GPS | ENTREVISTA

De frente com Isaac

COLABORADOR Marcella Oliveira e Pedro Lira   
|   15/08/2017 07:00 ( atualizada 15/08/2017 07:00)   
FOTO Reprodução   
Perfil: Isaac Azar, idealizador do Paris 6, visita a Capital para conhecer o novo restaurante e bate um papo com GPS|Brasília

O restaurante recém-inaugurado na Capital, Paris 6, recebeu sua primeira visita ilustre: ninguém menos que Isaac Azar, criador da marca que é sucesso no Brasil e Miami. Aos 45 anos, é responsável por 10 unidades da casa com mais de 200 pratos e 80 sobremesas – das quais 40 são variedades de Grand Gateau, o famoso bolo com um picolé imerso, criação do próprio Isaac. Do doce, são vendidas mais de 70 mil unidades por mês entre todas as casas.

 

Isaac já mostrava que tinha o paladar apurado desde a infância. Enquanto os três irmãos escolhiam pratos simples do cardápio, como toda criança, o que enchiam os olhos do pequeno Isaac eram opções como steak tartar ou carne de pato. Hiperativo, sempre foi cheio de amigos e os levava para almoçar com frequência em sua casa depois da escola.

 

Ser popular e gostar de um bom prato fizeram do brasileiro Isaac Azar, 45 anos, um grande empreendedor. Transformou seu restaurante em São Paulo, o Paris 6, em um negócio de sucesso. Não apenas pelo menu com mais de 200 pratos e 80 sobremesas – das quais 40 são variedades de Grand Gateau, o famoso bolo com um picolé imerso, criação do próprio Isaac; ou pela decoração estilo Paris nos anos 20; ou ainda pela constante presença de celebridades; mas pela junção de tudo isso. “Para mim, o restaurante não é só a comida, você precisa ter história para contar”, define.

 

Se por acaso você o encontrar em uma das dez unidades do restaurante – nove no Brasil e uma em Miami –, não vai ser difícil de identificá-lo. Hoje, não se veste mais de chef, apesar de às vezes ser visto com a mão na massa, na cozinha, ou até mesmo trocando lâmpadas. Bem descolado, com relógio e sapato impecáveis e muitas tatuagens, ele circula pelo salão cumprimentando clientes. Educado, criativo e inteligente, dá para ver de longe como é articulado. “Eu sou um grande RP do Paris 6. Gosto de ir à mesa, perguntar como o cliente está, fazer amizades, independentemente de quem é, famoso ou não. É uma delícia essa proximidade”, conta o simpático restauranteur.

 

 

Com celular sempre à mão, tem uma agenda de quase três mil nomes. E é ele o responsável por atualizar as redes sociais – são 740 mil seguidores no Instagram e 743 mil curtidas na página no Facebook.

 

O restaurante funciona 24 horas, quase como Isaac, que parece estar ligado na tomada. Aliás, o horário de funcionamento foi uma sugestão do amigo e psiquiatra Flávio Gikovate. “Você é hiperativo”, dizia. Todas as unidades têm fila na porta, parece até entrada de balada. Só de Grand Gateau são vendidas 70 mil unidades por mês entre todas as casas. O mais pedido é o Paloma Bernardi, bolo de chocolate com picolé Diletto, com calda de creme de avelã ao leite condensado e morangos picados com avelãs granuladas.

 

Azar coleciona amigos famosos. Esse, talvez, seja um dos fatores que fez do Paris 6 tão popular. Tudo começou ao apoiar a peça de teatro Um Certo Van Gogh e trocar ingressos para os clientes por refeições para os atores. Dentre eles, Bruno Gagliasso, que brincou: “faz um prato com meu nome”. Assim,

 

surgia o menu recheado de celebridades. “Foi muito espontâneo. E virou uma maneira de homenagear as pessoas que têm uma história com o Paris 6. Muitas vezes, eles ajudam a criar o prato, me passam receitas”, conta. Ele garante que não dá comida de graça. Pede a mesma quantidade em ingressos para distribuição pelas redes sociais.

 

Há um ano, Isaac mora em Miami, mas vira e mexe vai a São Paulo. Vive na Flórida com a família: a mulher Caroline, com quem é casado há 15 anos e sua parceira na parte administrativa dos negócios, e tem três filhos: Sophie, 15 anos, Catherine, 13, e Jean Luc, três. E também o cachorro Oliver. “Todos com nomes franceses”, brinca. “Moro em Aventura e estou adorando. É diferente de São Paulo, muito gostoso, além de ter a praia, apesar de nunca conseguir ir”, conta.

 

 

O empreendedor

 

Nascido e criado em São Paulo, Isaac estudou nas melhores escolas. Dos três aos 15 anos, passava 40 dias das férias na parte francesa da Suíça com a família, esquiando. Daí, veio a paixão pela culinária francesa e a fluência na língua. “É meu segundo idioma. Me perguntam de que parte da França eu sou”, diverte-se.

