GPS | CULTURA

Ele transcende

COLABORADOR Larissa Duarte   
|   03/06/2017 07:00 ( atualizada 03/06/2017 07:00)   
FOTO Cortesia   
Exposição de Marcelo Solá desembarca no Gabinete de Arte K2o

Começa com um risco aqui, outro rabisco acolá. Por meio de um objeto mágico - também conhecido como lápis - constroem-se representações gráficas reais e imaginárias. Esses primeiros desenhos foram o início da carreira do goiano Marcelo Solá. Na terça-feira, 6, sua arte desembarca no Gabinete de Arte K2o, em Brasília, em exposição individual de pinturas inéditas. Além da abertura da mostra, a ocasião contará com pocket show, painel grafitti e lançamento do livro de Pedro Kastelyns.

Desde a infância, o artista plástico apegou-se à arte como forma de expressão. Hoje, aos 46 anos, a técnica é parte integrante de sua vida, algo tão comum como vestir-se. “Desenhar para mim é uma festa, extensão da minha vida. Quando estou no processo de criação, contemplo a história da arte. Posso pintar qualquer coisa. Eu me coloco como Marcelo e apenas me expresso, literalmente”, confessa. Solá se autodefine como um desenhista obsessivo, inquieto e curioso, características que se refletem diretamente no processo criativo. Usa o preto em suas obras, uma cor difícil de ser trabalhada devido à vasta significação. Mesmo com toda a sapiência, Solá é tímido. Evita fotos, gosta do silêncio, prefere a tranquilidade às grandes badalações.


Para a galerista Luciana Caravella, que trabalha com o artista há 15 anos, Solá possui um trabalho de alta qualidade e uma liberdade rara de encontrar-se. “Marcelo é um artista espontâneo, sem prender-se a um estilo, o que acabou consolidando a sua marca. Talvez seria um expressionista abstrato, mas não se enquadra totalmente”, opina a marchand da galeria de nome homônimo, no Rio de Janeiro.

Desenho ou pintura? Essa é uma das primeiras questões que vêm à mente quando se admira-se a obra de Solá. O trabalho com o espaço da tela também chama a atenção do observador. Consegue trabalhar em detalhes em que preenche ou não o espaço do quadro, criando harmonia entre os traços. “Tenho um pouco da característica da pintura devido à multiplicidade de materiais que uso em uma só obra. Parece que ela salta do papel”, explica.



Além do desenho, a serigrafia é outra técnica muito usada pelo artista. A tela impressa vira pano de fundo para criar os desenhos por cima. Ele sempre mexe em seis, sete ou oito obras ao mesmo tempo. Dá 
pause em uma, vai para a outra, acrescenta um desenho, volta à primeira e, assim, dá forma à obra. 


“Com a serigrafia, a exclusividade da peça eleva-se, então faço poucos exemplares a partir dessa técnica muito antiga. Mas eu tento encaixar em um contexto contemporâneo”, explica. Em trabalhos para bienais, por exemplo, Solá fez desenhos-instalações, obras que são feitas diretamente na parede de uma galeria.

Nelas, impossível deixar de imaginar os signos gráficos presentes no desenho. “Para mim, a escrita é uma forma de desenhar. A letra é um símbolo e está ali para ser lida realmente, não é apenas um efeito visual”, afirma. Para ele, escrever faz parte do processo de leitura da obra como um todo, completando o sentido do desenho.

Refúgio

No momento de criar, concentra-se no ateliê de 400m², em uma chácara no município de Hidrolândia (GO), "escondido no meio do mato", brinca. É ali onde recebe os amigos, conta histórias, cria obras e acrescenta pontos na memória da arte. Em plena atividade, Solá prepara coisa nova, "ainda em gestação, por isso leva um pouco de tempo, mas, ainda para esse ano", levanta o suspense.

Para o GPS|Brasília, contou que trabalha em duas frentes, no momento, em obras inéditas para duas exposições individuais e na criação de um livro sobre os 15 anos de sua trajetória.  “Os lugares por onde passei, o que vou fazer no futuro… Tudo está ligado à minha biografia, pois é meu jeito de ver o mundo e eu não vou ignorar isso”, explica.

Memórias

Aos 13 anos de idade, as aventuras de Solá no meio artístico ficaram sérias. Os pais do jovem o matricularam na escola de desenho do Museu de Arte de Goiânia. Após sete anos de estudos, trocou a sala de aula pelo grafite de rua. “Eu e meus amigos fazíamos parte de um grupo de grafiteiros. Toda noite saíamos para deixar nossa marca pela cidade. Era a pura manifestação da rebeldia adolescente”, brinca.

Até que o grafite deixou de sustentar a ânsia artística de Solá. Em busca de algo que transcendesse essa linguagem, mudou-se de Goiânia para São Paulo. “Passei a estudar e visitar os ateliês de artistas plásticos, como Fernando Costa Filho e Roos. Fui muito incentivado por eles a continuar na área”, relembra.

Ao seguir os passos dos mentores, o crescimento e a visibilidade de Solá como artista aconteceram naturalmente. "Experiência vai, experiência vem e, quando vi, eu já estava elencado para algumas exposições. Fui pego de surpresa", conta o artista.

Reconhecimento

No final da década de 1980, expunha em mostras coletivas goianas. Ganhou a primeira bolsa do Museu de Arte de Brasília, em 1990. Passou um ano sendo financiado pela a academia e, no final, fez uma bela exposição no local.

Entretanto, um importante vértice em sua carreira foi a participação no projeto Antarctica Artes com a Folha de S. Paulo, em 1997. “Ali eu notei como meu trabalho cresceu. As pessoas começaram a me notar e os convites para exposições chegaram". Nessa hora, Solá teve certeza de que "seria um artista plástico para toda a vida. Estava tudo bem encaminhado”. Enfim, desta forma, a primeira exposição aconteceu em 2001, na Galeria Casa Triângulo, em São Paulo.

Todo o talento do artista goiano é fruto das experiências diárias acumuladas ao longo da vida. Entretanto, outras áreas o inspiram, entre elas, literatura e cinema. Nas artes plásticas, Joan Miró está entre os mais admirados. Nas letras, Solá destaca a poetisa marginal Ana Cristina César como um nome de presença na sua carreira. Um pouco apartado desse universo, mas, não menos importante, está a ligação com a arquitetura. “Se não fosse artista, com certeza, seria arquiteto. São evidentes as referências da arquitetura nos meus desenhos em um nível onírico, focada no improvável”.




Honrarias

Bolsa de Apoio a Pesquisa e Criação Artística, da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro;
Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea, duas vezes pela Funarte;
Indicado ao PIPA 2010;
Residências artísticas no Canadá, na Holanda e nos Estados Unidos

Serviço

Exposição Marcelo Solá
Data de abertura: 6 de junho, de 19h às 22h.
Local: Gabinete de Arte - SMDB Conjunto 31 Lote 1B - Lago Sul
www.gabinetedeartek2o.com


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