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Fun + funk + orquestra

FUNQQUESTRA comemora 5 anos de existência com show no Clube do Choro

Quem é convidado para um show de música instrumental, se for apaixonado pela sonoridade erudita, pode torcer o nariz para novidades. Entretanto, se o show for da banda Funqquestra, a chance da primeira impressão mudar é grande. Nele, o público vai encontrar oito jovens adultos, entre 25 e 30 anos, se divertindo com o batuque da mistura entre instrumentos clássicos e populares. São duas baterias, um teclado, uma guitarra, um baixo tocando em perfeita harmonia com trompete, sax tenor e sax barítono.

O primeiro contato da banda com a música pode parecer estranho. Não tem letra, não tem canto. Por outro lado, tem melodia, tem ritmo. O som dos garotos é dançante. Mistura reggae, funk, rock, música clássica, MPB, bossa nova. “Não é como se estivéssemos inventado a lâmpada, sabe? O nosso jeito de tocar já existe, mas reinventamos a maneira de fazer a música”, afirma o líder, criador da banda e baterista, Bruno Gafanhoto.

A Funqquestra é a consolidação do desejo pessoal de Bruno de ter uma orquestra contemporânea. Há cinco anos o sonho tornou-se real. O sucesso foi imediato. Digno de esgotar ingressos em três dia seguidos de apresentações no Clube do Choro de Brasília, logo no início da carreira em 2013.

No aplicativo Spotify, o único disco lançado faz sucesso com mais de dez mil saves apenas com a música Não Enche. No YouTube, a versão da música Happy do cantor Pharrell Williams ultrapassa vinte mil visualizações.

Origem

Bruno Gafanhoto começou a Funqquestra ainda fora do Brasil, em 2011, quando fazia mestrado na Universidade de Louisville em Kentucky, Estados Unidos. Estudava música instrumental e, na hora de escolher as matérias, pegou aulas de arranjo e composição. As duas cadeiras levaram-no a questionar-se sobre a proximidade da música instrumental à contemporânea - e até alternativa - das canções populares. "Por quê não arranjos mais ousados aliados a composições menos rebuscadas?", questionava-se.

Com o pensamento provocado, no ano seguinte, de férias no Brasil, o músico reuniu-se com alguns amigos e criou a primeira formação da Funqquestra. O nome vem de fun do inglês alegria, misturado com fun do funk. Uma letra "q" vem do som da palavra funk e a outra da palavra orquestra. Pronuncia-se tudo junto, ignorando-se o som de um "q". Um pouco confuso, mas dá para entender o trocadilho engraçadinho proposto pelo grupo.

Quando voltava para os Estados Unidos, Bruno produzia arranjos, criava melodias, buscava possibilidades sonoras aqui outra acolá. De férias na faculdade, retornava para o Brasil com os arranjos prontos. Os outros sete membros ajustavam-se ao som conforme o conhecimento em cada instrumento, sugeriam mudanças, treinavam e, quando menos esperavam, lá estava mais uma música.

Agora era só ensaiar e partir para os shows. “Vivi um namoro à distância. Um verdadeiro relacionamento. Era necessário tempo, disposição, paixão para não deixar a peteca cair”, confessa o baterista.

Amizade



Desde então, outros 70 músicos passaram pelo grupo. O número é alto, mas, para fazer parte do coletivo, é preciso entrar no ritmo da galera para não desviar a fundamental sintonia positiva, elemento que os une.

“Mantemos os ‘titulares’, mas temos sempre alguém na reserva, esperando para ser chamado e disposto a participar, ler as partituras e entrar na vibe da banda”, explica o segundo baterista, Pedrinho Augusto.

Pedrinho, aliás, aceitou o desafio de ser a segunda bateria na Funqquestra. Há aproximadamente um ano e meio sua presença foi requisitada pelo amigo. “Fico assim, até lisonjeado ao lembrar que o Bruno me disse ‘cara, se não for você, eu sinceramente não sei quem vai preencher esse espaço’”, contou aos tímidos risos.

Quem também quase não acreditou quando o telefone tocou com o convite para integrar a banda foi o tecladista Filipe Togawa. Meio calado e bastante talentoso, Togawa formou-se em Comunicação Social, mas, sempre quis viver de música. “Antes de participar do coletivo, eu ouvia o som deles e pensava ‘Caracas, imagina que irado fazer parte de um grupo desses?’. Num belo dia o Bruno me ligou. Não pensei duas vezes, topei na mesma hora”, orgulha-se.