 

Sua grande inspiração é a mãe, Jeanette Azar. “Ela fazia da nossa casa um grande restaurante. Ela cozinha muito bem. Certa vez, em um trabalho na escola, eu a desenhei com um avental perto do fogão. Achava aquilo lindo”, conta. Quando iniciou a vida de chef, ela sempre vistoriava a cozinha. Hoje, vai para ver como está a produção – quando o filho está fora do Brasil – e também tem um prato: fígado acebolado com batata frita.

 

Depois que terminou o colégio, Isaac morou seis meses na Inglaterra e, em seguida, foi estudar Direito em São Francisco. Abandonou após três anos para se dedicar ao trabalho – na época, atuava no mercado financeiro. Em seguida, foi trabalhar com a família, no ramo de automóveis. Tinha 22 anos. Começou vendendo carros e, após 11 anos de dedicação, comandando uma concessionária, largou tudo. “Meu irmão trabalhava com importação e tinha alguns produtos parados. Resolvi vender essas mercadorias”, conta.

 

O que ele não sabia era que entre aqueles itens parados estaria sua nova paixão: o azeite de oliva. “Sempre fui muito envolvido e apaixonado pelo que faço. Para vender qualquer coisa, você precisa ter conhecimento sobre ela.

 

Então comecei a estudar o azeite e me encantei por suas variedades e sabores”, conta. Ele foi o primeiro brasileiro formado pela Onaoo (Organizzazione Nazionale Assaggiatori Olio di Oliva), na Itália.

 

Em junho de 2004, decidiu abrir uma loja de azeites em São Paulo, que acabou tornando-se o restaurante Azait. Em pouco tempo, tornou-se um premiado na capital paulista. O restaurante fechou em 2008. O espírito empreendedor fez com que, em 2006, abrisse outro restaurante. Em uma homenagem à França pós-Revolução Francesa surge o Paris 6. Em dez anos, não acumulou muitos prêmios nem elogios de críticos gastronômicos, mas, sim, muitos fãs de seus pratos e sobremesas. “Comecei a encarar as críticas como uma forma de elogio. A casa vive cheia, isso que importa para mim”, diz.

 

 

Bate-papo com Issac

 

Após quase um ano em Miami, o que aprendeu sobre a culinária americana em comparação a brasileira?

 

Por lá nós tivemos que adaptar. Em Miami temos que tomar cuidado para sermos neutros. Não podemos puxar muito para o Brasil e nem as tendências fortes por lá. Eles não usam muito sal, mas sim pimenta do reino. A nossa maneira de salgar é muito forte para os americanos.

 

E sobre o seu gosto gastronômico? Para qual estilo está mais voltado?

 

Eu sou neutro para comer. Não posso ter paixões, já que comer para mim virou algo que faço para os outros. Eu sirvo para experimentar comida e pensar em como as pessoas vão receber aquilo. Meus pratos mesmo são simples, sem tempero, sempre básico.

 

O que achou da casa de Brasília?

 

Estou muito feliz! Desenhei todo o projeto e achei o resultado excepcional. Claro que existem alguns ajustes a serem feitos, mas estou super confiante. No entanto, lembro que o brasiliense precisa ter calma! Este projeto na cidade é grandioso para nós e o começo é sempre mais trabalhoso, uma adaptação.

 

Existe alguma chance de voltar a morar no Brasil? E outra franquia do Paris 6 em Brasília?

 

Atualmente não existe chance de eu voltar. Minha família ama Miami e devemos ficar por lá. Mas estou sempre na ponte aérea então para mim é tranquilo. Este ano pretendo me voltar mais para os restaurantes aqui no Brasil. Sobre uma segunda casa, ainda é muito cedo. A ideia da nossa expansão é tomar o Brasil, abrir novos restaurantes no País. Talvez uma segunda casa em Porto Alegre, mas Brasília ainda precisamos ver como seremos aceitos.

 

E como está a expectativa para a recepção do público na Capital?

 

A expectativa é grande aqui! Eu faço as postagens no Instagram e faço questão de ler todos os comentários. Os brasilienses são os mais calorosos. Escolhemos sempre onde será a próxima casa muito baseados nas redes sociais, foi nosso termômetro para investir aqui.

 

O cardápio é vasto! Qual a dica você dá para quem vem pela primeira vez?

 

A ideia é que o cliente venha e precise voltar depois para conhecer mais pratos. Eu sempre que estou disponível visito mesas, converso com clientes e dou dicas inspirado nos que eles gostam. Mas sempre existe os clássicos que não podem faltar como o Grand Gateau da Paloma Bernardi e o nhoque de brie da Marina Ruy Barbosa.

 

Como foi o processo de abrir o Paris 6 na Capital?

 

Ainda estamos estudando se vai ser de fato 24h. Quase certeza que sim, mas precisamos confirmar. Meu agradecimento especial vai para a revista GPS|Brasília, que me inspirou a abrir a casa em Miami e meu aconselhou sobre o melhor lugar para inaugurar aqui em Brasília. Espero daqui 40 anos agradecer ao Rafael Badra por ter aberto no lugar certo. A GPS tem uma história importante no Paris 6 de Brasília.

 


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