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Apagando o fogo

GPS|Brasília fala sobre motivos e impactos do maior incêndio da história da Chapada dos Veadeiros

Quem tem acompanhado os noticiários nos últimos dias sabe que o mês de outubro foi pano de fundo de um grande desastre ambiental. Focos de incêndio começaram a surgir no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros no dia 10. Eles resultaram em uma grande queimada que, até hoje, já destruiu mais de 65 mil hectares da unidade de conservação, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Mas de onde o fogo surgiu? Por que, desta vez, o incêndio tomou esta proporção? A situação é reversível? Como a população pode ajudar? O GPS|Brasília explica.

 

As queimadas são comuns no cerrado, principalmente durante o período de umidade baixa. Inclusive, muitas vezes o fogo é usado com instrumento de manejo do bioma, sempre de forma controlada e em pequenas áreas. Neste ano, a situação saiu do controle. Segundo Isabel Belloni, do Departamento de Ecologia da UnB, os motivos são vários. A começar pela causa do início das chamas, que a Polícia Civil acredita ser criminoso. Outro motivo foi o período em que o caso ocorreu. “Quando um incêndio acontece no fim da seca, ele acaba atingindo áreas de vegetação que são mais frágeis e não resistem ao fogo por ficarem perto das águas, como as matas de galeria. Isso traz um dano muito grande”, explica a professora.

 

Foto: Fernando Tatagiba/ICMBio

 

A incomum extensão da seca em 2017 também foi um agravante. Geralmente, em outubro as regiões atingidas pela secura já têm chuva, mas tem sido um ano crítico, com altas temperaturas. Sem contar com os fortes ventos. “Como o capim está muito seco e está ventando muito, o fogo se espalha muito rápido e dificulta o combate”, diz a especialista. Sobre a recuperação da vegetação, Isabel é categórica: não vai ser fácil. “As queimadas costumam acontecer mais cedo. Nesta época, as plantas estão em período de reprodução, o que as deixam com menos energia para se recuperar. Pode levar anos, até décadas”.

 

Não só a flora, mas também a fauna da região é muito prejudicada. Normalmente, o fogo ocorre em áreas menores e em momentos diferentes, o que dá opção para os animais se locomoverem. “Já quando ocorre algo grande desse jeito, o ambiente fica muito homogêneo, queimado por inteiro. Assim, os animais têm dificuldade para encontrar comida, água e até abrigo”, conta a ecologista.

 

Foto: Luciana Marinho Amatnecks

 

S.O.S Chapada

Após a tragédia, houve mobilização da população e de organizações para arrecadar suplementos, equipamentos de combate a incêndio e alimentos para os voluntários. Nas redes sociais, várias celebridades e personalidades fizeram vídeos pedindo de doações a orações para a recuperação do Parque.

 

Foto: reprodução Instagram

 

Foto: reprodução Instagram

 

Para Isabel, uma das maiores ajudas que a população pode dar é a conscientização. “Nós não temos que pensar no cerrado só quando uma tragédia acontece. Nosso bioma é desmatado diariamente e não se pensa nas consequências disso. Ele nos fornece coisas essenciais, como a água, e o desmatamento muito tem a ver com a crise hídrica pela qual estamos passando. As pessoas têm que dar a devida importância ao meio ambiente”, finaliza. Se você também quer ajudar o cerrado, saiba aqui o que e como doar.

 

Foto: Agência Brasília


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