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Sente o som

COLABORADOR Pedro Lira   
|   20/09/2016 07:00 ( atualizada 20/09/2016 07:00)   
FOTO Celso Junior   
Filho de DJs e cria de Brasília, Alok é considerado o melhor do house music do Brasil. Em carreira ascendente, troca a capital para assumir as picapes mundo afora

Filho de pais nômades, Alok Petrillo tem história para contar de cada lugar onde já morou. Nascido em Goiânia, viveu em Amsterdã, Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros, Londres e São Paulo, mas, após passar a adolescência na Capital Federal, não tem lugar no mundo que o encante mais. Com apenas 24 anos, o DJ é atração confirmada no maior festival de música eletrônica do mundo, o Tomorrowland, na Bélgica, e já é considerado o grande representante brasileiro do segmento.


Ele está na lista dos cem melhores DJs do mundo, segundo a revista especializada DJ Mag, ocupando a 44° colocação. O brasiliense assinou recentemente com a Spinnin Records, a mesma gravadora do badalado Calvin Harris. Além disso, é agenciado pela WME, maior agência internacional de DJs atualmente. Alok é presença constante em festivais em todos os continentes, como Lollapalooza, Villa Mix e Tomorrowland Brasil.


O talento e o ouvido apurados para o house music vêm de berço. Alok é filho do casal de DJs  Swarup e Ekanta, gigantes da vertente psychedelic trance no Brasil. Foram eles que fundaram o consagrado festival Universo Paralello, que toma a praia paradísiaca de Pratigi, na Bahia, e reúne cerca de duas mil pessoas na noite de Réveillon.

 


Com pais divorciados nos primeiros anos da infância, o pequeno músico teve como playground as raves e festas eletrônicas. “Meus pais tinham seus projetos em vários lugares e nunca deixaram de viver a vida e fazer o que queriam por causa dos filhos”, conta. “Eu e meu irmão acompanhamos uma hora morando com um, outra hora com outro”, completa. Como era de se esperar, os gêmeos Alok e Bhaskar decidiram ainda bem novos o inevitável: queriam também ser DJs.


Trocando os videogames pelas picapes, os garotos foram descobrindo a música dentro de casa. A carreira começou a criar forma aos 12 anos, quando ele e o irmão se autointitularam a dupla Lógica. Os meninos tocavam em raves de Brasília quando fizeram, apenas cinco meses depois de lançar o projeto, a contagem regressiva da virada do ano de 2004 para milhares de pessoas no Universo Paralello.


Depois de cinco anos de experiência, os irmãos Lógica, com 17 anos, começaram a fazer turnê pelo mundo e conheceram 19 países por trás da mesa de DJ. “Foi nesse momento que a gente percebeu que não era mais brincadeira de criança. O projeto cresceu muito e nós com ele. Com senso de responsabilidade bem maior, criamos algo completamente autoral de trance”, explica.

 


Mesmo com o sucesso, em 2010, o DJ deixou a dupla e se lançou como Alok, desistindo do trance e investindo no house music. “Eu sempre quis trabalhar com o house, mas fui me encontrando na música com o tempo”, conta. “Acredito que devemos fazer aquilo que faz nosso coração vibrar e era nesse estilo que eu sentia isso”, diz. Com influências de Carl Cox, Rick Amara e, claro, dos pais, o DJ começou a trilhar o caminho que o levaria a ser número um do País.


Sempre visionário, o sucesso do artista veio da capacidade em enxergar oportunidade na inovação. “Não posso descrever o que eu faço, meu som não tem definição, as pessoas escutam e sabem que aquela batida é Alok”, explica. Tendo como inspiração Emicida e Criolo, o jovem DJ explica que gosta de artistas que trabalham com uma mensagem por trás e inovam em seus conceitos.


Para lançar uma nova carreira, nada melhor que o próprio nome. A inspiração de batizar o filho como Alok veio quando ele ainda estava na barriga, quando os pais viajaram para a Índia. Lá, conheceram Osho, o professor e guru que criou todo um movimento baseado em evolução espiritual pela meditação. Foi ele quem disse que o bebê deveria se chamar Alok, que em sânscrito significa “fora deste mundo”. “Sofri muito bullying na escola, mas o Bhaskar sofreu mais”, conta rindo.

Brasília, sua cidade


Os anos cruciais da adolescência de Alok foram vividos na Capital. Acompanhando os pais nos diferentes projetos, morou em Amsterdã dos cinco aos oito anos, depois em Goiânia, em Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros. Aos 12 anos chegou a Brasília, onde viveu em Águas Claras até os 19, seguindo para Londres. Agora, com 24, fincou raízes em São Paulo.


A infância passou longe do que é considerado normal. “Minha rotina era completamente diferente da dos meus colegas de escola. Morar com pais DJs torna a convivência, as experiências, tudo muito diferente”, afirma. Em Brasília, estudou na Escola Classe 410 Sul, Colégio JK e fez o ensino médio no La Salle. Antes de entrar na faculdade, chegou a fazer cursinho pré-vestibular, mas no dia da prova teve um show para fazer. “Fiquei seis meses estudando para a prova e quando chegou a hora eu tive que viajar”, relembra.


Ainda assim tentou a graduação. Alok chegou a estudar Relações Internacionais, durante dois anos, na Universidade Católica. “Eu fiz quatro semestres, mas à medida que a carreira deslanchava ficava cada vez mais difícil conciliar”, explica. Então, decidiu abandonar e investir completamente na música. “Ainda bem”, diz aliviado. Quem comemorou a decisão foram os brasilienses. Alok era presença constante na tradicional balada eletrônica 5uinto. “Era uma baladinha que eu curtia aqui em Brasília”, relembra.


Com a agenda toda voltada para a carreira, Alok faz de 18 a 20 shows por mês. “Não tenho mais tempo para nada. Não posso fazer planos porque minha rotina é imprevisível”, desabafa. As únicas coisas que são sagradas no cotidiano são a academia e a produção de música. “Fazer meu som é prazer. Eu só consigo trabalhar se não estiver sob pressão. As duas coisas são uma espécie de terapia diária”, diz.


No quesito comportamento, sempre foi um jovem adulto e garante que nunca deu trabalho. “Eu, por ter tido uma infância única, tive que crescer muito rápido, então sempre fui maduro para minha idade”, conta. O mesmo se aplica ao irmão. Hoje, seu irmão Bhaskar toca no projeto Blue Rose ao lado da sua mulher e sempre que possível se encontra com Alok para trocar figurinhas. Os pais também mantêm a rotina de DJs, moram em Águas Claras, e deixam a cidade apenas para tocar em festas pelo Brasil e exterior.


Das experiências na Capital Federal, consegue destacar várias: correr no parque de Águas Claras, andar de skate no Setor Bancário e, claro, curtir o Lago Paranoá no Pontão ou fazendo SUP. “O que mais sinto falta em Brasília é o que ela representa. Ter tempo para fazer as coisas, a sensação e lembranças de crescimento. É por isso que amo aqui. Nos lugares que vou digo que sou brasiliense”, conclui.

 


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