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Lispector em cena

Espetáculo de dança em homenagem à escritora Clarice Lispector ganha os palcos de Brasília

A diva Clarice Lispector (1920-1977), suas densas letras, o universo feminino, a traição e outros temas psicológicos ganharam vida e novas cores nos palcos. Homenageando a escritora e as mulheres, o espetáculo Clarice Lispector em Movimentos lotou o teatro da Caixa Cultural Brasília em março. Após sucesso da primeira temporada, a atração volta em cartaz no sábado, 1º de abril, às 17h e às 20h, e no domingo, 2, às 19h, no Teatro Sesc Garagem, n 713/913 Sul.

 

Para quem não pôde assistir, esta é a última chance para conferir a magia de Clarice em cena. Em dois atos com duas horas de danças, movimentos fortes, cenários impactantes, teatro e poesia, a diretora carioca radicada em Brasília, Jana Marques, traz para o público junto com o grupo Azzo Dança um universo ainda pouco conhecido de Lispector. Uma mulher que, em pleno século 20, revolucionou a literatura e as artes, em geral, por falar de temas delicados para época, mas essenciais e mais atuais do que nunca.

 

À frente dos 16 bailarinos de sua companhia, Jana mostra um bailado particular da escritora. Ela resgata pela dança textos fortes ainda pouco conhecidos daquela que virou uma das maiores referências da literatura brasileira. “Eu quis sair do comum. Quando comecei a pesquisar a escritora, vi que existem muitos contos seus ainda pouco conhecidos. Foram estes contos que quis trazer para a dança, para os palcos”, relata a coreógrafa e diretora Jana Marques.    

 

 

Letras ganham movimentos

 

Em dois atos, o público poderá imergir e viajar nas crônicas recitadas, no cenário, nos bailados, na poesia e nos trechos da emblemática entrevista que Clarice Lispector concedeu em 1977 e que só foi divulgada após sua morte, 10 meses depois da gravação.

 

A diretora optou por trazer no primeiro ato o feminino, as relações familiares nas décadas de 40 e 50 e a submissão da mulher perante a sociedade. Os temas serão encenados e mostrados em ações que valem-se, por exemplo, de objetos como uma mesa, pratos giratórios em analogia ao tempo e outros acessórios que enaltecem os costumes da época. Na pele de Lispector, a atriz e bailarina Juana Miranda vai, além de dançar, recitar Clarice.

 

Já no segundo ato, o foco serão três contos ainda pouco conhecidos da escritora. Um deles é Onde Estivestes de Noite, do livro homônimo, que aborda temas como prostituição, bigamia, homossexualidade e assassinato. Neste momento, uma dança andrógina tomará conta do palco. Já na sequência, a obra A Via Crucis do Corpo vai tomar forma através de interpretações de contos que englobam O Homem que Apareceu e Ele Me Bebeu. De uma maneira densa, crítica e crua, o corpo em ação falará do bígamo e de sua aceitação seguida de punição pelas próprias mulheres. Ainda, o espelho, considerado por Lispector um reflexo da beleza natura das mulheres, terá um papel importante nos tablados. “Clarice gostava muito de trabalhar o espelho, neste sentido de se perceber, se ver, da aceitação como somos. Já no Ele Me Bebeu falamos da trapaça, do ato de passar a perna”, explica Jana Marques.

 

Serviço:

Clarice Lispector em Movimentos

Dias 1º de abril (sábado), às 17h e às 20h, e no domingo, às 20h.

Local: Teatro Sesc Garagem (713/913 Sul) O espetáculo está sujeito à lotação.

Ingressos: R$ 10 (meia-entrada)

Não recomendado para menores de 14 anos.

Informações: 3445-4401


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