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Papo sério

"13 Reasons Why" e "Baleia Azul": por que dar tanta atenção? Psicólogo articula sobre o assunto

O que existe em comum entre um seriado em que uma adolescente passa por dores comuns que facilitam o suicídio, sem saber lidar com qualquer uma delas, e uma série de 50 tarefas em que a última é tirar a própria vida, amplamente divulgado nas diferentes mídias, com um tom desafiador do tipo "você é realmente corajoso-capaz?"?

Um se baseia nas causas comuns de suicídio de adolescentes; o outro, no como se matar.

O seriado tem alguns benefícios e um péssimo malefício: num ponto, chama atenção para o tema de sofrimentos comuns de adolescentes e o quanto é preciso aprender a observar alguns sinais de que o jovem está passando por um momento ruim-suicida; noutro, é colocado uma garota que passa por dores e, não sabendo lidar com elas, mesmo pedindo ajuda precariamente, não vê alternativa alguma, senão finalizar a própria vida. Com exceção de "jovens pop", as situações pelas quais a protagonista passa, em uma ou mais delas, a maioria dos jovens passa, passaram ou passarão. Importante é aprender a lidar bem com cada uma delas.

"Baleia azul" (em alusão à baleia azul que "se mata" encalhando na areia) é uma sequência de 50 tarefas em 50 dias, ao final da qual, comete-se suicídio. Elas transitam entre privação de sono (acordando todos os dias às 04h20); dessensibilização sistemática em relação ao suicídio, ou seja, acostumar-se com atos suicidas, através de cortes com navalha no próprio corpo e subida em prédios altos e guindastes; conversa-motivação de outras pessoas que estão passando pela sequência e administradores; ameaças em relação a familiares, caso tente parar as tarefas, pois os moderadores-orientadores têm acesso a informações particulares de quem se dispôs a começar o "jogo"; ouvir músicas psicodélicas e assistir a filmes específicos de terror. É um treino para se matar, com um apelo desafiador, que para o jovem perdido, cheira a "um sentido para a vida".

Não vejo benefício algum em falar sobre como aprender a se matar, mas considero fundamental pais e escolas ficarem atentos a situações de potencial intenso sofrimento de adolescentes e eventuais sintomas de que podem estar pensando sobre a ideia.

A vida traz momentos intensos de dor, ficando sempre a pergunta: O que estou precisando aprender sobre a vida para superar esta dificuldade? Se você não souber a resposta para essa pergunta, procure ajuda, seja em músicas, pessoas com saúde mental, familiares, amigos, filósofos e/ou profissionais da área de saúde mental.

*BAYARD GALVÃO é Psicólogo Clínico formado pela PUC-SP, Hipnoterapeuta e Palestrante. Especialista em Psicoterapia Breve, Hipnoterapia e Psiconcologia, Bayard é autor de cinco livros, criador do conceito de Hipnoterapia Educativa e Presidente do Instituto Milton H. Erickson de São Paulo.  www.institutobayardgalvao.com.br


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