GPS | ENTREVISTA

Moda in Rio

COLABORADOR Paula Santana   
|   14/06/2016 19:30 ( atualizada 14/06/2016 19:30)   
FOTO Cortesia   
Rio Moda Rio faz sua estreia reunindo desfile, palestras, exposições e tem Carlos Tufvesson como curador

O Píer Mauá, no Rio de Janeiro receberá a partir de amanhã o Movimento Rio Moda Rio, que celebra a criatividade de estilistas e incentiva novos talentos para impulsionar o mercado da moda. Os empresários Rodolfo Medina e Duda Magalhães, da Dream Factory e Luiz Calainho, da L21 são os nomes à frente do projeto. Além de 14 grifes que tem presença confirmada e pop up stores, o evento que fica até o dia 17 de junho terá diversas atrações musicais e gastronômicas.


Estações do ano estão abolidas da edição de estreia do Rio Moda Rio. As salas multiuso serão usadas com temperatura escolhida pelos criadores das coleções, proporcionando várias experiências diferentes para o público em um mesmo dia. Além disso, algumas marcas disponibilizarão por meio do projeto see now, buy now, suas coleções assim que os desfiles terminarem, novo sistema utilizado no mundo inteiro. "Seremos a primeira semana brasileira a quebrar a sazonalidade e adotar o formato ready to buy em que o consumidor, logo em seguida ao desfile, poderá adquirir em loja a roupa desejada na passarela”, detalha Carlos Tufvesson, estilista, idealizador e curador do evento.


Alessa, Andrea Marques, Blue Man, Guto Carvalhoneto, Isabela Capeto, Ivan Aguilar, Lenny Niemeyer, Lino Villaventura, Mara Mac, Martu, Maria Filó, Patricia Viera, Osklen e The Paradise são os nomes que desfilarão suas peças nas passarelas do RMR. O GPS|Brasília bateu um papo com Carlos Tufvesson e entrega com exclusividade vários detalhes do Rio Moda Rio e do mercado da moda da cidade maravilhosa que tem chamado atenção de especialistas do mundo inteiro. Confira:


O Rio está entrando numa nova fase no mercado de moda? Qual a diferença entre a proposta atual e o extinto Fashion Rio!?

Nunca existiu uma plataforma de moda no Brasil parecida com a proposta do Rio Moda Rio, algo mais além do que uma agenda de desfiles, e sim um movimento de ações. Participei de todas as semanas que houve no Brasil, seja nos grupos de criação, seja como estilista, e acredito que os eventos se voltaram muito mais para os profissionais de moda, se tornaram muito excludentes. E, infelizmente, eles deixarem de surpreender o público. No Rio Moda Rio, queremos trazer de volta o sensorial, transformar as apresentações em experiências mais emocionantes.


O See Now Buy Now é um formato que veio para ficar?! Ele tem como se estabelecer no País?!

Acreditamos que é um processo que demanda tempo para adaptação, mas é também uma forma de adequar as necessidades do mercado de moda e do público. Pensamos a semana para que as pessoas possam não só ir ao desfile, mas também ver e consumir conteúdo, gastronomia, palestras. E, por isso, há as pop up stores, que serão dadas aos estilistas e eles poderão optar por um conteúdo exclusivo, que só vai existir nos dias de evento. O estilista também poderá optar por ter sua coleção já no dia seguinte para a venda imediata.


A industria têxtil está preparada para recebê-lo?! Como ela anda no país atualmente?!

Será um processo de transição e necessária! A moda é o segundo maior gerador de emprego no Estado do Rio. Emprega especificamente mão de obra feminina. Já vi vários maridos abandonarem seus empregos e a mulher, que numa sociedade machista tem uma posição doméstica de pessoa não produtiva, virar primeira renda familiar. A criatividade é o que pode nos salvar. O Movimento Rio Moda Rio nasce para que o estilista decida o que fazer com suas coleções e seus calendários.  A gente vai seguir o desejo dos estilistas.


Quais são as novas dificuldades que uma marca ou estilista enfrentam?! Há um caminho para retomar o mercado!?


Hoje, a distância entre desejo e consumo, que é fundamental para o mercado de moda, está muito distanciada e os lançamentos ficam parecendo já vistos. Isso dificulta as vendas, e a gente tem visto uma retração de consumo. O formato do Rio Moda Rio permite que pessoas que gostam de moda venham e se encantem. Porque é isso que gera consumo. O mercado está em crise e precisamos achar alternativas para que ele volte a crescer. O que estamos propondo agora com o Rio Moda Rio é uma alternativa.


Como surgiu a sua postura de movimentar o Rio de Janeiro novamente com a moda?!


Já participei de diversas correntes da moda brasileira e fiquei estimulado com o conceito que rege o Rio Moda Rio. De fato, já era hora de criarmos uma nova geração de semanas de moda. Acho bárbaro que, por trás desse projeto, estejam dois profissionais da indústria do entretenimento entrando de cabeça no universo da moda e retomando a visão de espetáculo, perdida com o passar dos anos.


