GPS | ENTREVISTA

Solta o som

POR Sonia Vilas Boas   
|   18/10/2016 07:00 ( atualizada 18/10/2016 07:00)   
FOTO Fernando Veler   
O melhor do Brasil é nosso! Conheça a história do DJ A, campeão da etapa nacional do Red Bull Thre3Style

Você pode não conhecer o Allysson, nascido em Brasília, criado no P Sul, na Ceilândia e formado em Tecnologia da Informação, mas com certeza já dançou e muito ao som das picapes do DJ A, residente de festas como Melanina, MiAME e Beat. Aos 37 anos, um dos DJs mais requisitados da cidade, ganhou o título de Melhor do Brasil na etapa nacional do Red Bull Thre3Style. Mais uma conquista para uma história que começou nos anos 90 com uma brincadeira de criança.

Seu primeiro contato com a música foi quando, ainda jovem, começou a frequentar o CONIC. “Eu ia muito para o CONIC e ficava horas nas lojas de vinil, que hoje nem existem mais. Na época, ouvia muito o programa Mix Mania, do DJ Celsão, que faleceu há pouco tempo. Ele tinha essa pegada black e tocava de tudo. Foi aí que criei o gosto por esse estilo de som”, conta.

Com 15 anos, em uma viagem de férias para Santos, Allysson reforçou ainda mais a paixão pelo rap e hip-hop. Os primos que moravam na cidade também serviram de influência. “São Paulo, naquela época, estava muito à frente de Brasília, no sentido musical. Meus primos dançavam em festas e me levavam junto. Quando voltei de viagem, trouxe várias outras influências que se mesclaram com as que eu já tinha e essa paixão pela música se enraizou”.





Sem pretensão nenhuma, A começou a brincar com os discos e um som que tinha em casa. Com 18 anos, o DJ passou a ser parte de uma banda de punk e hardcore. “Meus amigos resolveram criar uma banda e como eu não tocava instrumento nenhum, eles me chamaram para ser o DJ. A partir daí que me interessei pela profissão e passei a treinar para me apresentar com eles”, lembra.

Os pais nunca frearam Allysson. Foi inclusive com a ajuda de seu pai, que ele conseguiu inteirar o dinheiro necessário para comprar seu primeiro par de toca discos. Na época, ele trabalhava no McDonald’s e ganhava R$ 0,56 por hora. “Meus pais nunca me podaram, mas também não ficavam falando para eu investir nisso. Eles queriam que eu estudasse”, relembra.






Apesar de lotar as pistas de dança por onde toca hoje em dia, DJ A também já esvaziou algumas. “Minha primeira vez tocando em uma festa foi terrível. Fiz um set com o que eu gostava de ouvir e nem me preocupei com o público, e as pessoas pareceram não gostar muito. Nos primeiros cinco minutos a pista esvaziou muito e eu fiquei doido para ir embora”, conta rindo.

Depois de aperfeiçoar sua técnica e estudar bastante, A passou a ser respeitado e conquistou seu espaço no mundo das picapes. Hoje, com agenda lotada quase todos os finais de semana, o avião se tornou uma segunda casa. “De uns cinco anos para cá eu sinto que as pessoas passaram a entender meu som, e eu a entender o que elas querem ouvir.”

Questionado sobre seu público preferido, DJ A não contém a alegria e paixão de tocar em casa. “O público de Brasília tem uma energia muito boa. Não é porque é minha casa, mas eu gosto demais de tocar aqui”.

Hobbies



Poucos sabem, mas A usa como terapia a ourivesaria. A maioria das peças que usa são feitas por ele mesmo. “Sempre curti anéis, correntes... E via muita joia masculina em sites de fora e sentia falta disso aqui no Brasil. Conheci o trabalho de alguns artesãos daqui e me despertou o interesse. Resolvi fazer um curso de joalheria artesanal e comecei a manusear prata”. Com uma bancada em casa, seus momentos livres, que tem sido raríssimos, são dedicados à criação de peças. “Agora está tudo parado, mas tenho vontade de quem sabe um dia criar uma coleção. Hoje serve mais como terapia mesmo", completa.


Campeão nacional


DJ A no grafite assinado pelo amigo Toys em sua homenagem


Só foram necessárias quatro participações para A se consolidar o melhor DJ do país. Em 2013, na sua primeira participação na competição, que antigamente só contava com DJs convidados, ele não se saiu muito bem. “Fui totalmente cru. Não entendia nada do campeonato. Fomos tocar na Privilége, de Juiz de Fora, e o público da casa curte house, estilo de música que eu não toco. Foi um desastre,” relembra.

Nos outros anos, os DJs passaram a poder se inscrever no Red Bull Thre3Style. E Allysson resolveu arriscar mais uma vez, mas sem sucesso. Em 2015, ele chegou à final e ficou em segundo lugar, posição que só foi anunciada esse ano pela organização do evento, que antigamente só falava da primeira posição.

Enfim no começo desse mês, o brasiliense conquistou o primeiro lugar com um set que tem de capoeira ao funk. “Não fui só com o intuito de ganhar, mas o sentimento de ter conseguido o primeiro lugar foi de dever cumprido. Estou muito feliz. A ficha está começando a cair. Agora é me preparar para o mundial que acontece em dezembro no Chile”. GPS|Brasília está na torcida por mais um troféu.


Confira a apresentação que lhe rendeu o primeiro lugar:


 


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