GPS | TECNOLOGIA

Os novos invasores

COLABORADOR Morillo Carvalho   
|   15/02/2016 12:00 ( atualizada 15/02/2016 12:00)   
FOTO Celso Junior   
Esse inseto voador abre asas, sobrevoa nossas vidas, participa da nossa rotina e até agora ninguém sabe ao certo: os drones são do bem ou do mal?

Skate voador, pizza instantânea, cadarços que se amarram sozinhos. Estas seriam as facilidades tecnológicas do mundo em 21 de outubro de 2015, caso se concretizasse o que previa o filme De Volta Para o Futuro, há 30 anos. Nas redes sociais, não se falou sobre outra coisa que não a falta das generosidades tecnológicas quando a data real chegou. Mas uma cena do atual queridinho vintage das telonas chama atenção: um drone leva um cachorro para passear. Acertou em cheio nessa? Melhor dizer que bateu na trave.

Os drones são a atual febre tecnológica e estão cada vez mais populares. Fazem uma espécie de revolução quase invisível e silenciosa sobre as nossas cabeças. Na Índia, já existe até pizzaria que faz serviço de delivery usando drones dotados de GPS. Mas nem levar o cachorro para uma voltinha nem a pizza até sua casa serão possíveis no Brasil, pelo menos por enquanto: a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) encerrou, no fim de outubro, uma consulta pública para regulamentar a atividade dos drones, já deixando claro que aqueles que não são controlados por pessoas estão e continuarão proibidos.

Enquanto isso, já é possível encontrá-los em vários tamanhos e formatos, com duas, quatro e até oito hélices. Câmeras que registram imagens em alta resolução e encantam. A faixa de preços é extensa e vai de R$ 300 a R$ 12 mil, mas há modelos que custam pelo menos R$ 100 mil. E o mercado está otimista: para 2016, a previsão é movimentar de R$ 100 a R$ 200 milhões no Brasil, entre venda de equipamentos e treinamentos de pilotos. “Além da geração de empregos. Para o ano que vem, a previsão é de três a cinco mil novos postos de trabalho no setor”, disse Emerson Granemann, durante a DroneShow, idealizada por ele e a primeira feira de drones do Brasil, realizada em outubro, em São Paulo. O evento contou com 25 estandes e reuniu fabricantes, empresários, admiradores e profissionais interessados nos drones.

A tal revolução aérea está em curso, mas só será possível quantificá-la quando houver regulamentação. Por enquanto, a estimativa da Associação Brasileira de Multirrotores (ABM) é de que sejam em torno de 20 mil os profissionais no Brasil que utilizam o drone.



Dilemas atuais

E, afinal, os drones são do bem ou do mal? Tire suas conclusões. Em agosto de 2014, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou o envio de drones para atacar iraquianos e sírios que promovem terrorismo. Em setembro passado, o exército sírio anunciou o início do uso de drones russos para ataques a terroristas no leste e no norte do país. O fato é que a proximidade do regime de Bashar Al-Assad com a Rússia aumenta as tensões com os Estados Unidos, numa nova edição da polarização entre as duas nações já vivida – e superada – pelo mundo, mas que tem agora os drones no meio do caminho, como coadjuvantes.

"Esse é um dos grandes dilemas atuais e com certeza absoluta essa divisão de bem e mal está presente nessa tecnologia. De fato, ela atende às duas vertentes", defende Abiézer Fernandes, coordenador do curso de Engenharia de Computação do UniCeub. E completa: "é acessível, o custo é baixo, a operação é simples”. Segundo o professor, já se fala em minidrones, aqueles que não são visíveis a uma determinada distância. “Vai ficar cada vez mais difícil perceber que alguma coisa está acontecendo".

A partir daí, as possibilidades são as mais diversas. O professor defende que, enquanto não houver uma regulamentação em escala mundial, as imprevisões sobre as aplicações de uso estarão cada vez maiores. "A quem responsabilizar? O fabricante? Vão parar de fabricar de forma disseminada? Será que todo material terá que ser controlado e a aplicação deverá ficar bem definida? Como nada disso existe, o uso está da forma mais diversificada possível. Para o bem e para o mal", conclui Abiézer.



Difícil mesmo é imaginar como seria a fiscalização sobre o uso dos drones e as situações de invasão de privacidade e as chantagens que podem surgir a partir deles. Mas, ainda bem, tem o lado positivo. Nem mesmo o sobrevoo mais baixo de um helicóptero, equipado com a melhor câmera, seria capaz de apresentar os detalhes ornamentais mais escondidos das torres das igrejas de Olinda. Com eles, isso é possível.

"Estamos redescobrindo ângulos inéditos, inusitados, que as pessoas não conheciam, porque era impossível você chegar com uma aeronave e ficar pairando a dois metros da torre de uma igreja", contou o empresário Luiz Calainho, quando uma das patrocinadoras do Festival Mimo de 2014 desenvolveu o Drone do Amor, para reapresentar imagens das cidades onde o evento estava aos moradores. Ele é o produtor executivo do Mimo que, todos os anos, é realizado em cidades históricas como a já citada Olinda, além de Ouro Preto e Parati, e promove mostras de música erudita de filmes em seus patrimônios.

