GPS | ENTREVISTA

Bate-papo fashion

COLABORADOR Redação   
|   31/10/2016 17:07 ( atualizada 31/10/2016 17:07)   
FOTO Luara Baggi   
Estilista e consultor de moda Walter Rodrigues bate papo com o GPS|Brasília. Confira

O estilista e consultor de moda Walter Rodrigues deu rasante na Capital para a terceira edição do Circuito ParkShopping Fashion Campus de Moda, Arte e Design. Ele trocou palavras com representantes locais e falou sobre como ler cenários e inovar no mercado fashion. Em sua bagagem, Walter leva uma marca própria, além de se envolver com projetos sociais de empreendedorismo no Brasil. Ele também selou parceria com algumas marcas, como a C&A.

 

O consultor de moda participou de um bate-papo exclusivo com o GPS|Brasília. Confira:

 

 

1) Quais são os anseios do mercado de moda atualmente?

Uau, anseio é uma palavra muito forte. É muito importante pensarmos em um Brasil regional. Cada lugar desse país tem uma identidade, diante da nossa diversidade, diante do nosso clima, do continental. O que eu anseio é que cada um, da sua maneira, consiga expressar sua cultura, seu meio ambiente e seu bioma, e que fale dessas referências e traduza isso em produtos impactantes e que realmente sejam encantadores.

 

2) O conceito de moda mudou nos últimos anos? E o do vestir-se?

Para mim, o conceito de moda sempre foi algo ligado ao conforto. Se você está bem com o que está vestido, você enfrenta qualquer parada. Vestir-se bem significa produtos incríveis, bem feitos, confortáveis, com qualidade e selo de origem. A internet faz o papel dela, que é tornar as discussões sobre moda mais amplas, fazendo com que a moda assuma cada vez mais essa função de expandir o pensamento.

 

3) As semanas de moda estão se reinventando. Você acredita nesse formato?

O desfile é uma comunicação. Nós estamos adequando os desfiles à maneira de se mostrar. Depende de onde estou, do tamanho da marca, para quem estamos falando. Ai sim sabemos se o desfile vale ou não vale.

 

4) Atualmente, o streetstyle pode ter mais relevância que a passarela?

O streetstyle sempre foi algo muito interessante em relação à inspiração. O consumidor é o detonador de toda a história. E o que eu acho mais facinante é que o consumidor é corajoso. Mas tem dias que somos mais corajosos de manhã, mas queremos copiar o cabelo da amiga depois do almoço e que a gente quer o que todo mundo tem no fim do dia. Nós somos mutáveis. É lógico que nós vamos adaptando e aprendendo ao longo da vida.

 

5) A semana de moda de Milão teve a polêmica entre blogueiras e editores de moda, que acusam os influenciadores de serem “os porta-vozes da morte do estilo”. E dizem que "os blogueiros são patéticos e horríveis". Eles ainda condenam o fato de que essas pessoas usam vários looks por dia em roupas emprestadas. O que acha dessa nova e avassaladora mídia?

Eu acho os blogs incríveis, mas existe uma palavra que é "propósito". Se você pegar uma blogueira brasileira, será que ela realmente usa Riachuelo no dia a dia? Quando o blog nasceu, você contava experiências pessoais. A partir do momento que as pessoas começaram a seguir essas experiências pessoais, entrou a grana no meio. Quando você não está sendo transparente e verdadeiro não vale. Mas quando pegamos blogs que possuem a experiência e a voz da pessoa ai sim vale a pena.

 

 

 

6) O que um jovem estilista deve pensar ao iniciar essa trajetória?

Eu sempre digo a mesma coisa: coragem! Não é algo fácil. Se você não for persistente, não tiver garra e determinação, não funciona. Tem que dar a cara. Seja você mesmo. Observe como as pessoas se comportam e como o mundo se comporta, e faça produtos para essas pessoas.

 

7) Sua impressão sobre a moda brasileira se mantém a mesma desde 20 anos atrás? Evoluímos e regredimos onde e em que?

Ela evoluiu sem dúvida. Eu não penso em regressão. Nós somos mais democráticos. Meninos usam saias, meninas raspam o cabelo. É uma evolução gigantesca com os padrões. Se não há pessoas que quebram esses padrões, a geração futura sempre vai ser mais atrasada. A juventude está conectada sim. Idade é algo irrelevante. O que vale é o que está na sua cabeça.

 

8) E o Walter Rodrigues? É o mesmo? Mantém acesa a paixão pela moda e pela costura?

Eu não mudei. Continuo o mesmo. O mercado te dá muitas oportunidades, se você explora isso direito. O bacana é que na minha vida eu posso ter construído um conteúdo que hoje eu posso usar e compartilhar com as pessoas. Foi difícil fechar tudo em 2012 mas eu não tenho amargura nenhuma. Sou absolutamente feliz com o que eu faço. Ter uma abrangência no mercado brasileiro e influenciar tantas pessoas é maravilhoso.


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