Enquanto isso, curiando a entrevista, o fundador Bruno sorria meio de lado, quase engolindo o orgulho por ter membros tão dedicados. É preciso entender que a convivência constante de oito cabeças pensantes e com espírito de artista pode parecer conflituosa. “Não somos a primeira banda com muitos integrantes. Existem outras tão populares e divertidas como a nossa. Tem Los Hermanos, Móveis Coloniais de Acajú, além de uma orquestra possuir muitos integrantes. Elencar uma equipe na mesma vibe requer muito trabalho”, completa.

Com tal estilo, o grupo tenta mudar a visão carregada de pré-conceitos de que a música clássica e instrumental são elitistas ou chatas. No show da Funqquestra, a batucada vira dança, a falta de letras não incomoda, o espectador é tão importante quanto quem está no palco. A troca de energia é contagiante e, quando menos se espera, o espectador percebe-se dançando com os solos de Yuri Dantas (sax barítono) e Samuel Daniel (sax tenor).

Manter a qualidade é um desafio. Já passaram por momentos em que chegaram para tocar e o local não tinha uma mesa para comportar os instrumentos. "A falta de estrutura não é empecilho. Vamos lá, nos viramos e fazemos acontecer. É um desafio e adoramos ele”, conta Pedrinho.

Conexão BSB-USA



Em dezembro de 2016, a banda levou o som para território norte-americano. Pelos contatos formados por Bruno, os jovens conseguiram espaço em um festival universitário de Kentucky. Fizeram contatos e ganharam uma semana inteira de shows pelas redondezas da universidade. Em uma van, todos os instrumentos dividiam espaço com os meninos. “Se desse para fechar o porta malas do carro, pronto. Ninguém respirava, ninguém se mexia e seguíamos viagem”, contou Filipe Togawa, aos risos.

As universidades de Ohio e West Virginia também os receberam de braços abertos. Segundo eles, nunca se sentiram tão acolhidos em tantos shows. A rotina foi corrida: cinco apresentações em sete dias de Estados Unidos. “Meu corpo aguentou exatamente uma semana de batidão. No último dia, adoeci”, conta Pedrinho. Até agora, essa foi a primeira e única turnê internacional.

“Quando subimos no palco, pedimos para o público ser tão ativo quanto nós. A falta da música cantada às vezes incomoda, deixa a pessoa meio desconcertada. Mas, quando você se entrega ao som, percebe que está ali para se divertir”, afirma Bruno.

Muito mais do que fazer música, o objetivo dos rapazes é levar um som popular, diferente, aos ouvidos de quem se dispõe a ouvi-los. “Estamos tentando explorar a música de verdade, sabe? Como se ela se materializasse e conversasse com a gente”, completa Togawa.

Palcos

A ideia do coletivo nasceu na gringa, mas sua execução é toda brasiliense. Apesar de nem ser da cidade, o líder da banda enfatiza veementemente a origem da Funqquestra: "Somos nascidos no quadradinho. A capital, taxada de séria, chata e cinza conta com um bocado de arte que vêm sendo descoberta pouco a pouco”.

Por hora, vão continuar levando o som às casas de show, pub’s e espaços musicais de Brasília. O objetivo é quebrar as fronteiras da Capital. Até porque os maiores seguidores estão em São Paulo. “Apesar de nos conhecerem, nunca fizemos show por lá”, conta o líder da banda. Mas esse nunca vai se tornar passado muito em breve, no que depender dos garotos. Até lá, seguem vendendo o CD pelo site. Para 2017, podem se preparar: vem disco novo por aí. E os arranjos já estão no forno.

Comemorações

Enquanto o novo disco não sai, a banda se apresenta hoje, 8, e amanhã, 9, no Clube do Choro. Para esses shows, eles prometem um set diferente a cada dia, variando as músicas favoritas do público desde o início da banda, músicas autorais do primeiro CD e músicas inéditas do segundo. O público pode esperar também versões de clássicos como Tim Maia, Bruno Mars, Jorge Ben Jor e Michael Jackson, todos em versões instrumentais originais.

Serviço

FUNQQUESTRA, 5 anos!


Clube do Choro de Brasília
Setor de Divulgação Cultural, Bloco G - Eixo Monumental.
(Entre a Torre de TV, o Centro de Convenções e o Planetário)
Infos: (61) 3224-0599

Ingressos:
R$ 20 Meia-entrada
R$ 40 Inteira


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