GPS | ENTREVISTA

Gente que faz: Vicky Tavares

COLABORADOR Pedro Lira   
|   28/11/2016 07:00 ( atualizada 28/11/2016 07:00)   
FOTO Fernando Veler   
Brasiliense abriu mão de carreira na moda para fundar e administrar ONG voltada a crianças portadoras do HIV

O amor é capaz de superar qualquer obstáculo! É nesse clima, de esperança e trabalho humanitário, que o Gente que faz... e transforma! conta a história de Vicky Tavares, fundadora do Instituto Vida Positiva. A brasiliense largou sua carreira como empresária de moda para assistir crianças e jovens portadoras do vírus HIV e hoje faz a diferença na vida de mais de 140 famílias.

 

A história começou ainda nos anos 1980. O boom da Aids levou um grande amigo de Vicky. Já na época, o preconceito sofrido pelos portadores da doença foi suficiente para incomodar a brasiliense, fazendo Vicky trabalhar como voluntária em hospitais e ONGs para ajudar os portadores. “As pessoas sempre viram o HIV como uma doença moral e era contra isso que eu queria lutar”, explica.

 

Foi por volta de 2006 que decidiu escutar o chamado e abrir sua própria ONG. O Instituto Vida Positiva começou em Taguatinga, e funcionou como regime de abrigamento por sete anos. “Eu já conhecia muitas das crianças e tinha noção de como era a situação dos portadores de HIV aqui no DF”, relembra. Na época, 37 jovens viviam no Instituto. Muitas não tinham família ou condições de voltar para casa. Com o tempo, grande parte foi adotada ou reintroduzida em seus lares.

 

Foi três anos atrás, já instalada na Asa Sul, que Vicky optou por trabalhar como creche. Das poucas crianças que ficaram desde os primeiros anos, alguns já são jovens e optaram por continuar no Instituto. “Eu não consegui largá-los e nem eles a mim”, conta a Vovó. Hoje o instituto conta com 17 assistidos que levam uma vida ativa. Eles estudam e têm aulas de reforço, praticam esportes como basquete, judô, karatê e aulas de dança, street dance e sapateado.

 

O apelido de avó surgiu ainda no começo. “Eles me chamavam de Tia Vicky mas eu sempre quis algo mais acolhedor”, conta. Defensora da ideia de que não existe lugar no mundo melhor do que casa de vó, a brasiliense se batizou de Vovó Vicky. “Passo todo o amor que sinto dessa forma”, explica.

 

Além dos jovens que frequentam o Vida positiva, a ONG faz um trabalho fundamental nos hospitais do Distrito Federal. Cerca de dois mil lanches são distribuídos nos cinco principais hospitais de Brasília que fazem o exame de HIV. É assim que a assistente social do grupo entra em contato com os portadores e tem acesso a situação de cada família. Dessa forma, o Instituto tem uma lista com 140 famílias que contam com o apoio do Vida Positiva, seja com cesta básica, remédios, utensílios domésticos, auxílio nas contas etc.

 

Devido a situação financeira restrita de grande parte dos portadores, Vicky sentiu necessidade de reforçar o lanche. “Os exames demoram e essas pessoas muitas vezes não podem pagar um almoço. Assim, nosso motorista busca e nós oferecemos cerca de 20 a 30 vouchers de almoço no Instituto por semana”, acrescenta.

 

Vicky e a filha, Sandra Tavares

 

Empreendedorismo

 

Além das doações da comunidade civil, a Instituição funciona financeiramente da venda das famosas farofas preparadas por Vicky. “Uma instituição não pode viver de ganhar, os jovens têm que entender que lá fora a vida não é fácil. Temos que trabalhar para ter as coisas”, justifica. É com o lucro dessas farofas que o Vida positiva paga pelos dois mil lanches distribuídos mensalmente.

 

A organização é simples. Durante o sábado, voluntários preparam os lanches, que são distribuídos nos hospitais na segunda-feira. Algumas das crianças ajudam na organização e, segundo Vicky, se sentem ainda mais importantes. “Trabalhamos para que todos tenham espírito solidário e consciência de que precisamos estar juntos, sempre”.

 

Para a brasiliense, essa união é tão importante que, das crianças que ficaram no Instituto nos primeiros anos e não encontraram um novo lar, Vicky adotou duas e tem a guarda de uma terceira. “Com 68 anos eu consegui adotar duas crianças, de 11 e 12 anos. É difícil mas a força do amor sempre vence”, defende. “Criá-las é trabalhoso, mas tudo na vida dá trabalho”, defende.

 

Uma luta diária

 

“A Aids não tem cura, mas tem tratamento. O que não tratamos com remédio é preconceito”, diz Vicky. Segundo ela, o preconceito sofrido pelas crianças é um dos maiores desafios enfrentados por eles. “Já tivemos vizinhos que lavavam a calçada quando elas passavam. São coisas absurdas que essas crianças passam”.

 

A solução para isso, segundo ela, é fácil e ao mesmo tempo difícil. “O tratamento para preconceito é amor. O dia em que o ser humano entender que o outro é tão importante quanto ele, as coisas mudam. Temos que parar com preconceitos, sexual, racial, financeiro... Não estamos aqui no mundo para julgar ninguém”, defende.

 

Doações

Caixa Econômica Federal

Ag: 1041. Operação 003

Conta corrente: 385-0

Telefone: 3034-0040/ 3034-0947

www.vidapositiva.org.br

 


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