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Lava Jato nas telonas

COLABORADOR Redação   
|   07/09/2017 15:00 ( atualizada 07/09/2017 15:00)   
FOTO Luara Baggi   
Com pré-estreia agitada em Brasília, elenco do filme Polícia Federal aterrissa na cidade e fala sobre o longa

Um thriller policial sem viés político e com fortes emoções. É assim que Tomislav Blazic, produtor do filme Polícia Federal – A lei é para todos, define sua obra, que estreia hoje nos cinemas do Brasil. O que muitos talvez não saibam é que Blazic não pensava em fazer um filme sobre a operação. “Estava preparando algo sobre tráfico de drogas e armas quando começou a Lava Jato, que foi ganhando vulto e se tornou a maior operação de combate à corrupção do mundo. Precisava contar essa história”, revela.

 

A película é baseada no livro que está sendo finalizado pelos jornalistas Carlos Graieb, ex-editor da revista Veja, e Ana Maria dos Santos, que conta os bastidores da Lava Jato sob o ponto de vista da Polícia Federal em forma de romance. Contudo, “o filme não tem viés político. Trilhamos o caminho investigativo, inspirado em como os americanos produzem roteiros sobre o FBI”, ressalta Blazic. Orçada em R$ 15 milhões, a produção mantém em sigilo os investidores, limitando-se a dizer que não houve uso de verba pública.

 

O filme começa com a apreensão da PF a um caminhão carregado de palmito e 697 kg de cocaína na Operação Bidone, em 2013. Essa investigação paralela chegou a Alberto Youssef. Preso, o doleiro revelou o esquema que deu origem à Lava Jato. O final da película será marcada pela 24ª fase da operação, que culminou no depoimento coercitivo do ex-presidente Lula à Polícia Federal, quatro meses antes de o político virar réu.

 

Para Tomislav Blaziac, um das maiores dificuldades encontradas no sentido da produção é gravar um longa-metragem sobre uma história que ainda está acontecendo, sem desfecho sinalizado. “É um desafio e, ao mesmo tempo, é instigante”, diz. Ele conta que o filme - com 2 horas e 10 minutos de duração - será o primeiro de uma trilogia. “São muitos acontecimentos e não teríamos como contar tudo de uma vez só. Já iniciamos a fase de pesquisa para os seguintes”, sinaliza.

 

 

Conversa de bastidor

 

Muito do que o público conhece sobre a Lava Jato vem das notícias divulgadas pela imprensa. Normalmente, logo depois que alguma prova aparece ou alguém é preso. A ideia do filme, segundo os produtores, é trazer uma ótica inédita, conduzindo o espectador por dentro da operação, lado a lado com o grupo de investigadores, compartilhando os temores e as angústias deles. “Ao final, o público verá que descobriu uma série de detalhes que desconhecia sobre a Lava Jato”, alerta o diretor Marcelo Antunez, que também dirigiu as comédias Até que a Sorte nos Separe 3: A Falência Final e Um Suburbano Sortudo.

 

Para garantir o tom investigativo, a PF atuou como fonte primária nas informações. “Entrevistamos os investigadores várias vezes para tentar extrair a linha de raciocínio deles, o sentimento que tinham a cada descoberta. Quais foram as hipóteses formuladas em cada momento. Os medos, as angústias, os conflitos internos”, diz Antunez. “Conversamos com cada delegado presente nas principais operações, que nos relataram em detalhes tudo que aconteceu”, completa.

 

Para o diretor, mais do que duas horas de entretenimento, a obra é uma oportunidade de manter vivo o debate sobre questões políticas, com foco no respeito às leis – de modo que sejam aplicadas a todos, sem distinção. “Vivemos muito tempo sem conversar sobre política. É hora de mudar isso e debatermos o assunto à exaustão. Precisamos exigir que todas as instituições existam para promover o bem do povo e não o contrário”, defende, deixando clara a mensagem do filme.

 

 

Nove semanas e grande elenco

 

Ary Fontoura faz o papel do ex-presidente Lula na trama. Flávia Alessandra é inspirada na delegada Erika Marena e Antonio Calloni no delegado Ivan Romano. Rainer Cadete interpreta Deltan Dallagnol, procurador da força-tarefa da Lava Jato, e Marcelo Serrado vive o juiz Sérgio Moro. O elenco com mais de 70 atores, entre principais e coadjuvantes, teve cerca de dois meses para a preparação dos personagens.

