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Nova cena

COLABORADOR Thamara Abrahão   
|   17/04/2017 07:00 ( atualizada 17/04/2017 07:00)   
FOTO Cortesia   
Repleta de talento, comprometimento e qualidade, a cena atual da música brasiliense está com tudo

Desde os tempos de Renato Russo, Brasília sempre foi um cenário efervescente de música. Hoje em dia, se mudou, foi para melhor. A cena de bandas autorais na Capital está cada vez maior e melhor, com gente talentosa e dedicada trazendo visibilidade para a cidade. Isso muito se deve à união entre as bandas, que, ao se ajudarem e se incentivarem, acabam crescendo juntas.

 

No início de abril, aconteceu o festival Tenho Mais Discos Que Amigos!, trazendo várias bandas locais. “Você via pessoas que estavam ali realmente pra ouvir e conhecer novas bandas. Temos que ter mais festivais assim” torce Tynkato, vocalista e guitarrista da Lista de Lily. De fato, a tendência é que cada vez mais eventos deste tipo aconteçam, por conta da procura por parte do público, que valoriza cada vez mais as bandas autorais brasilienses. “Há muita qualidade no que tem sido produzido musicalmente aqui na nossa cidade” afirmam os integrantes da MDNGHT MDNGHT.

 

Banda Alarmes no festival Tenho Mais Discos que Amigos! (Foto: Breno Galtier)

 

Mas é claro que nem tudo são flores. Bandas autorais sempre passaram por algumas dificuldades e, infelizmente, continuam passando. Baixos cachês, falta de patrocínio, alugueis de estúdios,  gravações caras e até a falta de respeito e seriedade por parte de alguns donos de casas de show e produtores culturais são alguns dos problemas a serem driblados. Com isso, a multifuncionalidade dos integrantes acaba se fazendo necessária. “Além de músicos, temos que ser web designers, assessores de imprensa, publicitários, produtores de eventos, especialistas em mídia, lojistas, costureiros, tudo!” diz Múcio Botelho, vocalista e guitarrista da banda Lupa.

 

Mas eles garantem: o retorno que recebem faz tudo valer a pena. “O público de Brasília é maravilhoso! Os shows com maior energia que fizemos foram aqui, graças a esse público que está sempre presente e nos acompanhando desde o início”, declaram os integrantes da banda Alarmes.

 

Na foto em destaque, a banda MDNGHT MDNGHT (Crédito: Yvã Santos).

 

 

Alarmes

 

(Foto: Gabriel Oliveira)

 

Arthur Brenner (vocal e guitarra), Gabriel Pasqua (bateria) e Lucas Reis (baixo) se conheceram no ensino médio e estão juntos desde 2014 na banda de Indie Rock. Carregando o interesse pela música desde sempre, eles têm como influência bandas como Arctic Monkeys, Queens Of The Stone Age e Foals.

 

Completando um ano do álbum “Em Branco”, acabaram de lançar um novo clipe, da música “Não Quero Mais” e no final do mês vão fazer uma turnê ibérica, com shows marcados em Portugal e na Espanha. Ainda para este ano planejam lançar novos clipes, turnês e mais. “No segundo semestre vamos começar a trabalhar no nosso próximo álbum. Estamos bem ansiosos por isso!” comemoram os músicos.

 

 

Lista de Lily

 

 

Influenciada pela tropicália e pelo neo-psicodelismo de bandas como Boogarins, Carne Doce e O Terno, a banda foi formada em 2015 de forma despretensiosa por jovens que só queriam tocar. Hoje formada por Adolfo "Dolfits" Neto (synth e vocal), Tynkato (guitarra e vocal), Danilo Abreu (bateria) e Lucas Lima, a Lista de Lily é peça importante da cena atual da música independente.

 

Junto com a banda The EgoRaptors, realiza o evento “Vai Tomar no Cover”, projeto no qual levam música pras ruas de Brasília com o próprio palco e gerador de energia, atraindo o público para este estilo.

