GPS | DESTINO

Chapada Viva

COLABORADOR Pedro Lira   
|   09/11/2017 17:00 ( atualizada 09/11/2017 17:00)   
FOTO Luara Baggi   
GPS|Brasília visitou a Chapada dos Veadeiros pós-incêndio e mostra que o cerrado já se regenera e permanece vivo, verde e cheio de maravilhas naturais

Cachoeiras e trilhas, animais silvestres e toda a diversidade da flora do cerrado. No mês de outubro, o mundo parou para acompanhar um dos maiores incêndios florestais do país. A Chapada dos Veadeiros, reserva ecológica de 240 mil hectares, foi tomada pelo fogo e teve 64 mil hectares queimados, o equivalente a 26% da área total da unidade de conservação.

 

Foram necessários mais de 200 profissionais e 200 voluntários para extinguir as chamas, que resistiram por mais de 20 dias.  Seca, fumaça e calor trouxeram preocupação para os 7 mil habitantes que vivem na região.

 

Após a chegada da chuva e o fim do incêndio, o GPS|Brasília fez um tour pela região para mostrar o que a mídia escondeu: a Chapada dos Veadeiros continua viva, verde e rica em cachoeiras, trilhas, fauna e flora.

 

 

A distância do centro de Brasília até Alto Paraíso (GO), maior principal cidade da região, é de 230km, passando por fazendas de plantações e áreas de cerrado virgem. A estrada, com ótimo asfalto, rende cliques como uma atração à parte. Nossa equipe foi acompanhada por João Luiz, proprietário da Pousada Camelot, e Davi Ramos, representante do projeto Quero Chapada.

 

Logo na entrada da Chapada dos Veadeiros, uma curiosidade: os viajantes passam pela Serra da Piedade, estrada chamada assim desde os tempos de Brasil Colônia, onde o ouro retirado de Cavalcante era transportado para a capital. Os mineiros eram roubados com frequência e, por vezes, mortos pelos ladrões, por isso sempre pediam por piedade. Esse hábito batizou o local, que marca a chegada à região.

 

A Chapada dos Veadeiros, apesar de todo o sucesso turístico que ostenta, inclusive entre astros internacionais, começou a bombar em 2014, embora seja um destino natural desde os anos 2000. Segundo João Luiz, que dirige a Pousada Camelot há mais de 20 anos, o público cativo da região é majoritariamente de Brasília, Goiânia, São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, também há visitantes nordestinos e turistas do Sul do país.

 

 

Trilhas e cachoeiras

 

Nossa equipe visitou algumas da cachoeiras mais populares da Chapada. A primeira delas foi a Cachoeira dos Cristais, no sentido Cavalcante, com 5km de asfalto e 3km de terra. Ao entrar no espaço, encontra-se um restaurante e local de convivência para se preparar para a trilha de 400m. A jornada é fácil e tranquila para crianças ou idosos. No restaurante típico de comida goiana, experimentamos o pastel mais famoso da região, que pode ser recheado de vários ingredientes, como palmito e queijo. Fica a dica gastronômica.

 

 

 

Segundo uma funcionária do local, apesar das trilhas não terem sido atingidas pelo fogo e não terem interferido em nada no funcionamento das cachoeiras, a quantidade de turistas caiu consideravelmente nos últimos dias. Impacto sentido em todo o comércio e hospedagem da Chapada, que depende desse setor como a principal fonte de renda.

 

 

A segunda parada foi na Cachoeira São Bento (sentido São Jorge, com 9km de asfalto). A trilha é acessível, com 300m de caminhada. A cachoeira é alta e possui um grande lago para nadar, além de pedra para pular. Apesar de ser segunda-feira, alguns turistas estavam no local. Um deles, Arthur de Oliveira, desembarcou diretamente do Rio de Janeiro. "Eu estava receoso, mas me surpreendi! Já tinha comprado as passagens antes do incêndio e quase cancelei porque achei que estivesse tudo destruído", conta.