 

As filmagens ocorreram em Curitiba, em São Paulo e no Rio de Janeiro. “Procuramos espaços que remetessem visualmente aos locais reais”, conta o diretor Marcelo Antunez. As filmagens do exterior da Superintendência da Polícia Federal ocorreram em Curitiba, que é o epicentro da operação. As duas cenas que estavam previstas para serem gravadas em Brasília foram transferidas para São Paulo, por conta dos custos de produção e da logística envolvendo o transporte de equipamentos.

 

Lula, por Ary Fountoura

 

 

Acha importante a polêmica que o filme irá gerar?

 

O filme é didático, um retrato da situação atual. É claro que irá gerar polêmica! Rezo eu que seja saudável, que as pessoas entendam o ponto de vista umas das outras e possam debater, transformar o país num Brasil melhor, com diálogo.

 

Como foi viver o ex-presidente Lula?

 

Muito bacana! Se houvesse partidarismo eu não aceitaria o papel. Meu trabalho aqui foi expositivo, eu vivi um personagem muito interessante e contei fatos. Digo até que neste filme sou mero coadjuvante, onde a importância do personagem é na condução coercitiva. Talvez em um segundo filme acredito que a história será mais sobre ele.

 

Você chegou a conversar com Lula?

 

Nunca! Nem quero pois não há razão. Acho a história dele incrível, me parecer se uma pessoa legal, interessante. Mas acredito no ditado do “diga-me com quem tu andas que te direi quem tu és”, sou antigo, acredito nisso. A única coisa que não gosto nele é quando diz que não sabia de nada! Um homem tão inteligente que não sabia do que se passava no governo dele… Isso me dá uma pena!

 

Uma mulher em um mundo masculino

 

 

Como foi a preparação para viver a delegada Bia?

 

Minha personagem representa todas as delegadas que fazem parte da força tarefa. A maior inspiração foi a Érika. Tive contato com todas elas, conversei muito e digo que foi bastante importante. Percebi que são mulheres humanas, sem super-heroínas, querendo fazer o melhor possível. Isso foi muito enriquecedor.

 

Adentrar no universo político foi um desafio para você?

 

Eu, como toda cidadã, sempre acompanhei as reviravoltas da Lava Jato, mas o filme não é político, ele fala de um momento político. O que tivemos durante as filmagens foi um mergulho maior nesse universo. Estávamos sempre ligados nas notícias e em tudo o que acontecia.

 

Como se sente em representar as mulheres em um meio majoritariamente masculino?

 

Me senti muito honrada de fazer essa personagem. Existem mulheres importantes em todas as etapas da Lava Jato. Tinha que existir essa figura feminina e eu me sinto feliz em representá-las nesse meio policial.

 

Um delegado entre muitos

 

 

Como foi adentrar o universo das política e das leis investigativas?

 

Foi maravilhoso! O trabalho de preparação foi crucial para o filme. Meu personagem é uma junção de vários delegados, mas principalmente inspirado no Igor Romano, com quem conversei bastante. Aprendemos o aparato técnico, jeito de abordar e detalhes muito curiosos. No entanto, o que mais me fascinou foi a humanidade dos delegados. Eles têm dúvidas, são trabalhadores como a gente, que querem fazer o melhor.

 

Acredita que o filme irá gerar debate acerca de política na sociedade?

 

Com certeza! Me sinto muito orgulhoso de participar desse debate como artista. Estamos oferecendo um thriller policial de primeira qualidade e além disso fomentando um debate super importante para o Brasil politicamente.

 

Marcelo Serrado, o juiz

 

 

Como foi representar o juiz Sérgio Moro, uma pessoa que, de certa forma, mudou a história política do País?

 

Muito bom. A meu ver é uma pessoa comum que está tentando fazer o trabalho dele da melhor forma possível.

 

O que mais lhe chamou atenção ao interpretar o personagem? Chegou a sofrer alguma retaliação?

 

Na verdade, o Moro aparece pouco no filme. Os personagens principais são os investigadores. O desafio foi tentar me aproximar de algo real, vivo, que todo mundo conhece o rosto e os trejeitos. Tentei ser o mais simples possível. Não sofri nenhuma retaliação, só recebi apoio.

 

Como foi a pesquisa para compor o personagem, conversou com o juiz?

 

Tentei chegar o mais próximo do jeito dele. Mas, o meu maior desafio foi não imitá-lo e me tornar um personagem caricato. Tivemos um almoço em Curitiba, onde conversamos bastante. Ele é uma grande figura.

 

Você irá participar dos três filmes?

 

Ainda não sei. Vamos esperar o lançamento do primeiro para ver como será a repercussão e, assim, ver como serão os outros filmes.

 


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