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COLABORADOR Redação   
|   16/03/2017 10:00 ( atualizada 16/03/2017 10:00)   
FOTO Cortesia/Marcelo Donatelli   
Conheça grifes de luxo que se retiraram do Brasil em crise

O Brasil é o segundo país emergente que mais consome produtos de luxo, fato que pode ser facilmente percebido pela crescente presença de marcas de luxo em seu território. As mais renomadas marcas de luxo se instalaram no Brasil com a expectativa de lucratividade em curto prazo. Cidades como São Paulo, Curitiba, Brasília, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro possuem shoppings que recebem exclusivamente lojas do segmento, verdadeiros redutos de luxo que atraem consumidores nacionais e internacionais. A especialista no mercado de luxo, Carolina Boari, enfatiza que, no Brasil, diferentemente de qualquer outro País, o consumo de luxo pode ser parcelado, ou seja, essa facilidade de pagar atrai também a classe média, ansiosa por artigos do setor.

O cenário promissor das grifes de luxo, foi abalado pela grave crise econômica que se instalou no País. Fatores macroambientais como, por exemplo, a desaceleração da economia, instabilidade política, elevação cambial, despesas trabalhistas, além da alta carga tributária praticada no Brasil, fecharam as portas de algumas marcas que perceberam um custo operacional impraticável. “A falta de investidores e a expectativa de lucros em curto prazo, que não ocorrem, trouxe à tona dificuldades burocráticas encontradas no país, afastando imediatamente várias marcas importantes do território nacional”, explica Carolina Boari.




Os redutos de luxo como os shoppings Cidade Jardim e JK Iguatemi, localizados na capital paulista, ampliaram a segmentação do luxo e passaram a acolher marcas de consumo de massa como forma de conseguir maior rentabilidade. O JK, por exemplo, está estruturado como uma pirâmide invertida, no qual as marcas mais caras e consagradas encontram-se no primeiro andar e as demais, mais populares, ocupam os demais pisos do edifício. O Cidade Jardim ampliou suas instalações e apresenta uma simbiose entre marcas como Chanel, Hermès e Louis Vuitton às mais acessíveis como Zara, Hering e PBKids.


Após a percepção de baixa ou nenhuma lucratividade, grifes internacionais deixaram o País, encerrando suas atividades. A centenária marca Ladurée, reconhecida pelo estilo luxuoso do palácio de Versailles e cultuada no filme de Sofia Coppola, Maria Antonieta, deixou o Brasil após quatro anos de atuação no shopping JK Iguatemi. A justificativa do fechamento da loja foi dada em função da crise econômica e da impossibilidade de repasse de preços aos consumidores, sendo que a unidade de macaroon, doce ícone da marca, custava R$ 11, o mesmo valor da importação do produto.



A Vilebrequin, conceituada marca de moda praia adorada por celebridades, após oito anos de atuação se despediu do país e fechou suas lojas. As peças mais procuradas eram os shorts de praia que custavam, em media, R$ 900 e, com a desvalorização do real, o valor aumentou para cerca de R$ 1.400, valor inviável de ser praticado, de acordo com os gestores da marca.

A marca americana de acessórios, Kate Spade, após cinco anos de operação, também encerrou suas atividades no Brasil, deixando apenas a loja do Aeroporto Internacional de Guarulhos aberta. A marca pretende trabalhar, exclusivamente, com distribuidores locais, em vez de possuir lojas próprias. O segmento hard luxury, joalheria, perdeu a única loja da marca Piaget na América Latina, instalada no shopping Cidade Jardim, de São Paulo, no final do ano de 2016. Antes de completar dois anos de exercício, a marca se retirou do território nacional, apesar de seguir presente através de importantes revendedores, como Grifith, Montecristo e Sara Joias.



A marca francesa de moda Lanvin, que leva o nome de uma das estilistas mais conceituadas da alta costura, Jeanne-Marie Lanvin, é reconhecida por um estilo clássico e romântico por tecidos fluidos, rendas e uso de cores sóbrias. A marca não agradou as consumidoras brasileiras, que não viam sua identidade nas roupas confeccionadas e encerrou suas atividades após três de anos de atuação por aqui.

De acordo com dados da Euromonitor, o cenário para o mercado de luxo no Brasil não se mostra muito encorajador, sendo que “Para 2017 a estimativa é de um crescimento de vendas de 1% acima da inflação”, evidencia Carolina Boari. Em comparação com o ano de 2013, o crescimento para o segmento foi de 11%, segundo a mesma fonte. Ao deixarem o país, todas as marcas realizaram uma queima de estoque de seus produtos, ação que pode ser entendida como “pecado” no mercado de luxo.

**Carolina Baori é pesquisadora do mercado de luxo. Trabalha na divulgação de tendências nacionais e internacionais da área. Com larga experiência internacional, Carolina traz informações sobre o mercado do luxo para quem deseja estar por dentro das novidades e inovações e possui conhecimento em comunicação do mercado de luxo e o consumidor, com ênfase em teoria semiótica para análise de campanhas publicitárias, lojas, produtos, ações de marketing especificas desse setor. 


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