 

Em março, o grupo se apresentou no festival South by Southwest em Austin, no Texas, sendo um dos 500 escolhidos entre os mais de 2,5 mil inscritos pelo mundo inteiro. “É sempre muito bom quando a gente chega em outra cidade ou país e nosso som é bem recebido” diz Tynkato. Eles acabaram de lançar os singles “Dinheiro” e “Átomo” e estão começando a produzir o primeiro álbum da banda, que ainda não tem data de lançamento.

 

 

Lupa

 

(Foto: Diego Bresani)

 

Múcio Botelho (vocal e guitarra), André Pires (teclado, percussão e voz), João Pires (bateria), Victor Fonteles (guitarra) e Lucas Moya (baixo) sempre estiveram envolvidos com música e chegaram a participar de várias bandas até se encontrarem. Hoje a Lupa já está junta há quatro anos.

 

Com integrantes de gostos completamente diferentes, a banda não se limita a um só estilo. “Nossas cabeças vão do Indie Rock ao Alternativo, do Pop ao Progressivo, e às vezes rola uma pausa até no Samba, no Sertanejo e no Axé. Não existem limites” eles dizem.

 

Ainda este mês vão lançar seu primeiro álbum, “Lupercália”, que foi inteiramente financiado pelos fãs. O primeiro clipe da banda está chegando à TV e as duas primeiras músicas do novo álbum, “Lunático” e “Justo Eu”, já estão tocando nas rádios. O grupo está com a agenda cheia e vai passar por várias cidades.

 

 

MDNGHT MDNGHT

 

(Foto: Yvã Santos)

 

Hoje formada por Henrique “Bepo” (vocal, guitarra e teclado), Henrique “Biu” (guitarra e vocal), Maurício “Malms” (baixo e sintetizador) e Anderson Freitas (bateria), a MDNGHT MDNGHT está junta desde 2014. Os integrantes se conheceram por meio da cena Rock de Brasília, enquanto alguns ainda tocavam em outras bandas.

 

No início com influências internacionais, como Duran Duran, Tears For Fears, Michael Jackson, Bee Gees, The Police etc., o grupo passou por um amadurecimento e pela transição de composições em inglês para o português, e começou a se inspirar em artistas como Gilberto Gil, Djavan, Jorge Ben Jor, Francisco El Hombre, Scalene, Supercombo e outros.

 

Além da gravação do primeiro álbum, eles têm grandes planos ainda para este ano. “Pretendemos fazer mini turnês pelo Brasil, participar de programas de TV e festivais já confirmados que ainda não podemos divulgar e lançar mais dois clipes de músicas do “Colora”, nosso EP recém-lançado. Além de algumas gravações de músicas novas ao vivo em estúdio” dizem os integrantes.

 

 

Virou documentário

 

Diante da cena atual da música brasiliense, com tanta qualidade e variedade, teve gente que se inspirou a retratá-la de alguma forma. Em uma parceria de Daniel Noronha (produção de fotografia e edição), Gabriela Cardoso (codireção e roteiro), Jéssica Cardoso (fotografia) e Gabriel Menezes (codireção e produção), está sendo produzido, sem patrocínios, o documentário A Nova Cena, mostrando o período musical de 2008 até aqui e abordando vários assuntos e visões dentro do tema. “A motivação surgiu da paixão por música e por acompanhar o envolvimento que a galera das bandas tem sem receber o devido reconhecimento (...) A música produzida em Brasília atualmente é riquíssima em personalidade e conteúdo, acompanhando a evolução da cidade” argumenta Daniel.

 

 

Depois de todo um processo de escolha da linha narrativa, pesquisas, seleção das bandas, entrevistas etc., o documentário já está em fase de edição e, em breve, terá o seu primeiro teaser lançado. Ao todo foram 17 entrevistas e 15 bandas escolhidas, dentre elas Scalene, Dona Cislene, Lupa, MDNGHT MDNGHT, Alarmes, Etno e Massay, sem contar com a participação de equipe técnica e produtores.

 

A previsão do lançamento do projeto, que ocorrerá em um evento específico, é para o segundo semestre deste ano. A ideia é tentar a distribuição do filme em algum cinema da cidade e, mais para frente, disponibilizá-lo na internet. Mais informações na página facebook.com/anovacenabrasilia.


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