O alto investimento e a adesão de grandes parceiros mostram o potencial do Rio para a moda nacional?

O Rio continua sendo o estado brasileiro que exporta produtos com o maior valor agregado para países que são referências mundiais de moda. É fundamental que a moda seja entendida como atividade econômica. É o segundo maior gerador de empregos no Estado do Rio de Janeiro. Precisamos entender de que maneira podemos auxiliar o setor a gerar cada vez mais empregos até ter uma arrecadação maior. A qualificação da mão de obra é fundamental para isso. Isso é uma questão complexa já há bastante tempo. Vários setores tiveram uma desoneração fiscal, mas o setor de confecção não. Não podemos continuar tributando de maneira tão pesada um setor que produz 100% de seus produtos e gera empregos aqui no Brasil, contra os importados.


Você tem o domínio do mercado! Qual seria a cronologia correta para a retomada do consumo?!

O formato de lançamento de coleção, por exemplo, pode continuar a ser em abril, para ser apresentado à imprensa que precisa de meses de antecedência para fazer seus editoriais. Mas o desfile deve ser o marketing para informar e consumir a moda. Toda essa mídia gerada atualmente deve ser direcionada para o lançamento da coleção que estará disponível ao público. Porém, o mais importante é colocar na agenda a discussão primordial para o setor, como a inclusão de uma semana de alto verão para que possamos voltar a ter os lançamentos de varejo de acordo com nossa realidade climática e com o perfil de consumo do brasileiro.

 

Hoje, lançamos em fevereiro e março o outono inverno e liquidamos quando faz frio. È um surto, um tiro no pé, sendo que a ultima vez que as multimarcas recebem uma coleção é novembro. Em dezembro, fazem seu Natal e, em seguida, precisam liquidar para ter novidade. Colocar mais uma coleção no mercado trará o calendário de volta ao eixo e os lançamentos de acordo com o nosso  clima. Isso vai gerar desejo e consumo. Não estamos inventando a  roda, apenas retomando a consciência do que era feito no passado e funcionava melhor.


Quem hoje é o grande concorrente da moda nacional?!


A ausência de compreensão por parte do poder publico da moda como uma atividade econômica, um grande gerador de empregos e receita. por mera ignorância do que é o sistema. O setor precisa ser olhado com mais respeito, para que ele possa evoluir mais. À medida que o empresário de moda cresce mais e vende mais, é mais sacrificado por não ter capital de giro, por depender de bancos. O BNDES existe para megaempresas. O setor de moda, em sua maioria, é constituído de pequenas e médias empresas, que são os maiores geradores de moda do Brasil, mas precisa ter acesso a juros menores para ter capital de giro e cacifar sua produção, reduzindo assim o custo final aos consumidores.


Qual será a diferença entre esse calendário e o calendário paulista, o SPFW?!


Cada ação tem sua particularidade e é bom que todas existam. O São Paulo Fashion Week tem uma foco pela sua data para o atacado. O Rio Moda Rio está destinado ao consumidor de moda.


Você diz que não se trata de um evento e sim de um movimento! O que quer dizer?!


Não estamos lançando uma semana de moda, e sim uma plataforma de ações para a moda brasileira. Isso nunca foi feito no pais. Nosso objetivo é colocar a cadeia em movimento, exercitando o assunto o ano inteiro.


Diante desses novos formatos e demandas, você ainda acredita na nomenclatura Inverno e Verão na apresentação de temporadas?!

Sinceramente, não vejo mais sentido. Assim como acho que migraremos para um sistema de pedidos e entregas de minicoleções mensais que permitirão a todos uma maior agilidade e reposição de estoque. Num pais onde o custo do estoque é altíssimo e a moda altamente tributada seria uma luz no fim do túnel.



Como tem sido a sua experiência como gestor de um movimento de moda?! Você não tem vontade de voltar a produzir? Por que parou?!

A moda sempre fez parte da minha genética. Fechei a minha empresa tendo 90 funcionários, que gerava empregos, vendia para todo o Brasil e também exportava. Não tenho talento para ser administrador. Nasci para ser estilista. mas hoje entendo que o destino me colocou num papel de trabalhar pela moda de outra maneira. O importante é servimos à nossa "Grande Dame" com paixão e fidelidade! À Moda! Se tenho vontade de desfilar? Sim. Recentemente organizei meu acervo e não tem como eu dizer que não me vem emoção nos olhos quando penso em voltar a desfilar e colocar as peças na passarela. O cheiro de uma sala de desfile é algo emocionante. Quem sabe numa segunda edição…


Você cresceu com a moda em suas veias! Em breves palavras, defina esse nosso mercado num processo evolutivo!


Anos 70_Inauguração das primeiras boutiques no Rio
Anos 80_A força dos grupos regionais de moda
Anos 90_Abertura do mercado de luxo no Brasil
2000_Surgimento dos tecidos de alta performance
2010_O 'boom' do comércio eletrônico


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