 

 

 

 

Nossa equipe encontrou Marceleza, vocalista da banda Maskavo. Ele mora na região há mais de uma década. "A reserva sentiu o impacto do fogo, é claro. No entanto, o cerrado queima todos os anos. Faz parte da rotina de quem vive aqui", explica o músico, que também é guia turístico na região.

 

"Esse ano, a seca foi pior. O governo demorou a agir. Para agravar, a Secretaria do Meio Ambiente se fundiu à  de Agricultura em uma época muito crítica", lamenta. Outra acusação dos moradores locais é que o IBAMA não fez o serviço que deve ser feito anualmente: acero. São pequenos corredores de terra sem mato que impedem o fogo de se alastrar mais intensamente.

 

A terceira parada foi a cachoeira Almécegas, no hotel fazenda São Bento. A propriedade pertence à Magna Pfrimer. A família de Magna cuida do espaço desde 1920. "As pessoas cancelaram reservas, me ligaram perguntando se as cachoeiras estavam secas!", destaca. A empresária compartilha que as reservas estão muito abaixo do normal, inclusive para o próximo feriado, no dia 15 deste mês.

 

 

 

As Almécegas são divididas em I e II, e ficam sentido São Jorge depois de 8km de asfalto e 3.360m de estrada de terra. A trilha  (800m) é mais puxada e, como a cachoeira fica em uma descida, a volta parece uma longa jornada. No entanto, o esforço compensa. As Almécegas são lindas e a cachoeira é uma das maiores da Chapada.

 

 

A última parada do primeiro dia, ainda na segunda-feira, foi nas Águas Termais do Rio Vermelho, chácara com três piscinas de águas quentes naturais. Com temperatura morna, as piscinas são de água corrente, que minam no fundo de areia e escorrem por uma das bordas. Para chegar lá e relaxar até às 22h é necessário passar por 23km de asfalto, 27km de terra de fácil acesso e 150m de caminhada,  no sentido São Jorge.

 

 

 

Última parada: Vale da Lua. Trata-se de um dos destinos mais populares da Chapada dos Veadeiros. Também no sentido São Jorge, está acessível após 30km de asfalto e 5km de terra. A trilha é de dificuldade média com 600m de caminhada. O Vale da Lua foi um dos mais afetados pelo incêndio, mas quem visita o local, em pleno funcionamento, percebe a força e vida do cerrado, que germina e floresce novas flores.

 

 

 

Vegetação renasce em terreno queimado

 

 

Segundo Davi Ramos é necessário, no mínimo, três dias para conhecer um roteiro básico das cachoeiras. "Existe muita coisa para se ver por aqui. O ideal é uma semana de hospedagem para curtir tudo com calma, mas em três dias dá para ter uma noção dos pontos turísticos", explica.

 

Aventura e ação

 

A Chapada não se resume as trilhas. Para quem curte adrenalina, a região é cheia de opções de esportes radicais. Uma das mais famosas é o Voo do Gavião, tirolesa com 850m de extensão a 100m de altura. A atração fica na fazenda São Bento, pertinho das Almécegas. Outra alternativa no local é o rapel, situado após uma trilha de 800m.

 

Chegada do Voo do Gavião - por conta da chuva, a atração estava fechada

 

Mais uma opção é o cannionismo, no sentido São Jorge com 38km de asfalto e 1km de terra. A trilha tem um grau médio e 2.200m de caminhada. Pessoas de perfil mais tranquilo podem optar por bóia cross, indicado para todas as idades. A atividade segue o curso de um rio no Parque Nacional da Chapada em grandes boias, apenas curtindo a paisagem. Fica no sentido São Jorge, com 12km de asfalto.

