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Cores, imagens e poesias

Historiadora e fotógrafa lançam livro que relata visual do diálogo da arte urbana com o cotidiano da Capital Federal

Cinquenta e sete anos após a inauguração da nova capital do país, Brasília e os brasilienses ganham uma publicação para instigar o olhar do cidadão. Relizado pela historiadora Renata Almendra e a fotógrafa, arquiteta e urbanista Juliana Torres, "Entre cores e utopias: o grafite em Brasília e seus arredores" é o resultado de meses de observação, com muitas imagens dos grafites no contexto urbano no qual estão inseridos. A autora e a fotógrafa registraram as ilustrações das ruas do Plano Piloto e de diferentes cidades do Distrito Federal. O livro, escrito em português e inglês, será lançado no dia 23 de abril, na Galeria UrbanArts, na 115 Sul, das 15h às 19h.

Quando Brasília estava sendo planejada, nem Oscar Niemeyer, nem Juscelino Kubitschek, nem Athos Bulcão, nem Burle Marx imaginaram a cidade tão inundada por cores, imagens e poesias. Hoje, essas formas de expressão e comunicação tomaram as asas do avião da capital e foram além, ocuparam as Regiões Administrativas. A arte urbana, democrática e acessível, dialoga e questiona a própria cidade em que se insere. 

No livro, a autora e a fotógrafa relacionam o grafite com o espaço tombado de Brasília, a dualidade entre as representações artísticas e as questões patrimoniais e urbanísticas; mostram as relações sociais entre a periferia e o centro e como o grafite se insere nesses dois contextos. "É a cidade que está criando uma identidade cultural própria. Aqui tem gente de tudo quanto é canto do país e a nova geração também está trazendo uma cara para Brasília. O grafite vem contribuir com isso, assim como o rock fez nas décadas de 80 e 90", afirma a historiadora Renata.


Juliana Torres e Renata Almendra

Em mais de 120 fotografias, Renata e Juliana mostram as novas cores que o concreto de Brasília ganha com a arte do grafite. Enquanto São Paulo assiste o apagamento dessa arte urbana pelo seu prefeito João Dória, em Brasília a expressão do grafite parece conquistar aos poucos o seu lugar na cultura da cidade. "A Esplanada (dos Ministérios) não tem cor, no máximo pintaram de branco o concreto aparente de alguns edifícios.De repente um grafite todo colorido quebrou essa utopia. Brasília foi muito engessada. O tombamento criou essa rigidez. A arte urbana quebrou esses conceitos e a rigidez do modernismo. É esse olhar que queremos passar. Procurei a ousadia nas fotos e como o grafite muda o dia a dia das pessoas", comenta a fotógrafa, arquiteta e urbanista Juliana.

Apresentada pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal, uma parte da publicação será distribuída gratuitamente para escolas de Ensino Médio do DF, bibliotecas públicas, bibliotecas de instituições de Ensino Superior e instituições de assistência social. Além disso, pelo menos 50 grafiteiros receberão o livro. "Nosso foco é a arte com a cidade. O objetivo maior que sempre me impulsionou é despertar o interesse das pessoas, instigar o olhar para a arte que está ali ao lado. Por isso, a linguagem do livro é acessível e, em alguns momentos, é até uma conversa com o leitor", explica a historiadora Renata.


Na capital do Brasil, as escalas monumentais preservadas pelo tombamento e o título de Patrimônio Cultural da Humanidade passaram a conversar com os tons coloridos de sua gente. Nas paradas de ônibus, na Rodoviária do Plano Piloto, nos muros de escolas, na Ceilândia, em Samambaia, em avenidas como a W3 Sul, a arte urbana tem seu lugar. O grafite, como manifestação artística e cultural, trouxe vida para Brasília. Humanizou e coloriu a cidade de Oscar Niemeyer e Lucio Costa. A capital mostra que não é só o modernismo arquitetônico que a caracteriza e o livro Entre cores e utopias: o grafite em Brasília e seus arredores instiga o olhar do leitor e revela, sem citar nomes, o legado deixado pelos grafiteiros.

Serviço

 

Lançamento do livro "Entre cores e utopias: o grafite em Brasília e seus arredores"
Data: 23/04/17
Local: Galeria UrbanArts - 115 Sul (ao lado do Ernesto Café)
Horário: das 15h às 19h
Preço sugerido: R$ 50
Editora: LetreriaNum. Páginas: 120
Tiragem: Mil exemplares


 


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