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Mãe & mãe

POR Sonia Vilas Boas   
|   14/05/2017 17:50 ( atualizada 14/05/2017 17:50)   
FOTO Luara Baggi   
Conheça a história de Patrícia e Davi, crianças adotadas por casal homoafetivo, que celebra a data em dose dupla

Amor de mãe não tem classe, cor, orientação sexual, tamanho e nem prazo de validade. Pelo menos não deveria ter. Dando continuidade ao especial de Dia das Mães do GPS|Brasília, apresentamos para os nossos leitores a história de Deia Barros e Cristina Tavares.

Após 10 anos de relacionamento, Deia e Cristina decidiram virar mães. Em dezembro de 2008 elas fizeram cadastro na adoção do Tribunal da Justiça e em novembro de 2010 receberam a ligação da vara de Mato Grosso do Sul contando a história de dois irmãos, de Três Lagoas. “Ficamos ansiosas e um pouco assustadas, porque o plano inicial era só uma criança, mas pensamos onde come um, come dois, e partimos para Mato Grosso”, conta Deia.


Entre cursos, entrevistas, meses de espera e burocracias da justiça, elas encontraram em Patrícia, na época com seis anos e Davi de apenas quatro, o amor necessário para finalizar o processo de adoção. “Duas semanas após estarmos habilitadas para sermos mães, recebi a ligação da vara falando que já podíamos ir buscá-los”, explica. 



Acompanhadas de assistentes sociais e psicólogos, elas passaram um fim de semana de adaptação com as crianças. “Assim que eu olhei para eles, já pensei, pronto, são meus filhos. Bateu na hora! Me lembro como se fosse hoje, uma tarde ensolarada de um sábado, a Patrícia apareceu com um vestidinho vermelho segurando a mão do Davi.”


A sintonia entre os quatro foi tão evidente, que em 15 dias Deia e Cristina não eram somente mais um casal, agora elas eram uma família completa. “Nossa vida mudou completamente. Desde o dia em que fomos buscá-los, o nosso objetivo é dar muito amor, carinho, cuidar e proteger”, conta Deia.

Apoio da família


Sem intervenções dos familiares e amigos, Deia e Cristina sempre tiveram o suporte necessário. “A primeira pessoa a saber foi minha mãe, e ela deu total apoio. Não tem uma pessoa que eu posso apontar e falar esse daí não me apoiou. No começo precisei até dar uma segurada neles, porque queriam encontrar toda hora, dar presente toda hora. Pedi calma e com o tempo eles entenderam e apoiaram mais uma vez a forma como queríamos introduzi-los na família.”

Funcionária do Superior Tribunal de Justiça, Deia também pode contar com o apoio dos colegas de trabalho. “Trabalho em um órgão super formal e tive um chá de mãe dos meus amigos. Ganhamos vários presentes e muito amor de todos que convivemos”, explica.

A separação

Separadas há alguns anos, Deia e Cristina compartilham a guarda das crianças. “Nossa rotina continua a mesma. Dividimos os finais de semana, temos calendário de férias, moramos próximas uma da outra para facilitar a convivência deles com nós duas e continuamos muito felizes.”


Patrícia e Davi



Patrícia e Davi vêm de uma família de oito irmãos. Após dois anos do nascimento do mais novo, os pais se separaram e eles ficaram morando com o pai. Sem conseguir compensar a vida de trabalho, social e paterna, vizinhos denunciaram algumas vezes para o conselho tutelar o abandono e descaso com as crianças. Após a segunda denúncia, agentes foram buscar os três menores e os levaram para um abrigo.

No início os irmãos tiveram medo de terem mais problemas. “Fiquei muito feliz quando soube que íamos ser adotados, mas tive medo de acontecer algo de ruim com a gente”, conta Patrícia.

Os dois ficaram no local durante nove meses, até serem adotados. Muito bem resolvidos com a família que os escolheu, Patrícia, hoje com 13 anos e Davi com 11, não ligam para o julgamento das pessoas por terem duas mães. “Conto para quem eu acho que tem que saber. Não vejo problema nenhum em ter duas mães, tenho muito orgulho das duas. Somos uma família e isso que importa”, finaliza Patrícia.


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