no entanto, é a origem do estímulo. Na arte, ele é interno, no design é externo.

 

A palavra arte, do latim ars, significa técnica, habilidade. Possui o intuito de expressar emoções e ideias, traduzidas num significado único para cada obra. “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela, a menina que vem e que passa”, descreveu Vinicius de Moraes na canção Garota de Ipanema. A música é a descrição da mulher amada, um estímulo interno do artista… Arte pura. 

 

E tudo o que vem a partir daí como produto é design. Por exemplo, se o designer personalizar uma xícara com as formas do corpo da personagem da Garota de Ipanema, imprimir a letra da música no utensílio, agregar funcionalidade e colocar o objeto à venda, então ele tem um design.

 

"Design não é arte. Design responde uma pergunta, enquanto a arte propõe a pergunta", explica Bruno Porto, coordenador do curso de Design Gráfico do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB) e curador da Bienal de Design Gráfico do Brasil. “Enquanto a arte é individual e tem relação única com cada pessoa, o design é um projeto que atende ao maior número possível de indivíduos a partir de seu objetivo”, completa.

 

 

Coisa antiga

 

O design moderno despertou atenção a partir de uma junção de movimentos artísticos e suas influências nos idos do século XIX. Mas foi no Cubismo de Picasso que o segmento começou a ganhar identidade. Muitos foram os colaboradores. Até a Teoria da Relatividade de Albert Einstein serviu, ao mudar a visão da realidade. Ou Sigmund Freud, que inspirou os surrealistas a criarem a partir de seus sonhos, de seu inconsciente e de seu imaginário, saindo absolutamente do convencional.

 

A figura central do design gráfico foi o italiano Fortunato Depero, um futurista que transformava ideéias poéticas em imagens visuais e acabou por influenciar escolas importantes para o segmento, como Dadaísmo, Construtivismo e De Stijl. E até a Bauhaus, que teve seu movimento encerrado pelos nazistas, mas mesmo assim fez vingar a nova estética do século XX. 

 

Foi nos anos 1950 e 1960 que a chama gráfica reacendeu com a chegada da Pop Art, vinda diretamente dos Estados Unidos e da Inglaterra. A ideia era que artistas produzissem algo que exprimisse o verdadeiro espírito do mundo atual, usando objetos de uso corrente e envolvendo a arte no contexto cotidiano. E se houvesse intenções de crítica e sátira social, melhor ainda.

 


 

Por aqui


 

Durante 22 anos de ditadura militar, seguida por uma economia frágil, sofrendo a instabilidade da inflação, a produção comercial e o incentivo à criatividade foram escanteados no País. Esse quadro começou a mudar nos anos 1990, quando voltamos a nos desenvolver-nos social e economicamente.

 

No novo milênio, nunca se produziu tanto design no País. A onda de empreendedorismo e startups é considerada o motivo da guinada no setor. “As pessoas arriscam-se mais, correm atrás de criações para aumentar a renda em momentos de crise. Inconscientemente, elas trabalham com design", defende Bruno.

 

O Brasil é referência no assunto. Uma das vantagens da área é a versatilidade do setor. São muitas vertentes. Entre os expoentes: design de produto, de moda, gráfico, de interiores, visual, tipográfico, editorial, de embalagens, institucional, de jogos, digital, de hipermídia e web design. "Hoje, além de ter aumentado a representatividade, há, pelo menos, no mundo, um brasileiro em destaque em cada área", aposta Bruno. 

 

 

Sebastião Salgado na fotografia; Romero Britto no comercial pop; Fábio Moon e Gabriel Bá nos quadrinhos; Alexandre Herchcovitch na moda; Irmãos Campana no mobiliário. Contudo, existem brasileiros em escritórios de grandes projetos internacionais. É o caso de Marina Willer, brasileira, sócia da gigante Pentagram, escritório responsável por projeto como o Tate Museum, em Londres. "Iomar Augusto é um brasiliense que está na Adidas. Ele criou a fonte da marca, incluindo a da bola de futebol Jabulani, oficial da Copa do Mundo de 2014", lembra o acadêmico Bruno. O Brasil está presente em empresas como Google, Nokia, Facebook, Ford e entre outras.

 

Em casa

 

Pela primeira vez a Bienal de Design Gráfico Brasileiro se realizou em Brasília. Felipe Honda e Lívio Lourenzo, dois entusiastas do segmento representam a cidade. Honda é fundador da feira de publicações Motim. Ele desenvolve cartazes, pôsteres e lambes cidade afora. Lourenzo criou a primeira marca de souvenir da Chapada dos Veadeiros: a Mattula, que produz caleidoscópios, acessórios, velas e imãs de geladeira. “Os empresários têm percebido a necessidade do design e investido nesse mercado”, aposta Lourenzo, enquanto Honda conclui: “O bom design precisa possuir estética e funcionalidade”. 

 

 

Todo dia é dia de design, por Guto Lins, poeta e designer

 

“Todos os dias

quando o design toca,

você levanta da sua design,

calça um design

e vai ler o design do dia.

Senta no design da cozinha

enquanto o pão esquenta no design.

Toma um design de leite

veste um design correndo

e sai atrasado para pegar um design na esquina.

Pela design você vê

design para todos os lados:

o design de uma peça de teatro,

o design que paára a seu lado

quando o design fecha

e também o design que o guarda sopra

quando o design abre.

Entra no escritório pisando forte,

fazendo barulho com seu design novo

e antes de ligar o seu design de última geração,

senta na sua design acolchoada,

pega esta design,

e fica mais confuso ainda…

Afinal,

o que é design?”


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