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Refri na berlinda

COLABORADOR Redação   
|   19/09/2017 17:00 ( atualizada 19/09/2017 17:00)   
FOTO Reprodução   
Ministério da Saúde quer rotular embalagens de refrigerante na tentativa de alertar a população sobre os danos causados por seu consumo excessivo

Uma novidade na área alimentícia promete provocar polêmica. O Ministério da Saúde vem debatendo com inúmeras entidades a possibilidade de rotular alimentos industrializados que comprometam a saúde, uma vez que em dez anos a obesidade cresceu 60%, fazendo com que mais da metade da população brasileira esteja acima do peso. O açúcar está na mira dessa discussão e um dos vilões é o refrigerante. 

 

A intenção é fazer com que essas bebidas açucaradas ganhem advertências visíveis na embalagem, identificando seus ingredientes nocivos. O novo modelo de rótulo pode ser implementado até 2020, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Em declarações recentes à imprensa, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, diz: “É um tema que temos que enfrentar, avançar para oferecer mais saúde à população”. E enfatiza, pontuando que “nos comprometemos reduzir em 30% o consumo de bebidas açucaradas até 2019. Dentro das ações está a rotulagem e eventualmente o aumento na tributação”, conclui. 

 

 

De cima para baixo, os modelos utilizados no Reino Unido, França, Chile e, por último, na Austrália e Nova Zelândia

 

Como é em outros países

 

 Países como Chile, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, França e Equador já adotaram o método. Um dos exemplos é o utilizado no Reino Unido. Como um semáforo, ele identifica em números quais ingredientes estão acima ou abaixo do permitido para consumo. Outro modelo em avaliação é o adotado no Chile, no qual símbolos de advertência indicam se há alto teor ou excesso de açúcar, sal ou gordura.

 

Os rótulos da Austrália, Nova Zelândia e França, por sua vez, classificam os alimentos por notas. Quanto maior a classificação, melhor o alimento. O país europeu utiliza a metodologia das letras, de A, para os melhores rankeados, até E, para os piores. Enquanto os países da Oceania classificam os alimentos por estrelas, de 1 a 5.

 

 

Reduzir ao máximo

por Clayton Camargos*

 

Investigações revelam que consumidores diários de refrigerantes não dietéticos, durante um período de 06 meses, tiveram um aumento de 132 a 142% de gordura hepática, uma elevação de 30% de triglicerídeos e 11% no colesterol total, em comparação com pessoas que bebiam outras bebidas, como água ou leite.

 

Por sua vez, os refrigerantes dietéticos a base de aspartame não são menos danosos, pois pesquisas com ratos demonstraram que essa substância elevou os níveis de glicose no sangue e, alguns casos, provocou o aumento de peso.

 

Além disso, há estudos que apontam para o risco à saúde de colorantes artificiais de caramelo, usados na produção dos refrigerantes do tipo cola. Esses colorantes possuem uma lista de substâncias químicas que podem causar câncer. [...]

 

Vale a pena destacar, também, que, dietéticos ou tradicionais, a maioria dos refrigerantes contém fosfatos, um ácido fraco que confere sabor e aumenta a vida útil dessas bebidas. No entanto, o excesso de ácido fosfórico pode levar a problemas cardíacos e renais, além da redução da massa muscular e osteoporose.

 

Outro aspecto relevante é o fato de refrigerantes serem comercializados, muitas vezes, em embalagens de alumínio, que são revestidas com uma resina chamada bisfenol, usada para evitar que os ácidos contidos nos refrigerantes reajam com o metal. O bisfenol é conhecido por interferir na regulação hormonal, sobretudo nos hormônios sexuais, e tem sido associado desde a infertilidade até obesidade e diabetes, além de algumas formas de cânceres do aparelho reprodutivo.

 

Por tudo isso, a Anvisa e o Ministério da Saúde estudam a possibilidade de os rótulos de refrigerantes passarem a conter alertas sobre os riscos do produto à saúde com o objetivo de reduzir ao máximo o consumo desse tipo de bebida. De fato, um avanço na tentativa de oferecer mais saúde à população.

 

* Clayton Camargos, educador físico e nutricionista, pós graduado em Autogestão em Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública, pesquisador visitante da Universidade de Barcelona e diretor executivo da clínica Metafísicos, atua na área de promoção da saúde há mais de 20 anos, foi professor dos cursos de medicina, nutrição e educação física durante uma década até 2013, também foi Subsecretário de Saúde do DF e integrante da equipe de regulação do Ministério da Saúde. Em tempo: professor dos cursos de medicina, nutrição e educação física da Universidade Católica de Brasília - UCB.

 

 

Desmitificar estigmas

por Mariana Melendez*

 

É preciso pensar no alimento como algo que vai além da nutrição. O refrigerante também é uma forma de sociabilidade, como estar com os amigos para um churrasco ou uma pizzaria. Além disso, é preciso analisar esse produto sob uma perspectiva de apego emocional. Às vezes, o refrigerante, bem como outros alimentos, traz memórias boas, até porque o paladar faz parte do sistema sensorial do ser humano.

 

Se levarmos em conta o ponto de vista calórico, um copo de refrigerante do tipo cola tem o mesmo valor calórico que um copo de suco de laranja, mas nutricionalmente o suco de laranja é muito mais adequado que o outro. No entanto, para um diabético, por exemplo, um suco de laranja pode elevar a glicemia tanto quanto o refrigerante.

 

Não há discussão quanto ao fato de refrigerante em excesso fazer mal ao organismo, especialmente se consumido em substituição à água, por exemplo. Entretanto, se ingerido esporadicamente, não há tantos riscos à saúde.

 

Um dos fatores que favorecem o aumento do consumo de refrigerante é o fato de essa bebida, por vezes, ser mais barata do que um suco natural, por exemplo. Dessa forma, com o custo menor, esse produto acaba tornando-se mais atrativo e acessível.

 

Ressalta-se, contudo, que os refrigerantes, principalmente os que são à base de cola, contêm uma pequena porção de cafeína, que pode acelerar o ritmo cardíaco, mas, para que isso aconteça, é necessário ingerir mais de dois litros da bebida em um mesmo dia. 

 

Portanto, há um exagero no ataque aos refrigerantes e a ideia de rotular essa bebida com imagens impactantes sobre seus malefícios pode ser uma medida drástica demais, pois não é imperioso que as pessoas excluam o refrigerante das suas vidas, mas, sem dúvida, é necessário que o consumo desse produto seja moderado.

 

*Mariana Melendez - Graduada em Nutrição pela Universidade de Brasília (UnB) em 2003, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva pela Universidade Católica de Goiás (UCG) e mestre em Nutrição Humana com ênfase em cirurgia bariátrica pela UnB. Fez MBA na FGV em Gestão (Executivo em Saúde) e é pós-graduada em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School.


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