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Bixa Preta

"Eu sou uma voz a mais vinda de um grupo que tem muito a dizer e a (des)construir e tem muita gente fechando com a gente nessa”, afirma Linn da Quebrada

Ela é preta, da periferia e trans. Com mais de 300 mil visualizações em seu hit “Enviadescer”, a cantora Linn da Quebrada rompe com todos os tabus e está se tornando referência entre os artistas que desconstroem gêneros, questionam estereótipos e militam firme levantando a bandeira do empoderamento das minorias.

Suas músicas trazem questões de ordem e promovem a auto-estima funcionando como uma arma contra opressões. Como ela costuma dizer, “um poder é um poder”.

 

 

Mas nem tudo foi glamour em sua vida. Vinda de uma família de crenças religiosas muito firmes, Linn demorou muito tempo até conseguir se encontrar em seu próprio corpo e, como muitos transexuais que enfrentam os desafios do entendimento de sua condição, ela também não entendia muito bem o que se passava com sua mente e seu corpo divergentes. “Só me libertei na adolescência, após trabalhar num salão de beleza e passar a me vestir e me maquiar como queria. Aquele foi o primeiro passo dado para meu entendimento enquanto corpo e possibilidades - de ser quem eu era e do que eu poderia fazer e transmitir a partir daí”.

 

Em sua forma de expressão artística, Linn decidiu que iria “mandar a real”, e encontrou na música este caminho. “Eu posso falar de mim, da minha experiência, de pessoas próximas a mim. Falo de um lugar de onde eu me reconheço: da quebrada, para a quebrada, com a quebrada”. 

 

 

De acordo com a artista, a música “Bixa Preta ”, fala exatamente sobre o empoderamento e como sua pele preta - que ela considera ser seu manto de sagrado - impulsiona o movimento trans e a coloca na linha de frente quando o assunto é a luta contra o preconceito de gênero. “A letra fala disso, de um fortalecimento, um papo bem reto para todas as manas e monas das quebradas que já viveram e ouviram ofensas simplesmente por serem quem são”, explica.

 

O fato é que, enquanto artistas como Linn da Quebrada, Liniker, Pablo Vittar e a nossa Aretuza Lovi constroem suas carreiras meteóricas, em seus rastros estão centenas de milhares de pessoas trans que vivem à margem de nossa sociedade, sofrendo toda ordem de violência e preconceito que você possam imaginar. A reboque desta onda glamourisada de artistas que ascendem aos holofotes da grande mídia, é preciso saber que ainda muitas pessoas são mortas simplesmente porque são diferentes dos padrões sociais aos quais nossa sociedade está habituada a “aceitar”. O fato de se “romantizar” este artistas não quer dizer que a aceitação está melhorando, pois o caminho ainda é muito longo e doloroso. Viver à sombra da sociedade, escondidos dentro de padrões estéticos incompatíveis com sua concepção mental de gênero, é a maior das prisões que um ser humano pode enfrentar. Falo isto porque o número de suicídios entre pessoas trans ainda é muito alto, e o apoio a estas pessoas ainda é muito pontual e escasso.

 

 

Entendo que é preciso que veículos como o nosso falem cada vez mais destas pessoas e não só dos artistas que agora se destacam por sua coragem de partirem para o enfrentamento contra este “exército” moral e pseudo religioso. Existe uma luta invisível aos nossos olhos que que se arma cada vez mais nas entranhas da política e nos dogmas religiosos de nosso país.

 

Isto ainda é tão evidente que Linn destaca: “A gente sai na rua e as pessoas acham que estão no direito de nos oprimir, mas não estão. Por isso nossa auto-estima importa. Além de nos fazer bem, de fazer a gente se voltar para nós mesmas, ela é também uma arma contra essas opressões. Eu sou uma voz a mais vinda de um grupo que tem muito a dizer e a (des)construir e tem muita gente fechando com a gente nessa”, afirma Linn da Quebrada.


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