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Ensino superior: desafios e oportunidades

No Dia dos Professores, Doutora Eda C.B.Machado- Reitora do Centro Universitário IESB, articula sobre o Ensino Superior no país

Em quase todo o mundo a educação superior está passando por um processo de profunda reforma por causa das pressões sociais que está sofrendo.

 

O futuro da educação, nos seus diferentes níveis, precisa ser redesenhado. As novas maneiras de aprender e a rapidez das mudanças tecnológicas em toda a sociedade impactam nossa maneira de viver, trabalhar e aprender.

 

Ao invés de apenas termos como propósito fundamental repensar o sistema educacional do futuro, temos que pensar no sucesso dos nossos alunos no mercado de trabalho e em como a universidade pode capacitar e estimulá-los a quererem transformar e melhorar o mundo em que vivemos.

 

É preciso explorar as intersecções entre nômades digitais, cidadãos globais, força de trabalho e o impacto da tecnologia na educação.

 

Mas, antes de mais nada, torna-se urgente entender o papel da ética e da inovação sustentável. Sem que a ética e a inovação façam parte do dia-a-dia da universidade, poderemos formar profissionais competentes, mas cidadãos cujas atitudes e valores mudam o mundo para um lugar pior.

 

O clima sócio-emocional em que o processo ensino-aprendizagem ocorre mobiliza sistematicamente um complexo de atitudes, habilidades, conhecimentos, motivações e valores que podem ou não transformar o aluno em um agente de mudança, um disruptor da sociedade.

 

Assim, é preciso conduzir o trabalho de formação do aluno, a partir da identificação das variáveis estratégicas que interferem no processo, bem como na análise de diferentes alternativas sobre "como" este processo pode se tornar mais eficiente.

 

É preciso ajudar o professor a se aperfeiçoar como profissional, tanto na dimensão dos conteúdos com os quais trabalha, como nas suas dimensões didáticas e pessoais. Isto significará necessariamente para o professor como pessoa, um processo de revisão e reflexão de atitudes, valores e filosofia; uma reflexão sobre seu relacionamento com os alunos, os colegas e a instituição, de par com uma revisão e ampliação de seus conhecimentos.

 

Em outro nível mais amplo, o futuro da educação exigirá que o professor seja ajudado a aprender a usar as novas metodologias e entender qual é seu papel na sala de aula. A partir desse entendimento, será o aluno o centro e o protagonista do processo ensino- aprendizagem. Os alunos não serão socializados por cooptação e preparados para um desempenho profissional mecanicista, mas também para se tornarem conscientes de seu próprio valor e de sua responsabilidade com a sociedade.

 

Para tanto, deveria ocorrer uma intervenção em nível mais global, para que a estrutura organizacional da universidade passe, também, a fazer parte do processo de mudança e oportunize um ensino efetivo, no qual a comunicação vertical e horizontal tenha um fluxo consistente, por meio de uma participação de professores, de administradores e alunos, ativamente encorajada, esperada, discutida, aberta e sistematicamente valorizada.

 

Em suma, por meio da implantação e desenvolvimento de programas mais abrangentes, que operem nos níveis individual, instrucional e organizacional, poderá se antecipar mudanças grandes na educação superior do futuro.

 

Este é o principal desafio da educação superior no mundo: ajudar os professores a facilitar e estimular a aprendizagem dos alunos, tornando-os agentes de mudança, disruptores e colaboradores de uma sociedade mais inclusiva, justa e igualitária. Não obstante, tem-se consciência de que há uma enorme quantidade de forças que obstaculizam as mudanças necessárias.    

Nós, professores, não podemos desanimar: são as universidades as responsáveis pelas mudanças prioritárias, como elevar o acesso de alunos na educação superior;  melhorar a qualidade de vida das pessoas que não têm acesso aos programas de saúde,  fomentar pesquisas e criar programas que apresentem soluções para o acesso da população à água potável, saneamento básico, alimentação saudável, fontes de energia renovável,  valorização das artes e humanidades ao lado das disciplinas de ciências ; ao incremento da inovação digital que conduza as pessoas a um mundo de prosperidade econômica, mais feliz e mais justo!

 

Em qualquer lugar que estivermos, nunca nos esqueçamos que as crianças vêm em primeiro lugar entre as prioridades. São elas - que se aqui ainda não foram diretamente mencionadas -  a razão de toda a nossa força e alegria para vencer os obstáculos.

 

*Professora Doutora Eda C.B.Machado- Reitora do Centro Universitário IESB, Mestrado e Doutorado em Currículo e Ensino pela The Pennsylvania State University, Pós Doutorado no Instituto Max-Planck de Berlim, Alemanha. Membro do Penn State Global Advisory Council; do Comitê Executivo da IAUP (International Association of University Presidents), do Clube de Roma, do Conselho Deliberativo do CRUB (Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras) e Presidente da Câmara de Educação do CODESE/DF.

 


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