No Quadrado

Em Brasília, o céu generoso e bem traçado conforme o cálculo do arquiteto não só inspira canções como também fica muito bem na foto e no filme. O vigilante Thiago Albuquerque, 33 anos, é um viciado em drones. Seu primeiro foi um bem simples. Ele já gostava de automodelismo, o que se potencializou quando surgiram os drones. Vendeu os automodelos e, hoje, usa um equipamento profissional, que custou mais R$ 9 mil. E não se arrepende do gasto: o drone dele filma em 4k – resolução próxima da capacidade máxima de visão do olho humano – e usa duas baterias adicionais, que garantem mais tempo de voo, além de dispor de um iPad mini para ver as imagens em tempo real. Faz três trabalhos por mês, em média, para empresas de publicidade e para pessoas físicas. "A questão de conseguir ângulos diferentes em fotos é bem interessante", afirma.



Os droneiros viram no equipamento uma oportunidade de negócio. Emissoras de TV e empresas de comunicação têm se esbaldado com imagens cinematográficas. Filmagens de casamento também. Além de shows.

O publicitário e geek convicto Carlos Moreira começou a pilotar drones há cerca de dois anos por mera curiosidade. Já teve dez equipamentos de lá pra cá e, para ele, a filmagem mais inusitada foi o registro do show de dez anos da dupla Jorge e Mateus, em outubro. Por mês, faz, em média, cinco trabalhos. Na captação aérea para o show, por exemplo, a precificação foi favorável ao bolso de Carlos, já que leva em conta os riscos para outras pessoas e o tempo de voo. "A responsabilidade era muito grande, o voo tinha que ser muito cauteloso e o pouso extremamente calculado, devido ao grande público", revela. Seu equipamento também capta imagens em altíssima resolução e ainda fotografa em modo RAW, ou seja, imagem crua, sem os ajustes automáticos de câmera – o que é ideal para profissionais de edição de imagens.



Regulamentação

Embora o novo mundo a ser descoberto pareça maravilhoso, pilotar um drone envolve riscos. Em 15 de maio, com a avenida Paulista tomada por manifestantes contrários ao governo, um acidente com drone deixou duas pessoas feridas, uma mulher teve cortes na cabeça e um homem, ferimentos no ombro e no rosto. O equipamento era utilizado pela Folha de São Paulo para cobertura fotográfica do evento. O próprio diário publicou, na versão online, que a dupla faria boletim de ocorrência e processaria a dona do drone, uma empresa terceirizada.

E este é apenas um exemplo do que pode ocorrer nos próximos passos desta revolução de imagens em curso. Em mãos erradas, os prejuízos podem ser imensuráveis. "Hoje, existem muitas pessoas que voam com seus equipamentos sem o conhecimento necessário, o que gera insegurança, e essa regulamentação vem para ajudar quem faz o uso dos drones corretamente", decreta Carlos Moreira.

Outra premissa da regulamentação é minimizar ônus administrativos e burocracia e permitir a evolução do regulamento conforme o desenvolvimento do setor, ou seja, evitar deixar na ilegalidade novidades tecnológicas que venham a aparecer. Talvez esta seja a explicação para que apenas sete drones em todo o País possuam Certificado de Autorização de Voo Experimental (Cave) – nenhum em Brasília. Mas a proposta de regulamentação também prevê que algumas das operações possam ser feitas sem autorização expressa da Agência, desde que estejam relacionadas apenas ao esporte e ao lazer e respeitando as regras sobre o aeromodelismo no Brasil.



Isso significa que quem desrespeitá-las pode ser responsabilizado pela própria Anac, com multas que devem variar de R$ 800 a R$ 30 mil, ainda podendo responder nas esferas civil e penal. A Agência também já sabe o que vai ser permitido e o que deve ser proibido. Isso significa que a revolução poderá até ser televisionada, desde que se mantenha a distância sobre a cabeça das pessoas e que, mesmo capazes de chegar a 90 metros de altura, os drones terão de voar mais baixo: poderão alcançar apenas 200 pés, ou 60 metros de altura, o equivalente a um prédio de 18 andares.

Agora, se sua preocupação tem a ver com intimidade, esta é uma garantia constitucional, e valem as regras atuais: captada ou não por drone, qualquer violação se mantém expressamente proibida.

Se pudéssemos avisar Robert Zemeckis, o cineasta de De Volta Para o Futuro, o recado seria claro: não subestime esse robô voador que leva cães para passear. Eles podem ser muito mais que meras babás de pets e revolucionar o modo com que as pessoas veem o mundo.



Pode

- Em áreas distantes, pelo menos, 30 metros horizontais das pessoas

- Em áreas menores que o limite de 30 metros, desde que as pessoas autorizemEste controle será todo do operador

- Drones de até 25kg sobre áreas urbanas ou rurais, a até 60 metros de altura

Não pode

- Drones com voo automático (sem controle do operador)

- Drones que coloquem em risco vidas ou propriedades de terceiros

- Drones para transporte de pessoas, animais, artigos perigosos ou cargas vedadas

Fonte: Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)


Serviço
Drone Brasília
Telefone: (61) 4101-0710 / 8382- 6434

Endereço: CLSW 105 Bloco A sala 127, Sudoeste
Instagram: @dronebrasilia
 


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