 

O mais visado dos esportes, no entanto,  é o voo de balão. A atração percorre os céus da Chapada e oferece uma vista única da região. Atualmente a Outdoor Ballooning Brasil opera dois balões, um de voos exclusivos, com capacidade para dois passageiros, e outro de voos coletivos para oito passageiros. Os voos acontecem sempre uma hora antes do nascer do sol ou uma hora antes do pôr do sol.

 

Gastronomia

 

A Chapada dos Veadeiros também conta com diversas opções gastronômicas, da rústica culinária cozinha goiana até opções italianas e gaúchas. Nossa equipe visitou uma das mais tradicionais: o Rancho do Waldomiro. A casa oferece carne de lata e paçoca de carne em estilo rústico. Além disso, há produção local de cachaças e licores, liberados para degustação.

 

Rancho do Waldomiro

 

 

Lícor de jabuticaba produzido no Rancho do Waldomiro

 

Outras opções em Alto Paraíso são o restaurante Jambalaya (voltado para o público A), a pizzaria Lua Nova e o restaurante Cravo e Canela. Em São Jorge, a pedida é a Risoteria Santo Cerrado. Ao voltarmos, paramos  para experimentar as famosas pamonhas da cidade de São Gabriel, no caminho da Chapada dos Veadeiros. Aprovadas!

 

O fogo

 

O cerrado é um dos ecossistemas mais ricos da natureza. É repleto de animais  - araras, tucanos, tatus, micos, lobos-guará, capivaras, emas e muitos outros - que dividem espaço com pequis, mangabas, cajuzinhos, muricis, cagaitas e diferentes espécies de alimentos.

 

 

Uma das principais características do bioma é a forma natural de lidar com o fogo. "As árvores possuem cascas que resistem as chamas e, apesar de ficarem pretas, continuam vivas", explica João. O fogo na Chapada é acontecimento quase natural que se repete ano após ano. "A seca em 2017 foi mais longa e, por isso, o fogo tomou maiores proporções, mas existiu um forte sensacionalismo da mídia sobre o esse incêndio", explica o guia Marceleza.

 

 

 

Diferentemente do que foi divulgado por parte da imprensa - que dizia levar no mínimo um ano até a vegetação voltar ao que era - o verde já está surgindo duas semanas após o incêndio. Quem visita a Chapada percebe que as áreas queimadas sentiram o impacto das chuvas.  Germinam capim, flores e continuam dando frutos.

 

Hospedagem

 

Rica em opções de gastronomia, programação e natureza, a Chapada também está cheia de opções de hospedagem. Nossa equipe ficou na Pousada Camelot, com temática medieval e situada em Alto Paraíso. Além dela, também indicamos a Pousada Inácia, famosa pela estadia de luxo.

 

 

 

 

 

 

 

Proprietário da Camelot, João Luiz

 

Já em São Jorge, povoado do município de Alto Paraíso e no estilo de uma cidadezinha praiana, as dicas vão para Casa das Flores, Bambu Brasil e Baguá. Quando hospedar por lá, um conselho: a Igrejinha de Sao Jorge, bem próxima a entrada do Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, vale a visita.

 

Projeto Quero Chapada

 

Logo da Quero Chapada

 

Para fazer um contraponto ao que tem sido divulgado sobre o "fim" da Chapada, o movimento @querochapada, fundado por moradores e admiradores da região e que tem o objetivo de desenvolver o Turismo na Chapada dos Veadeiros, criaram a campanha #ChapadaViva. Essa campanha colaborativa promove o compartilhamento e divulgação da Hashtag #ChapadaViva, com fotos, vídeos e registros das cachoeiras, trilhas e belezas naturais da região.
 
"O Quero Chapada tem o objetivo principal de divulgar a Chapada dos Veadeiros. A ideia é que esse movimento cresça e alcance cada vez mais pessoas e com isso traga muitos turistas, investimentos e desenvolvimento sustentável para a região", explica Davi, idealizador da iniciativa.

 

Davi Ramos, representante da Quero Chapada

Repórter e fotógrafa viajaram a convite da Pousada Camelot


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