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Tá tudo dominado!

COLABORADOR Deborah Sogayar   
|   07/11/2017 20:16 ( atualizada 07/11/2017 20:16)   
FOTO Reprodução   
As mulheres brasilienses conquistam cada vez mais espaço e reconhecimento na música eletrônica

O mundo da música eletrônica ainda é predominantemente masculino. Prova disso é a lista dos 100 melhores DJs do mundo, publicado analmente pelo site DJ Mag, referência no ramo. Do total de artistas, apenas cinco são do gênero feminino: as integrantes da Nervo (42º), Miss K8 (58º), Mariana Bo (84º) e Alison Wonderland (89º). Na capital brasileira, porém, o cenário está se fortalecendo com personalidades femininas de peso, que trazem qualidade e diversão para as noitadas daqui. Confira alguns destaques da cena e conheça um pouco mais desse movimento que só cresce no país.

 


Gab J

 

 

Gabriela Passos Nogueira lançou-se como DJ Gab J há apenas 1 ano e meio. Ela já está movimentando a cena brasiliense com o estilo bass music. Natural de Taguatinga, foi residente no O'beco Underground e recebeu convite para tocar em Goiânia. Na capital, estrelou em diversos points, como Conic, Rabisco Lounge Bar, Arena Futebol Clube com Flora Matos, no iFly com a Red Bull e até no show do rapper MV Bill. A mixer mistura clássicos e comerciais, mesclando rap, hip hop, trap, ragga, twerk, future bass, funk e R&B. É para não ficar parado! Mesmo com pouco tempo de cena, a jovem passou por situações constrangedoras. Em uma de suas apresentações, foi barrada pelos seguranças que só liberaram a sua passagem após a chegada de um outro DJ. "Eu acho que o cenário é um pouco preconceituoso. Ainda é um meio bastante masculino, não é todo lugar que tem DJ mulher", declara. 

 


Athena

 

 

Athena Ilse nasceu com nome de estrela e não precisou de um codinome para se lançar na carreira artística. Há 4 anos, conheceu o dom musical após participar de um concurso caça-talentos na festa Moranga. Na época, o amadorismo era claro, mas isso não deixou que se abatesse. Participou de aulas e cursos e, em uma segunda oportunidade, agora na Perde a Linha, logo foi chamada para discotecar profissionalmente. Hoje, além de DJ, produz eventos e possui 7 selos de festas, como Emopallooza, Frigideira, Pórry, Mete o Loko, Sarra, Star Crazy e Chibaria. Como produtora, analisa a cena com perspectiva positiva: "ainda é um cenário com maior presença de homens, mas as meninas estão botando a cara, até porque aumentou o número de eventos feito por mulheres e, com isso, elas tendem a ter a preocupação de chamar DJs do gênero. Às vezes, sem perceber, eu faço uma festa só com mulheres."

Segundo ela, a parte mais chata da situação é ter que lidar com alguns funcionários que não aceitam ser mandados por uma pessoa do sexo feminino. "Já aconteceu de eu ter que chamar um colega homem para lidar com segurança, porque não queriam me ouvir", conta Athena. 

 


M.Y.K.A

 

 

Música eletrônica, bateria e violoncello. Imaginou esse som? Essa mistura eclética e irreverente é a proposta do projeto M.Y.K.A. Composto apenas por mulheres, o live set brinca com ritmos do ragga ao house, do trap ao black e agita o público nas noites da capital. Nas picapes, a DJ Myrella Dantas, conhecida pelos brasilienses, é acompanhada por Karine Cruvinel na percussão e Eli Moura no violoncelo. A novidade veio para mostrar que elas não estão para brincadeira e que é possível fazer diferente nesse ramo, sim! Para alegria dos entusiastas, Myrella revela que as divas estão investindo com o projeto autoral, misturando os ritmos brasileiros com música eletrônica. Mal podemos esperar. 

 


Fé em Deus DJs

 

 

Se tem alguém que conhece de balada em Brasília, este "alguém" são as meninas do Fé em Deus. Desde 2008, Maria Assis e Carol Guimarães agitam públicos dos mais diferentes perfis. A mistura de Le Tigre com Bonde do Rolê, La Roux com Tati Quebra Barraco e tantas outras irreverências marcam a carreira artística das brasilienses, que hoje se acabam no baile funk completo, com todas as eras e vertentes do movimento, sempre respeitando o feeling da pista e mandando os hits que o pessoal quer dançar. Apesar de guardarem as preferências pessoais, elas revelam que sempre tiveram influências muito parecidas, e, por isso, a mudança dos estilos na discotecagem ao longo dos anos partiu do interesse mútuo. "De indie rock e electro clash para furacão 2000 e funk proibidão há um oceano! Mas nós duas acabamos nadando para o mesmo lado", afirma Maria. Hoje, Carol produz diversos selos de festas na cidade, e normalmente é lá que podemos encontrar as feras, mas é comum ouvi-las em festas LGBT alternativas ou universitárias. As jovens também são integrantes do Sapabonde, um grupo de "neo baile funk lésbico" que surgiu, a partir de uma brincadeira, em meados de 2010. Quanto à situação de mulheres no controle das picapes, acreditam que, embora tenham diversas mulheres incríveis tocando e produzindo, ainda existe uma resistência do gênero feminino no setor. E  destacam o fator atenuante da comunidade LGBT. Por serem uma minoria discriminada sistematicamente, tendem a ser mais conscientes. "Então, ainda que a ocupação dos espaços seja sempre uma batalha para as mulheres, me sinto mais respeitada tocando para esse público", confessa a DJ. 

 


New Chicks on The Block

 

 

Falamos de DJs solos, duplas e trios, mas esse quarteto também chega para abalar as estruturas. Nice Moanna, Tatiana Fonseca e as irmãs Manuela e Mariana Acioli comandam as picapes com o New Chicks on The Block. "Nosso projeto surgiu quando fomos convidadas pra comandar o som de uma festa, sem compromisso. O pessoal gostou e na semana seguinte recebemos um convite pra tocar na Moranga, mas não era nada profissional, eramos apenas 4 amigas que gostavam muito de musica e de sair", lembra Manuela. Apesar de terem o estilo bem parecido, cada uma tem sua identidade. Manu curte deixar a pista bem dançante com o pop, sua irmã, por sua vez, gosta mais de black e hip hop. Tati agita o underground com rock e house enquanto Nice bota tudo para ferver com lounge e funk. Juntas, as meninas do New Chicks on The Block veio para fortalecer o time das mulheres. Elas lembram do Redbull Freestyle, competição cujos finalistas eram do gênero feminino em sua maioria. "Acho que a mulherada vai acabar comandando as pick ups e não vai demorar muito", conta. 

 


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